Para entender a questão da precificação, alvo de queixas por muitos consumidores, o TechTudo foi atrás de especialistas em tecnologia e economia. Segundo os profissionais ouvidos pela Redação, o preço final de um celular chinês no Brasil passa por impostos, câmbio, logística, homologação, custo de componentes, escala de vendas, estratégia comercial e estrutura de distribuição. A pressão global sobre memória RAM e armazenamento, impulsionada pela demanda de inteligência artificial (IA) e data centers, também deve pesar sobre os lançamentos em 2026. Nesta matéria, entenda por que esses celulares nem sempre chegam baratos ao país e o que pode mudar nos próximos anos.
Celulares chineses têm estreado cada vez mais caros; entenda o porquê, segundo especialistas — Foto: Arte/TechTudo (imagem criada com auxílio de IA) Por que celulares chineses estão tão caros? Especialistas explicam
Nesta matéria, o TechTudo explica por que marcas chinesas como Xiaomi, realme, OPPO e JOVI ainda enfrentam dificuldades para competir em preço no Brasil. Confira os tópicos abordados:
- O atual cenário de preço das fabricantes chinesas no Brasil
- Qual tem sido a estratégia das marcas chinesas no mercado brasileiro?
- Como a escassez de memória RAM pressiona os preços?
- Por que os preços não são competitivos, mesmo com fabricação local?
- Fabricantes chinesas vs Samsung e Motorola: por que é difícil enfrentar essas gigantes?
- As fabricantes chinesas conseguirão ficar mais competitivas nos próximos anos?
- O que dizem as empresas
O atual cenário de preço das fabricantes chinesas no Brasil
As fabricantes chinesas ganharam mais espaço no Brasil nos últimos anos, mas a chegada oficial de novas marcas e modelos não significou, necessariamente, celulares mais baratos. Xiaomi, realme, OPPO e JOVI ainda são associadas ao custo-benefício por parte dos consumidores, mas lançamentos recentes mostram um cenário mais complexo: vários aparelhos já chegam ao varejo nacional em faixas próximas às de rivais da Samsung, Motorola e até Apple, marcas com presença mais consolidada no país.
Entre os exemplos, o Redmi Note 15 Pro, celular intermediário da Xiaomi, estreou cobrando R$ 4.499 por uma ficha técnica que inclui câmera de 200 MP, tela AMOLED de 120 Hz, bateria de 6.580 mAh e chipset MediaTek Dimensity 7400-Ultra. O valor segue o mesmo na loja oficial da marca desde o lançamento, em janeiro.
Já o realme 16 Pro+, intermediário mais premium, chegou ao Brasil com preço sugerido de R$ 4.500, valor superior ao cobrado no Galaxy S25, topo de linha de 2025, hoje no e-commerce. Seus destaques incluem câmera telefoto de 50 MP com zoom de 3,5x, tela AMOLED de 144 Hz, design resistente, bateria de 7.000 mAh e chip Snapdragon 7 Gen 4. Durante o lançamento, porém, a marca ofereceu desconto de R$ 500 como forma de atrair os consumidores.
realme 16 Pro+ chegou ao Brasil com preço sugerido de R$ 4.500 — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo A mesma estratégia foi seguida pela JOVI com o lançamento do JOVI T1, celular com câmera de 50 MP, bateria de 6.500 mAh e foco em desempenho. Com preço oficial de R$ 2.799, ele pôde ser adquirido por R$ 1.959 via Pix por 15 dias. Em sua estreia no Brasil, a marca chegou a cobrar R$ 5 mil pelo intermediário premium JOVI V50. Desta vez, o desconto, bem mais agressivo, veio para impulsionar as vendas no lançamento e tornar o produto mais competitivo frente a concorrentes.
Aliás, a aproximação dos preços em relação a Samsung e Motorola tem gerado questionamentos entre consumidores. Em algumas categorias, a diferença de preço para rivais mais consolidados ficou pequena o suficiente para que fatores como assistência técnica, política de atualizações, valor de revenda e reconhecimento de marca passem a pesar tanto quanto a ficha técnica na decisão de compra.
