
Crédito, EPA
- Author, Jaroslav Lukiv e Paul Adams
- Role, Da BBC News em Londres e Jerusalém
Há 17 minutos
Israel bloqueou a entrada de qualquer ajuda humanitária na Faixa de Gaza, exigindo que o Hamas concorde com um plano dos EUA para uma extensão do cessar-fogo.
A primeira fase do cessar-fogo acordado entre as duas partes expirou no sábado (1/3). O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que o Hamas até agora se recusou a aceitar uma extensão temporária proposta pelo enviado de Donald Trump, Steve Witkoff.
Um porta-voz do Hamas disse que bloquear suprimentos para Gaza era "chantagem barata" e um "golpe" no acordo de cessar-fogo. O grupo pediu que os mediadores interviessem no caso.
O grupo palestino disse anteriormente que não concordaria com nenhuma extensão da fase um sem garantias dos mediadores dos EUA, do Catar e do Egito de que a fase dois eventualmente ocorreria.
"Com o fim da Fase 1 do acordo de reféns, e à luz da recusa do Hamas em aceitar o esboço de Witkoff para continuar as negociações - com o qual Israel concordou - o primeiro-ministro Netanyahu decidiu que, a partir desta manhã, toda a entrada de bens e suprimentos na Faixa de Gaza cessará", diz a declaração do gabinete de Netanyahu sobre o tema.
"Israel não permitirá um cessar-fogo sem a libertação de nossos reféns. Se o Hamas continuar sua recusa, haverá mais consequências."
Já o porta-voz do Hamas disse que "a decisão de Netanyahu de interromper a ajuda para Gaza mostra mais uma vez a face feia da ocupação israelense."
"A comunidade internacional deve pressionar o governo israelense para parar de matar nosso povo de fome."
Na noite de sábado, o gabinete de Netanyahu disse que Israel concordou com uma proposta dos EUA para que o cessar-fogo continuasse por cerca de seis semanas durante os períodos do Ramadã muçulmano e da Páscoa judaica.
Se, no final deste período, as negociações chegassem a um beco sem saída, Israel se reservaria o direito de voltar à guerra.
A proposta de Witkoff, enviado dos EUA, não foi aberta ao público. De acordo com Israel, ela começaria com a libertação de metade de todos os reféns vivos e mortos restantes.
Witkoff propôs a extensão de seis semanas após se convencer de que mais tempo era necessário para tentar superar as diferenças entre Israel e o Hamas sobre as condições para o fim da guerra, de acordo com a declaração anterior do gabinete de Netanyahu.
Israel iniciaria imediatamente as negociações sobre isso se o Hamas mudasse sua posição sobre a extensão de seis semanas do cessar-fogo, disse o gabinete de Netanyahu.
Agências humanitárias confirmaram que nenhum caminhão de ajuda foi autorizado a entrar em Gaza na manhã deste domingo.
"A assistência humanitária precisa continuar a fluir para Gaza. É muito essencial. E estamos convocando todas as partes para garantir que cheguem a uma solução", disse Antoine Renard do Programa Mundial de Alimentos (PMA) à BBC.
Milhares de caminhões têm entrado na Faixa de Gaza a cada semana desde que o cessar-fogo foi acordado em meados de janeiro. As agências humanitárias conseguiram armazenar suprimentos, o que significa que não há perigo imediato para a população civil com a decisão israelense desta manhã.
Também neste domingo, médicos disseram que quatro pessoas foram mortas em ataques israelenses em Gaza. O exército israelense disse que atacou pessoas que estavam plantando um dispositivo explosivo no norte do território.

Crédito, Getty Images
A primeira fase do cessar-fogo que entrou em vigor em 19 de janeiro expirou neste sábado.
O acordo interrompeu 15 meses de combates entre o Hamas e os militares israelenses, permitindo a libertação de 33 reféns israelenses e cinco tailandeses em troca de cerca de 1.900 prisioneiros palestinos.
Mas as negociações sobre a fase dois, incluindo a libertação de todos os reféns vivos restantes e a retirada das tropas israelenses de Gaza, mal começaram.
Acredita-se que haja 24 reféns vivos, com outros 39 presumivelmente mortos.
O Hamas realizou um ataque sem precedentes a Israel em 7 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo outros 251 reféns.
Israel respondeu com uma campanha aérea e terrestre na Faixa de Gaza, durante a qual pelo menos 48.365 pessoas foram mortas, de acordo com o Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas.

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