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Parado na Justiça, megaleilão trocou energia limpa por térmica a R$ 515 bi

O Brasil jogou fora cerca de 37 TWh (terawatts-hora) de geração limpa só em 2025, segundo a ePowerBay. Essa energia seria suficiente para abastecer 19 milhões de casas em um ano, de acordo com a plataforma que monitora as usinas do país. Com as baterias, essa sobra abasteceria o sistema entre 18h e 22h porque o equipamento estoca eletricidade durante o dia, quando há excedente, e injeta na rede nos períodos de menor produção.

As termelétricas fósseis abocanharam 86,6% do total (16.868,4 MW) do megaleilão
As termelétricas fósseis abocanharam 86,6% do total (16.868,4 MW) do megaleilão Imagem: Pixabay

Preço inflado?

A diferença de preço chamou a atenção do Ministério Público Federal. Enquanto o megaleilão pagará até R$ 2,9 milhões por megawatt ao ano para as novas termelétricas, o armazenamento em baterias custaria cerca de R$ 1,25 milhão por megawatt ao ano, segundo estudo da Aurora Energy Research, fundada na Universidade de Oxford.

Em apenas 72 horas, o Ministério de Minas e Energia dobrou a remuneração às térmicas que já forneciam energia ao governo: de R$ 1,12 milhão por megawatt gerado ao ano, vai pagar R$ 2,25 milhões. Para justificar o reajuste às vésperas do leilão, o governo alegou que a explosão de data centers para Inteligência Artificial encareceu os custos de infraestrutura. Com essa justificativa, o MME elevou a estimativa oficial de custo da construção das usinas para R$ 112,8 bilhões.

Mas a auditoria do TCU contestou o argumento. Ela indicou que os investimentos reais declarados pelas empresas vencedoras somaram R$ 53,4 bilhões —valor quase idêntico ao teto original de R$ 54 bilhões da EPE, ainda em 2023, mas muito abaixo dos R$ 112,8 bilhões republicados na véspera da disputa.

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