Para o especialista em tecnologia da informação Arthur Lebrum, essa mudança nos preços tem relação direta com a evolução dos próprios aparelhos. As marcas chinesas passaram a investir em baterias maiores, telas de melhor qualidade, mais memória, câmeras de alta resolução, resistência à água, carregamento rápido e recursos de inteligência artificial. Com isso, parte desses modelos deixou de disputar apenas a faixa dos celulares baratos e passou a mirar categorias mais próximas dos intermediários premium e dos topos de linha.
JOVI T1 chegou com preço salgado de R$ 2.700, mas apareceu em oferta vantajosa por 15 dias — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo Já o mestre em finanças pela Universidade de Sorbonne Hulisses Dias avalia que o preço final também reflete o custo de operar no Brasil. Segundo ele, o país ainda é pouco aberto ao comércio exterior e acumula despesas que pesam sobre produtos importados ou dependentes de componentes estrangeiros.
Também pesa a diferença entre comprar um celular em canais estrangeiros e adquirir um produto vendido oficialmente no Brasil. A operação local inclui homologação, impostos, logística, margem de distribuidores, garantia, assistência técnica, custos do varejo e marketing. Assim, o celular chinês que chega por canais oficiais deixa de ser apenas um produto importado barato e passa a carregar os custos de uma estrutura nacional de venda e pós-venda.
Embora custos de produção e operação expliquem parte dos aumentos, algumas fabricantes chinesas passaram a lançar aparelhos em faixas de preço que já não encontram respaldo apenas na ficha técnica. O lançamento de modelos de entrada por mais de R$ 2 mil sem recursos amplamente difundidos, como o 5G, mostra que parte das empresas também busca testar a força de suas marcas e a disposição do consumidor em pagar mais. Nesse contexto, o preço final também reflete decisões comerciais e expectativas de margem.
Qual tem sido a estratégia das marcas chinesas no mercado brasileiro?
A estratégia das fabricantes chinesas no Brasil deixou de depender apenas de preço baixo. Marcas como Xiaomi, realme, OPPO e JOVI tentam ampliar presença no varejo oficial, reforçar a assistência técnica, crescer em marketplaces e construir uma imagem de confiança. Esse movimento é importante em um mercado dominado por concorrentes como Samsung e Motorola, que têm distribuição ampla, pós-venda estruturado e forte reconhecimento entre os consumidores.
A OPPO, por exemplo, vem investindo em presença física e suporte oficial no país. Em 2026, a marca inaugurou um espaço próprio em Belém (Pará) e ampliou centros de serviço em São Paulo e Brasília, em uma estratégia que vai além da venda online e busca reduzir a insegurança do consumidor em relação a garantia, reparo e atendimento.
OPPO inaugurou centro de serviços no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/OPPO A JOVI segue caminho parecido, mas com foco ainda maior em capilaridade. Criada pela chinesa vivo para o mercado brasileiro, a marca chegou a 1.500 pontos de venda em apenas quatro meses de operação, incluindo varejistas nacionais, redes regionais e operadoras. A empresa também aposta em fabricação em Manaus (Amazonas), presença em marketplaces e parcerias com grandes redes.
Segundo Dias, a precificação também está relacionada à forma como essas companhias se comunicam com o público. Quando uma fabricante chinesa passa a atuar oficialmente no Brasil, ela tenta convencer o consumidor de que não vende apenas um celular mais barato, mas uma experiência mais segura, completa e comparável à de marcas tradicionais.
“As grandes marcas internacionais vendem valor, e valor é diferente de preço. Quanto maior é a percepção de valor, maior é a margem da empresa. No final das contas, isso é uma estratégia competitiva. Reduzir preço não depende apenas de vender mais. Depende também da estratégia da marca, da percepção de valor e da forma como a empresa quer se posicionar no mercado”, afirma.
