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- Author, Angel Bermúdez
- Role, BBC News Mundo
Há 24 minutos
Tempo de leitura: 7 min
É uma das taxas mais baixas que os EUA já registraram desde o início do século 20, um período que inclui momentos difíceis como a Grande Depressão e a pandemia de covid.
Historicamente, os EUA têm experimentado um crescimento populacional constante ano após ano.
Na década de 1950 — durante o chamado "Baby Boom" — a taxa média de crescimento populacional foi de 1,8%. Já na década de 1990, esse ritmo foi de 1,2%, caindo para 1% durante a primeira década deste século.
Desde 1900, houve apenas um período registrado de declínio populacional nos EUA: entre julho de 1917 e junho de 1918, quando a população diminuiu em aproximadamente 60 mil pessoas, o equivalente a 0,06% da população da época.
Isso se deveu à combinação incomum de três fatores: mortes causadas tanto pela pandemia da gripe espanhola, mortes causadas pela Primeira Guerra Mundial e queda temporária na taxa de natalidade — sendo o último fator associado aos dois primeiros.
Mais recentemente, o crescimento populacional atingiu o nível mais baixo durante a pandemia, caindo para 0,2% em 2021 devido a fatores como o aumento da mortalidade e a redução forçada da imigração.
Fora os anos da covid, o único ano recente em que o crescimento populacional caiu para níveis semelhantes aos atuais foi em 2019, algo que os especialistas atribuíram a um menor número de nascimentos e a uma queda na imigração.
Mas o que está acontecendo agora?
Imigrantes que não vêm, residentes que vão embora

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O Departamento do Censo dos EUA atribui o declínio no crescimento populacional à redução da migração internacional líquida — que é o resultado da subtração do número de imigrantes (pessoas que entram no país) do número de emigrantes (pessoas que saem do país).
"Com os índices de natalidade e mortalidade permanecendo relativamente estáveis em comparação com o ano anterior, a acentuada queda na migração internacional líquida é a principal razão para a taxa de crescimento mais lenta que estamos observando hoje", disse Christine Hartley, diretora adjunta da Divisão de Estimativas e Projeções do Departamento do Censo, em um comunicado à imprensa divulgado esta semana.
Ela descreveu a queda como "histórica", passando de 2,7 milhões (2023-2024) para 1,3 milhão (2024-2025).
William Frey, pesquisador sênior especializado em demografia da Brookings Institution — um centro de estudos com sede em Washington — destaca que o saldo migratório líquido de 2024, de 2,7 milhões, é um dos mais altos registrados nos últimos tempos, e que mesmo os 1,3 milhão do ano anterior também representam um número elevado quando comparados aos padrões históricos.
Tanto Frey quanto o Departamento do Censo estimam que a taxa de migração internacional líquida continuará caindo nos próximos anos.
Menos chegadas, mais deportações

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Especialistas dizem que as crescentes dificuldades que os estrangeiros enfrentam para viajar para os EUA estão entre os fatores que podem estar afetando o número de migrantes e, consequentemente, o crescimento populacional.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o governo americano tomou diversas medidas para restringir a entrada de estrangeiros nos EUA, como o endurecimento dos requisitos para a emissão de vistos de estudante e de trabalho e a restrição do processo de solicitação de asilo ou status de refugiado.
Ao mesmo tempo, o governo implementou uma dura campanha de deportação contra migrantes indocumentados, que incluiu, em alguns casos, o envio desses indivíduos para países terceiros, como El Salvador.
O governo também revogou as proteções temporárias concedidas durante o governo de Joe Biden a centenas de milhares de migrantes por meio de mecanismos como o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) e a liberdade condicional humanitária.
Autoridades do governo Trump deixaram claro que discordam dessas proteções e pediram que aqueles que se beneficiam delas deixem o país voluntariamente, sob ameaça de deportação forçada.
A drástica redução nas tentativas de entrada nos EUA é evidente nas estatísticas oficiais. De acordo com dados da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras, o número de "encontros" (termo usado para descrever quando agentes entram em contato com um estrangeiro que tenta entrar no país, mas não atende aos critérios exigidos) em fevereiro de 2025 foi de 28.613, o que representa uma queda de pouco mais de 12% em comparação com o mesmo mês de 2024.
Essa tendência de queda continuou ao longo do segundo semestre de 2025. O Departamento de Segurança Interna informou que, entre outubro e novembro de 2025, os agentes de fronteira haviam registrado 60.940 "encontros".
De acordo com o departamento, esse número é menor do que os registrados em qualquer ano fiscal anterior até o momento e é 28% menor do que o mínimo anterior de 84.293 registrado no ano fiscal de 2012.
Frey acredita que a redução da imigração para os EUA teve um impacto maior do que as deportações na recente queda no crescimento populacional, embora não descarte a possibilidade de que isso possa mudar no futuro.
Wendy Edelberg, Stan Veuger e Tara Watson, outros especialistas da Brookings Institution, concordam com essa avaliação. Em meados de janeiro, eles publicaram uma análise sobre o impacto macroeconômico dessas políticas de imigração.
"Embora as deportações e outras partidas recebam mais atenção da mídia, a desaceleração das novas chegadas — especialmente por meio de liberdade condicional humanitária, programas para refugiados e na fronteira sudoeste — tem um efeito maior na redução dos fluxos migratórios em 2025", escreveram eles.
Mas o que essa queda no crescimento populacional dos EUA indica e quais consequências ela pode ter?
Os efeitos econômicos da imigração negativa

