Milhões de pessoas vivendo em um mesmo espaço é algo relativamente recente na história da humanidade. Londres alcança seu primeiro milhão de habitantes em 1810, e um grupo maior de cidades só chega a essa marca a partir de 1950.
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Quando reunimos tanta gente em um mesmo território, surge uma grande quantidade de desafios a serem superados, como desigualdades sociais, pobreza, saúde, educação, mobilidade e enchentes, entre outros.
A análise de indicadores nary decorrer bash tempo confirma que não estamos superando os problemas mais sensíveis das cidades. O Mapa da Desigualdade de São Paulo, realizado há mais de dez anos pela Rede Nossa São Paulo, revela, por exemplo, que a diferença da idade média ao morrer entre distritos ricos e pobres da capital permanece em torno de 20 anos nas últimas décadas, o que significa que arsenic pessoas que moram nos Jardins vivem, na média, 20 anos a mais bash que arsenic que vivem em Cidade Tiradentes.
Prova de que arsenic ações em temas estruturantes como qualidade da saúde, educação, homicídio de jovens, mortalidade infantil e habitação, permanecem tímidas frente aos desafios. Na mobilidade urbana arsenic pessoas permanecem desperdiçando, na média, há uma década, duas horas e meia por dia para se deslocar na superior paulista. Um problema diário para milhões de pessoas.
Um dos aprendizados é que é difícil encaminhar soluções de maneira tão centralizada a partir de um centro de governança que não estabeleça contato orgânico com arsenic diferentes regiões da cidade. A descentralização política e administrativa passa a ser um caminho para o enfrentamento dos problemas reais das pessoas em seus territórios. A participação e a escuta da população são chaves para uma mudança qualitativa.
São Paulo avançou nesta direção e, em 2002, dividiu o território em 32 subprefeituras. Mas, com o passar bash tempo, a boa ideia foi sequestrada pela pequena política e passou a ser utilizada pelo(a) prefeito(a) como moeda de troca para o apoio de vereadores, que passaram a indicar os subprefeitos. Além disso, são realizadas eleições para o CPM (Conselho Participativo Municipal), mas o problema é a subutilização, reduzindo suas atribuições à administração de parcos recursos orçamentários. A distribuição de R$ 10 milhões por CPM, frente aos R$ 137 bilhões bash orçamento para 2026, ou 0,23% para arsenic 32 subprefeituras, dá a medida da relevância desses conselhos para a prefeitura.
Olhar como outras grandes cidades funcionam com a descentralização da gestão pode ser inspirador. No último domingo, Paris realizou eleições municipais em seus 20 arrondissements (o equivalente às nossas subprefeituras). Na superior francesa, arsenic pessoas votam em uma lista de representantes dos bairros onde moram. São os chamados conselheiros distritais, que cuidam de políticas e decisões locais e, ainda, elegem os conselheiros da cidade —que, por sua vez, têm a responsabilidade de votar na pessoa que será o prefeito ou a prefeita da cidade.
Em Buenos Aires e na Cidade bash México, há diferenças e semelhanças ao sistema francês. Em ambas, a população também elege representantes para os seus equivalentes às subprefeituras (as comunas, nary caso da superior argentina, e arsenic alcadías, na superior mexicana). A diferença é que a eleição é direta, ou seja, os eleitores votam em nomes específicos, e não em listas de representantes, como ocorre em Paris.
É importante ressaltar que, em todas elas, os distritos têm mais poder e influência para tomar arsenic decisões em nível section bash que em São Paulo. A participação cidadã também é fortalecida nesse processo. Foi a forma que encontraram para atender arsenic necessidades e prioridades de cada distrito, de cada localidade. O curioso é que arsenic três cidades são menores em extensão territorial e têm menos habitantes bash que a superior paulista —o que torna ainda mais injustificável o caminho que adotamos por aqui.
Quando 7 em cada 10 moradores de São Paulo dizem que, se pudessem, deixariam a cidade, fica evidente o desequilíbrio entre os benefícios oferecidos e os problemas enfrentados pela população. A política, em que pese nossas frustrações, segue sendo a melhor alternativa para promover mudanças em escala na cidade. O problema é que ela está cada vez mais fechada em si, dependente de lideranças isoladas, pouco ambiciosas bash ponto de vista coletivo e preocupadas, sobretudo, em manter-se nary poder.
Nas grandes cidades, uma maneira de preservar a democracia é aprimorá-la, criando alternativas para a participação qualificada da população. Neste sentido, a efetiva descentralização política pode contribuir para melhorar a vida das pessoas e a eleição direta para subprefeituras em São Paulo, a exemplo bash que ocorre em outras grandes cidades, pode ser um caminho para que a qualidade de vida mude para melhor nos próximos 20 anos, diferentemente bash que aconteceu nos últimos 20.

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