Vivo é a empresa chinesa por trás da marca JOVI — Foto: Divulgação/Vivo A realme e a Xiaomi também ilustram essa transição. A realme mantém uma comunicação voltada a atributos como ultrarresistência, bateria grande, telas brilhantes e câmeras com IA. A Xiaomi, por sua vez, trabalha um ecossistema mais amplo, com celulares, vestíveis e produtos de casa conectada. Nos dois casos, a estratégia é transformar a marca em uma alternativa reconhecida, e não apenas em uma opção dependente de importação informal ou ofertas pontuais em marketplaces.
Quanto mais a marca investe em varejo físico, assistência, marketing, parcerias com operadoras, fabricação local e presença oficial, mais ela se distancia da antiga lógica de “celular chinês barato”. O resultado é uma espécie de paradoxo: para ganhar confiança no Brasil, as fabricantes chinesas precisam se estruturar como marcas tradicionais; ao fazerem isso, perdem parte da vantagem de preço que as tornou populares entre consumidores brasileiros.
Como a escassez de memória RAM pressiona os preços?
A memória se tornou um dos pontos mais sensíveis na formação de preço dos smartphones. RAM e armazenamento interno estão entre os componentes que mais influenciam a experiência de uso, especialmente em celulares com 5G, recursos de IA, câmeras de alta resolução e muitos aplicativos rodando ao mesmo tempo. Quando esses itens encarecem, as fabricantes precisam escolher entre reduzir margem, repassar o aumento ao consumidor ou cortar especificações.
A pressão vem da disputa global por chips de memória. Data centers, PCs e celulares usam componentes como DRAM e armazenamento em larga escala. Com o avanço da IA, parte da capacidade produtiva passou a ser direcionada a produtos de maior valor, como memórias para servidores, reduzindo a oferta para eletrônicos de consumo. Segundo a Gartner, os preços combinados de DRAM e SSD devem subir 130% até o fim de 2026, o que pode elevar o preço dos smartphones em 13% frente a 2025.
O impacto tende a ser maior nos celulares básicos e intermediários, justamente as faixas em que marcas chinesas costumavam competir com mais força. Em modelos premium, há mais margem para absorver parte do aumento ou justificar o preço com câmera, tela, acabamento e desempenho. Já nos aparelhos de entrada, qualquer alta em RAM ou armazenamento pesa mais, porque o preço final precisa continuar baixo para atrair o consumidor.
Crise dos chips semicondutores pode deixar celulares mais caros — Foto: Divulgação/Samsung Para Lebrum, esse cenário reduz a agressividade comercial das fabricantes chinesas. A alta da memória afeta diretamente o custo de produção e diminui o espaço para vender celulares com muita RAM, armazenamento generoso e preço baixo. Um modelo que antes poderia chegar com 8 GB de RAM e 256 GB de espaço interno por um valor competitivo pode ficar mais caro ou ser lançado com uma configuração mais simples.
Em março de 2026, por exemplo, a vivo informou que reajustaria preços de celulares na China por causa da alta nos custos globais de semicondutores e memória. A OPPO também anunciou aumento no mesmo período, enquanto a Honor foi citada entre as marcas pressionadas pelo encarecimento dos componentes.
No Brasil, essa pressão global chega somada a impostos, câmbio, logística e margens do varejo. Isso ajuda a explicar por que celulares chineses com 8 GB, 12 GB ou 16 GB de RAM já não parecem tão baratos quanto em gerações anteriores. A tendência é que as fabricantes preservem configurações mais robustas nos modelos caros e façam cortes nos aparelhos acessíveis, seja em RAM, armazenamento, velocidade de memória ou outros componentes.
Por que os preços não são competitivos, mesmo com fabricação local?
