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Pedidos para Khamenei renunciar, repressão e mortes: entenda a crise no Irã, que vive maior onda de protestos desde 2009

“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei. Ele acusou os manifestantes “estarem destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”, em referência a Trump. O líder iraniano disse para o líder norte-americano “cuidar do seu próprio país”.

Entenda abaixo os principais pontos da atual crise no Irã:

Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.

As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Até o momento, os protestos já deixaram mais de 60 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.

Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irã. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo regime Khamenei e disse que "atingirá muito duramente" o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de "arrogante" e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.

O que está por trás da crise

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando o presidente Donald Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano costurado por seu antecessor, Barack Obama.

  • Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã.
  • Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
  • A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.

Na segunda-feira (5), o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.

Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.

O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma "república teocrática" — na prática, um regime ditatorial em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder desde 1989.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.

Repressão e fala de Trump

Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país — Foto: Fars via AP

O Irã intensificou a repressão contra manifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira (8), no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país.

Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático.

"Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente", disse o presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.

Imagens publicadas na rede social X mostram grandes manifestações nas ruas (veja abaixo).

De acordo com vídeos, cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como "é a batalha final, Pahlavi voltará", em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou "Seyyed Ali será destituído", em referência ao líder supremo Ali Khamenei.

O Irã está "atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional", afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em dados em tempo real.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, voltou a pedir nesta quinta-feira "a máxima moderação" frente aos manifestantes, bem como o "diálogo" e a escuta às "reivindicações do povo".

Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos.

A quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento da crise, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que "centenas" de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas.

As manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022 presa por violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.

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