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Podcast da Folha vence Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo

A série "Dois Mundos", da Folha, publicada no podcast Café da Manhã, venceu o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e Direito dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.

O anúncio foi feito em cerimônia em auditório do Itamaraty, em Brasília, na noite desta quinta-feira (11). O prêmio foi promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, dentro de um plano de homenagem e reparação após o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Os dois foram mortos em uma emboscada nas bordas da Terra Indígena Vale do Javari, em 5 de junho de 2022. Os acusados de cometer o duplo homicídio, que vão a júri popular, eram conectados a esquema de pesca ilegal na região, que fica na fronteira de Brasil, Colômbia e Peru, no Amazonas.

O podcast da Folha, veiculado em quatro episódios de 31 de maio a 21 de junho de 2025, ficou em primeiro lugar na categoria reportagem audiovisual, que recebeu 176 inscrições de trabalhos jornalísticos.

O podcast foi veiculado no feed do Café da Manhã no Spotify e no site do jornal. A série teve reportagem, roteiro e apresentação de Vinicius Sassine, repórter especial do jornal e correspondente na Amazônia por quase quatro anos, até janeiro de 2026; Raphael Concli fez a edição de som; e a coordenação da série foi de Daniel E. de Castro, Gustavo Simon e Magê Flores.

Na categoria reportagem em texto, o trabalho "Expedição ao Mamoriá Grande: indigenistas decifram sinais na floresta para proteger grupos isolados da Amazônia", veiculado na Folha em 3 de janeiro de 2026, ficou em terceiro lugar. O trabalho é de autoria de Leão Serva.

A cerimônia de premiação teve homenagem aos familiares de Bruno e Dom e um pedido de desculpas do governo brasileiro pelo que ocorreu. Bruno era servidor da Funai, e precisou deixar a atuação no órgão federal em razão de perseguição no governo Jair Bolsonaro (PL) –o crime ocorreu no último ano da gestão do ex-presidente. Dom acompanhava o indigenista para um trabalho de reportagem.

"Dois Mundos" investigou as circunstâncias da morte de Tadeo Kulina, um indígena de recente contato que desapareceu de uma maternidade pública em Manaus e foi encontrado morto mais de uma semana depois, no IML (Instituto Médico-Legal).Ele e a mulher, de uma aldeia na região do médio rio Juruá, foram à capital do Amazonas porque Ccorima Kulina estava na fase final de uma gestação com complicações e corria risco de morte; ela e a bebê ficaram bem.

A série revelou novas provas sobre o que aconteceu com Tadeo em Manaus, depois de ele sumir da maternidade onde ocorreu o parto da filha.

A apuração também revelou falhas na investigação da Polícia Civil do Amazonas —que apontou, na conclusão, uma morte acidental e pediu o arquivamento do inquérito. A série motivou dois pedidos na Justiça do Amazonas para reabertura do caso. O Ministério Público determinou o desarquivamento e deu um prazo para a Polícia Civil do Amazonas fazer nova investigação.

"Dois Mundos" venceu ainda o 47º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria produção jornalística em áudio; o 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, na categoria áudio; e recebeu menção honrosa do 6° Prêmio IREE de Jornalismo.

No Concurso Bruno e Dom, o trabalho "Kinja – Gente de verdade", da Rede Amazônica, ficou em segundo lugar. Os outros três trabalhos finalistas foram a série "Força das Raízes", da GloboNews, o documentário "As dançadeiras de São Gonçalo" e "Suraras" da Amazônia".

Acesse os quatro episódios da série 'Dois Mundos'

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