A fabricação local ajuda a reduzir parte dos custos, mas não torna automaticamente um celular chinês mais barato no Brasil. Mesmo quando o aparelho é montado no país, componentes importantes como chips, telas e memórias continuam vindo de fora. Esses itens dependem de uma cadeia global concentrada principalmente na Ásia e seguem sujeitos a dólar, frete internacional, seguro, disponibilidade de peças e variações de preço no mercado de semicondutores.
Produzir localmente muitas vezes significa montar, integrar e testar o aparelho no Brasil, seguindo regras industriais e fiscais específicas. Apesar de melhorar a logística, facilitar a distribuição e reduzir parte da dependência do produto acabado importado, isso não elimina os custos globais embutidos na ficha técnica. Por isso, um celular montado em Manaus, por exemplo, ainda pode chegar caro ao consumidor final.
Nesse sentido, Arthur Lebrum defende que a montagem local não resolve, sozinha, o problema da competitividade.
O especialista acrescenta ainda que a conta também inclui certificação, homologação, garantia, assistência técnica, estoque de peças, distribuição e escala de vendas. Esses fatores pesam especialmente para marcas que ainda estão construindo presença no país, enquanto Samsung e Motorola já têm operação mais madura e maior poder de negociação com varejistas.
Outro ponto é que fabricar no Brasil também exige estrutura. A marca precisa investir em fábrica própria ou parceria industrial, treinar equipes, manter controle de qualidade, criar rede de assistência e negociar espaço no varejo. Esses custos fazem parte da operação oficial e acabam diluídos no preço do produto. Para o consumidor, pode parecer contraditório: o celular é “nacionalizado”, mas continua caro. Para a empresa, porém, a produção local é apenas uma parte da cadeia.
Fábrica da realme em Manaus — Foto: Eduardo Bartkevihi/TechTudo O caso da JOVI ilustra esse desafio. A marca tem produção em Manaus e foi desenvolvida pela vivo para atuar no mercado brasileiro, mas seus celulares ainda disputam faixas próximas às de rivais consolidados. A operação local melhora presença, distribuição e atendimento, mas não elimina o custo dos componentes importados nem a necessidade de construir marca, varejo e suporte no país.
Além disso, a logística brasileira também influencia os custos. O tamanho do território, a concentração de centros de distribuição, o transporte e a dependência de grandes varejistas podem pressionar os preços. Dias afirma que “impostos e distribuição são os que mais impactam os produtos eletrônicos”, citando a proteção à indústria nacional e os desafios logísticos do país.
Por isso, a fabricação local tende a ser mais importante para dar previsibilidade à operação, fortalecer o pós-venda e reduzir parte da dependência de importação do que para garantir, sozinha, preços muito agressivos. Para que celulares chineses fiquem mais competitivos, seria necessário combinar produção local com maior escala, componentes mais baratos, câmbio favorável, logística mais eficiente e negociações mais fortes com o varejo.
Fabricantes chinesas vs Samsung e Motorola: por que é difícil enfrentar essas gigantes?
Competir com Samsung e Motorola no Brasil exige muito mais do que lançar celulares com boa ficha técnica. As duas marcas construíram, ao longo de anos, uma presença difícil de replicar: estão nas principais varejistas, mantêm relações consolidadas com operadoras, contam com ampla rede de assistência técnica e distribuição e já ocupam um espaço forte na memória do consumidor brasileiro.
Segundo a Omdia, a Samsung liderou o mercado brasileiro de smartphones em 2024, com 39% de participação, enquanto a Motorola ficou em segundo lugar, com 25%. A consultoria também aponta que as duas fabricantes se beneficiam de uma base forte de produção local, seja por investimento direto ou por parcerias industriais, além de estruturas de distribuição já bem estabelecidas no país.
Redmi Note 15 Pro, da Xiaomi, é um dos campeões de vendas da marca no Brasil — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo Para Lebrum, escala é um dos principais obstáculos para novas fabricantes. Não basta trazer um aparelho competitivo: é preciso garantir estoque, negociar com grandes redes, estar presente em operadoras, oferecer suporte, manter peças de reposição, investir em homologação e marketing e construir confiança junto ao consumidor. Marcas recém-chegadas ou ainda em expansão precisam montar essa estrutura enquanto disputam espaço com empresas que já têm relacionamento comercial e reputação consolidados.
