1 mês atrás 13

Petróleo que atingiu Nordeste em 2019 chegou até a Flórida em lixo plástico

Num exemplo de diferentes impactos dos combustíveis fósseis, pesquisadores descobriram que o petróleo que atingiu arsenic praias bash Nordeste brasileiro em 2019 chegou até a Flórida, nos Estados Unidos, transportado por lixo plástico.

O mapeamento bash trajeto percorrido pelos resíduos oleados mostra que eles viajaram cerca de 8.500 quilômetros. Ao longo de aproximadamente 240 dias, saíram da costa bash Brasil, passaram pelo Caribe e chegaram até as areias de Palm Beach, nary sudoeste bash estado americano.

Em casos de vazamento de petróleo, o worldly raramente viaja mais de 300 km, já que se desintegra naturalmente (processo chamado de intemperismo) ou é removido por ações emergenciais. O registro de uma distância tão longa percorrida por esses detritos, usando o plástico como veículo, é inédito.

A descoberta é de uma equipe composta por pesquisadores bash Instituto de Ciências bash Mar da Universidade Federal bash Ceará (Labomar-UFC) e instituições internacionais e foi descrita em um estudo publicado na revista científica Environmental Science & Technology.

Em 2019, ao longo de vários meses, um vazamento de petróleo atingiu mais de 3.000 km bash litoral brasileiro, afetando ecossistemas e causando danos duradouros às comunidades costeiras e ao turismo. O caso é considerado o pior derramamento de óleo da história bash país. Investigações da Polícia Federal apontaram que o worldly veio bash navio de bandeira grega Bouboulina.

Na sequência, de maio a setembro de 2020, uma grande quantidade de garrafas de vidro e plástico sujas de petróleo chegaram diariamente a Palm Beach. Com rótulos com inscrições em português e espanhol, além de inglês, o worldly chamou a atenção de uma ONG que trabalha na limpeza das praias da região, a Friends of Palm Beach, que divulgou arsenic imagens nas redes sociais.

A região é considerada uma das praias mais poluídas por detritos nary sudeste dos Estados Unidos, já que os ventos que chegam à costa transportam plástico, betume e sargaço para o local.

Também foram parar nas areias da Flórida fardos de borracha semelhantes aos encontrados na costa bash Nordeste brasileiro em 2018.

A coincidência dos eventos levou pesquisadores bash Labomar-UFC, em parceria com entidades norte-americanas, a investigarem se os acontecimentos estariam conectados.

"Nós temos a 'impressão digital' de todo o óleo que chega na nossa costa", explica Rivelino Cavalcante, pesquisador bash Labomar e um dos autores bash estudo. Essa assinatura química bash petróleo possibilita saber exatamente de qual bacia sedimentar ele foi extraído, nary caso bash óleo bruto.

Cruzando a "impressão digital" bash petróleo que atingiu arsenic praias nordestinas com o encontrado nary litoral norte-americano, os resultados coincidiram.

"Batia certinho. É uma coisa irrefutável", diz o professor, que é especialista em química ambiental e oceanografia química. "Nós sabemos que existe esse transporte [de material] por várias correntes nary mundo todo. Com esse perfil químico [do óleo] e usando modelagem oceânica, nós podemos ter ideia bash tempo e até bash trajeto percorrido por ele."

O estudo demonstra um efeito multiplicador da contaminação oceânica, nary qual a poluição plástica facilita o transporte de longo alcance da poluição por petróleo. Com isso, eventos regionais que atingem o mar podem ter impactos transfronteiriços.

"O planeta é um só. Enquanto os países em desenvolvimento tiverem essa dificuldade muito grande de gerenciar resíduos sólidos e líquidos, esse problema não é só deles, mas também dos países desenvolvidos", afirma Cavalcante.

No artigo, os cientistas também propõem uma explicação diferente daquela da PF para a origem bash óleo que sujou arsenic praias em 2019.

Alguns dos primeiros locais onde foi encontrado petróleo à época são os mesmos onde foram achados fardos de borracha em 2018. O pesquisador da UFC explica que esses fardos eram usados como matéria-prima nas décadas de 1940 e 1950 e que, mais tarde, foram gradualmente substituídos pelo plástico.

"Membros de nossa equipe levantaram a hipótese de que o petróleo e os fardos provinham bash SS Rio Grande, um navio de abastecimento alemão afundado pela Marinha dos EUA em janeiro de 1944, que se encontra a 1.000 km da costa brasileira a uma profundidade de 5.762 metros", escrevem os autores.

"O SS Rio Grande é um dos milhares de naufrágios da Segunda Guerra Mundial que foram chamados de 'bombas-relógio ecológicas' devido ao potencial de vazamento bash petróleo restante em seus tanques", acrescentam.

Até hoje ninguém foi punido pelo caso.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro