Sob sua gestão, centenas de ruas foram fechadas ao tráfego de automóveis, dando lugar a pedestres ciclovias e áreas verdes. Veículos foram banidos das vias ao redor do rio Sena. Centenas de milhares de árvores foram plantadas, o trânsito de bicicletas foi estimulado e um ambicioso projeto de "cidade de 15 minutos" foi colocado em marcha.
Rua Saint-Luc, em Paris, em 2012, antes de ser transformada em área exclusiva para pedestres pela prefeita Anne Hidalgo — Foto: Reprodução/Google Street View
Rua Saint-Luc, após ser transformada em área exclusiva para pedestres durante a gestão da prefeita Anne Hidalgo em Paris — Foto: Reprodução/Google Street View
A mudança começou pelo transporte, um dos principais reesposáveis pelas emissões de gases poluentes na capital francesa.
🚗 Para isso, desde 2015, a circulação de automóveis foi reduzida à metade. Mais de 200 ruas tiveram o tráfego completamente proibido. O plano da prefeitura é continuar ampliando essas áreas e chegar até 500 vias: isso significa que, no futuro, uma em cada dez ruas na cidade vai ser exclusiva para o pedestre.
Para desestimular o uso do carro, a prefeitura também removeu dezenas de milhares de vagas antigamente disponíveis nas vias públicas da cidade. Em boa parte desses locais, foram colocadas árvores. No total, 130 mil foram plantadas ao longo da gestão Hidalgo.
❌ Outra medida foi a redução drástica da velocidade na cidade: por lá, carros só podem andar a 30km/h.
💸 Além de proibir carros, a capital francesa também passou a adotar medidas para desestimular o uso de veículos pesados, que são mais poluentes, nas ruas onde ainda se pode andar de carro. Uma das mais recentes foi o aumento do valor do estacionamento de SUVs: carros com peso igual ou superior a 1,6 tonelada pagam 18 euros por hora (cerca de R$ 100) na região central — uma taxa que pode chegar a R$ 2,4 mil por um dia inteiro.

Como Paris fez para diminuir a poluição mudando o modal do transporte?
Para substituir o carro, além da rede de metrô e ônibus, Hidalgo abriu ciclovias de forma agressiva na cidade, especialmente durante a pandemia.
O símbolo dessa mudança foi o Rio Sena, cujas margens eram parcialmente ocupadas por ruas e avenidas. Agora, elas são áreas exclusivas para pedestres.
A estratégia deu certo. O tráfego de carros caiu mais de 60% desde 2002 e o uso de bicicletas mais que triplicou, segundo dados da prefeitura. A qualidade do ar melhorou sensivelmente: segundo a prefeitura, as emissões de dióxido de carbono caíram 35%, e a presença de material particulado fino foi reduzida em 28% entre 2012 e 2022.
Já a poluição por dioxido de nitrogênio diminuiu impressionantes 40% no mesmo período.
Voie Georges Pompidou, em imagem de 2012, com carros passando pela via, antes da intervenção da prefeita Anne Hidalgo — Foto: Reprodução/Google Street View
Voie Georges Pompidou em 2024, transformada em área para pedestres, após intervenção da prefeita Anne Hidalgo — Foto: Reprodução/Google Street View
Em 2015, Hidalgo levou ao Hôtel de Ville, como assessor científico da prefeitura, o urbanista Carlos Moreno. Colombiano radicado na França, ele é o criador do conceito da "cidade de 15 minutos".
A ideia é fazer com que todos os habitantes tenham acesso à maior parte de suas necessidades — como trabalho, mercado, área verde, escola e unidades de saúde — atendidas nas suas proximidades. Idealmente, à distância de uma caminhada ou deslocamento de bicicleta de 15 minutos.
Em cidades grandes, onde nem todos os equipamentos urbanos podem estar por perto, a diretriz manda que o transporte público ajude os moradores a se deslocar rapidamente até o destino.
O conceito envolve mudar tanto o desenho do transporte da cidade quanto estimular empreendimentos de uso misto, como prédios residenciais com comércio no térreo — algo já difundido em Paris, o que facilitou a empreitada da prefeita.
Hidalgo também acumulou detratores ao longo de seus 12 anos de gestão.
Pierre Chasseray, chefe de um grupo de defesa dos motoristas, o 40 Milhões de Motoristas, disse que Hidalgo construiu um "Muro de Berlim" entre os habitantes ricos do centro de Paris e os moradores dos subúrbios, muitos dos quais dependem de carros e não têm voz nas decisões da cidade.
A cidade de Paris, de 2 milhões de habitantes, fica no centro de uma região metropolitana de 13 milhões de habitantes. Boa parte dos moradores de fora que vão à capital diariamente para trabalhar usam o sistema de trens e metrô.
Hidalgo também enfrentou publicações virais nas redes sociais com a hashtag #saccageParis, que destacam problemas urbanos — desde obras viárias intermináveis até calçadas cheias de lixo.
A dívida do município também aumentou 42% desde 2020, para cerca de 10 bilhões de euros.
Grégoire atribuiu isso à ambição excessiva de Hidalgo: "Fizemos muitas coisas ao mesmo tempo", disse ele. "Eu teria escolhido um cronograma diferente, sobretudo por razões de qualidade de implementação."
Com informações de Poliana Casemiro e da agência Reuters.

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