Dias acrescenta que Samsung e Motorola conseguem trabalhar com preços mais agressivos porque operam com portfólios maiores e ecossistemas mais amplos. No caso da Samsung, por exemplo, o consumidor pode comprar celular, fones de ouvido, smartwatches, tablets, notebooks, TVs e outros produtos conectados entre si. “Por terem um portfólio de produtos maior, elas conseguem monetizar melhor a aquisição daquele cliente. Esse ecossistema é mais valioso junto e pode subsidiar esses produtos na ponta para eles serem mais baratos para o consumidor final”, afirma.
Ecossistema Samsung permite integração completa entre o smartphone e os acessórios da marca — Foto: Divulgação/Samsung O varejo brasileiro também favorece quem já tem escala. Promoções, cashback, parcelamento sem juros e campanhas de grandes datas dependem de volume, previsibilidade de demanda e poder de negociação. Quanto maior a presença da marca, maior a chance de ocupar espaço em vitrines físicas, anúncios de marketplace e ofertas com operadoras. Para fabricantes chinesas que ainda buscam reconhecimento nacional, competir nesse ambiente significa investir pesado antes de colher resultados.
O consumidor pode até se interessar por uma marca chinesa com bateria maior, câmera mais potente ou preço competitivo, mas ainda costuma levar em conta garantia, atualização de sistema, assistência técnica, revenda, disponibilidade de peças e reputação. Sem essa segurança, mesmo um aparelho com boa ficha técnica pode parecer uma aposta arriscada diante de marcas mais conhecidas.
Por isso, o desafio das fabricantes chinesas é duplo. Elas precisam competir em preço e especificações, mas também provar que conseguem oferecer uma experiência consistente antes e depois da compra. Enquanto Samsung e Motorola vendem aparelhos amparadas por anos de presença local, Xiaomi, realme, OPPO e JOVI ainda precisam consolidar operação e percepção de marca para disputar o mercado brasileiro em condições mais equilibradas.
As fabricantes chinesas conseguirão ficar mais competitivas nos próximos anos?
As fabricantes chinesas podem ganhar competitividade no Brasil nos próximos anos, mas isso não deve depender apenas de queda de preço. Para disputar melhor com Samsung e Motorola, marcas como Xiaomi, realme, OPPO e JOVI precisarão ampliar escala, fortalecer a operação oficial, melhorar a assistência técnica, garantir atualizações por mais tempo e aumentar a confiança do consumidor no pós-venda.
O Brasil continua sendo um mercado atraente pelo tamanho e pela diversidade de renda da população, o que abre espaço tanto para celulares básicos quanto para modelos premium. “O Brasil é sim um mercado atraente para esses fabricantes, simplesmente porque ele é um mega mercado”, afirma Dias. O desafio, segundo ele, é que esse potencial vem acompanhado de impostos, burocracia, exigências legais, custos logísticos e despesas de operação.
Isso significa que as marcas chinesas têm espaço para crescer, mas precisam operar de forma mais parecida com empresas já consolidadas. Para Lebrum, suporte e longevidade serão pontos decisivos nessa disputa. Em um mercado no qual Samsung já promete longos ciclos de atualização em vários modelos, fabricantes que não deixam clara a política de software podem perder competitividade, mesmo quando oferecem mais bateria, carregamento rápido ou câmeras chamativas.
Além da fabricação local, os especialistas ouvidos pelo TechTudo destacam a importância de ampliar a presença no varejo, negociar com operadoras, manter centros de assistência, garantir peças de reposição e investir em comunicação. Quanto mais estruturada for a atuação da marca no país, maior tende a ser a confiança do consumidor. Por isso, a competitividade das marcas chinesas deve avançar de forma gradual. Ainda assim, é pouco provável que todas voltem a ser vistas apenas como alternativas muito baratas.
