Em discurso na Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, o pontífice também criticou "a substituição progressiva da realidade por sua simulação", que leva pessoas a viverem "em bolhas impermeáveis umas às outras".
"Quando a simulação se torna regra, (...) vivemos como dentro de bolhas impermeáveis umas às outras e nos sentimos ameaçados por qualquer um que seja diferente", afirmou.
A declaração ocorre em meio a críticas ao uso de imagens geradas por IA com fins políticos por Donald Trump.
Após o papa criticar a guerra no Irã, o presidente dos Estados Unidos publicou, no domingo (12), uma imagem em que aparece como se fosse Jesus Cristo. A ilustração foi apagada no dia seguinte e gerou reação entre setores da direita religiosa americana.
Nos últimos dias, Leão XIV adotou um tom mais firme, após críticas de Trump. Na quinta-feira (16), denunciou "o mal causado de fora" por quem explora recursos do continente africano.
"O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas mantém-se unido por uma multidão de irmãos e irmãs solidários!", disse o papa em Bamenda, região marcada por conflito separatista.
O papa Leão XIV chega para celebrar uma missa pela paz e justiça no aeroporto de Bamenda, em Camarões, em 16 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Pela manhã, o papa celebrou uma missa ao ar livre em Duala, sob forte calor, às margens do Golfo da Guiné. Mais de 120 mil pessoas participaram — número abaixo da estimativa de até 1 milhão feita pelo governo.
"Viva o papa!", gritavam fiéis no Estádio de Japoma, com bandeiras do Vaticano e cânticos acompanhados por percussão.
Em discurso, ele pediu que jovens "sirvam ao país" em vez de emigrar. "A África precisa se libertar da praga da corrupção", disse.
O pontífice criticou ainda "o lado obscuro das devastações ambientais e sociais provocadas pela frenética busca por matérias-primas e terras" raras.
Segundo ele, a África paga um alto preço pela extração de cobalto, essencial para servidores de informática. O setor é dominado em grande parte por potências estrangeiras, com a China à frente.
Após a celebração, o pontífice visitou pacientes de um hospital católico em Duala e seguiu para Yaoundé. A viagem ao país termina no sábado (18).
O papa chegou a Camarões após visita à Argélia e seguirá viagem por Angola e Guiné Equatorial até 23 de abril.

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