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A análise do Departamento do Censo constatou que os EUA estão caminhando para uma migração internacional líquida negativa, ou seja, uma situação em que mais pessoas deixam o país do que entram, algo que não acontecia desde 1971. De acordo com a análise da Brookings Institution citada, é provável que isso já tenha ocorrido em 2025.
"Estimamos que a migração líquida tenha ficado entre -295 mil e -10 mil naquele ano. Até 2026, projetamos que a migração líquida provavelmente permanecerá em território negativo. Esses números vêm com a ressalva de que as recentes reduções na transparência dos dados tornam as estimativas mais incertas", escreveram os especialistas.
O que isso significaria para a economia dos EUA? Provavelmente uma desaceleração no emprego e no crescimento.
De acordo com o estudo, o aumento da imigração observado entre 2022 e 2024 "foi acompanhado por um forte crescimento do emprego, com imigrantes fornecendo mão de obra e gerando demanda por bens e serviços".
Especialistas estimam que, durante o segundo semestre de 2025, o emprego cresceu a uma taxa mensal de 20 mil a 50 mil vagas, consistente com os fluxos migratórios, mas alertam que, em 2026, esses números podem se tornar negativos.
"A redução da imigração também tem efeitos moderados de contenção sobre o PIB e enfraquecerá o consumo em um valor estimado entre US$ 60 bilhões e US$ 110 bilhões ao longo dos dois anos", alertam.
William Frey destaca que a contínua redução da taxa de imigração resultará em uma população americana menor e mais idosa.
Este é um problema que alguns países europeus já enfrentam e que os EUA conseguiram evitar, em grande parte, graças à imigração, que é fundamental para o aumento da população jovem do país.
O especialista destaca que os censos de 2010 e 2020 registraram uma diminuição da população com menos de 18 anos nos EUA.
"A situação teria sido pior se não fossem os imigrantes e seus filhos, porque os imigrantes são mais jovens e há mais mulheres em idade reprodutiva. E isso ajuda a aumentar a taxa de natalidade", observa.
Ele explica que, embora a porcentagem de pessoas nos EUA que nasceram no exterior seja de cerca de 15%, a imigração tem um impacto significativo entre os menores de 18 anos, já que aproximadamente 28% são imigrantes ou filhos de imigrantes nascidos no país.
"Portanto, se reduzirmos a imigração, essa população jovem não só continuará a diminuir entre os menores de 18 anos, como também a população jovem em idade ativa diminuirá. E se a força de trabalho em geral estagnar em vez de crescer, isso não é nada bom para a economia americana", acrescenta.
"Algumas pessoas não gostam de ouvir isso às vezes, mas nós realmente ainda somos uma nação de imigrantes. Foi isso que nos tornou bem-sucedidos durante nossos melhores anos. Se tivermos que olhar para um futuro onde não somos mais uma nação de imigrantes, onde a população cresce ainda mais lentamente e envelhece ainda mais rápido, acho que isso não nos ajudará economicamente, nem como uma grande potência, a nos conectar bem com outras partes do mundo", diz ele.
"Temos uma economia global de jovens que estão online, tentando abrir caminho em setores e buscando oportunidades de aprendizado em todo o mundo. São os jovens que estão fazendo isso, não as pessoas mais velhas. E é por isso que precisamos de mais jovens. E se pudermos trazê-los de outros países, será muito bom", conclui.

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