Procuradas pelo TechTudo, JOVI, OPPO e realme afirmaram que o aumento dos custos na cadeia global de tecnologia, incluindo componentes como chips de memória, tem pressionado o setor. As empresas destacaram estratégias para reduzir impactos ao consumidor, como produção local em Manaus, parcerias com varejistas e ações promocionais. Já a Xiaomi decidiu não comentar o caso. Confira abaixo os posicionamentos na íntegra.
"O Brasil é um mercado estratégico para a JOVI e a companhia mantém um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento de sua operação local. Desde o lançamento oficial da marca no país, em maio de 2025, a empresa conta com fabricação nacional na Zona Franca de Manaus, smartphones homologados pelos órgãos competentes, escritórios regionais em nove cidades, lojas próprias em São Paulo e Curitiba e presença em cerca de 1.800 pontos de venda. Em 13 meses, foram 10 smartphones lançados no Brasil, sendo 40% tropicalizados para o mercado nacional, reforçando a estratégia da marca de adaptar soluções às demandas locais.
Em relação ao cenário de preços, a JOVI acompanha de perto os fatores que impactam a cadeia global de tecnologia. A companhia atua de forma estratégica, em parceria com o time global da vivo Mobile Communication Co., Ltd. e com parceiros locais e internacionais, para mitigar os impactos e seguir oferecendo ao consumidor brasileiro produtos competitivos, tecnologia de qualidade e uma operação cada vez mais conectada ao mercado nacional."
"O atual aumento nos preços dos chips de memória representa um desafio que impacta toda a indústria. A OPPO segue investindo em pesquisa para compreender profundamente as necessidades do consumidor brasileiro e mantém o compromisso de entregar produtos alinhados aos usos reais do dia a dia, combinando tecnologia de ponta com um equilíbrio criterioso entre desempenho, preço e experiência do usuário."
"O preço final dos smartphones no Brasil é influenciado por uma combinação de fatores estruturais, como a carga tributária incidente sobre o setor, a volatilidade cambial, os custos logísticos e a dinâmica global da cadeia de suprimentos. Nos últimos anos, a indústria também enfrentou desafios relacionados ao aumento dos custos de componentes, incluindo os impactos da crise global de memória RAM, que afetou a disponibilidade e os preços de insumos essenciais para a fabricação de dispositivos eletrônicos.
Para minimizar esses possíveis impactos, a produção local é fundamental para aumentar a previsibilidade econômica e tornar a cadeia de distribuição mais eficiente. Na fábrica da realme, em Manaus (AM), produzimos aparelhos localmente para gerar uma operação mais eficiente, maior disponibilidade de produtos e mais competitividade para o consumidor brasileiro.
Outro fator fundamental para ampliar o acesso à tecnologia são as parcerias com o varejo e e-commerce. Trabalhar em conjunto com grandes plataformas e varejistas permite oferecer condições mais atrativas, descontos e campanhas promocionais que tornam os smartphones mais acessíveis para o público final. Até por isso, na realme estamos aumentando a participação dos canais de e-commerce em nossas venda para ajudar a melhorar a eficiência operacional, otimizar os custos de distribuição e oferecer ainda mais valor aos consumidores.
Um exemplo recente foi o lançamento da nova realme 16 Series, que chegou ao mercado brasileiro com um desconto de R$500 no Mercado Livre durante o período de estreia. Além disso, novas ações promocionais sobre o 16 Series estão previstas para as próximas semanas. Na realme, nosso objetivo é oferecer a melhor combinação entre inovação, desempenho e custo-benefício, democratizando o acesso às tecnologias mais avançadas para consumidores no Brasil e em todo o mundo."
Com informações de TechTudo (1, 2, 3 e 4), Gartner, Counterpoint Research, Reuters, South China Morning Post, Omdia, JOVI, OPPO, Agência Brasil
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