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Qualquer teste nuclear seria capaz de desestabilizar segurança mundial, diz chefe de agência de controle de armas nucleares

A fala do secretário-executivo da CTBTO, Robert Floyd, ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter emitido ordens para seu Departamento de Guerra retome testes com armas nucleares em meio a uma escalada de tensões com a Rússia.

"O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) proíbe todas as explosões nucleares. (...) Qualquer teste explosivo de arma nuclear, por qualquer Estado, seria prejudicial e desestabilizador para os esforços globais de não proliferação e para a paz e segurança internacionais. O sistema de monitoramento da CTBTO está pronto para detectar qualquer teste desse tipo e fornecer os dados aos Estados signatários do CTBT", afirmou Floyd em comunicado.

Floyd disse também que o mundo enfrenta um momento "complexo e desafiador", mas que é necessário trabalho conjunto contra a proliferação de armas nucleares. Ainda segundo o chefe da agência, um total de seis testes nucleares foram registrados neste século.

O CTBTO é uma organização internacional criada em 1996 para promover a implementação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT), que proíbe os testes de armas nucleares e foi assinado naquele ano por 186 países, incluindo todas as potências nucleares à época: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China —a Coreia do Norte não é signatária. O tratado, no entanto, nunca entrou em vigor.

Também nesta quinta, a China a Rússia reagiram ao anúncio de Trump. Os chineses fizeram um apelo para que os EUA não conduzam testes com armas nucleares, enquanto os russos disseram que farão o mesmo caso os americanos testem seus armamentos.

“A China espera que os Estados Unidos cumpram de forma responsável as obrigações do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares e seu compromisso com a proibição dos testes, adotem ações concretas para proteger o sistema global de desarmamento e não proliferação nuclear e mantenham o equilíbrio e a estabilidade estratégica global”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun.

Trump não citou nominalmente outros países em seu comunicado, porém a Rússia e a Coreia do Norte têm realizado testes rotineiros com armamentos capazes de carregar ogivas nucleares. A decisão do presidente americano foi histórica, porque o último teste nuclear realizado pelos EUA foi há mais de 30 anos, em 1992. Um teste nuclear poderia causar uma escalada sem precedentes e uma sequência de testes realizados por diversas nações do mundo.

Perguntado em coletiva nesta quinta sobre a decisão de Trump, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que não tem conhecimento de nenhum teste de arma nuclear. "Putin afirmou que, se qualquer potência abandonar a moratória, a Rússia também o fará", afirmou Peskov.

Os Estados Unidos e a Rússia são as duas maiores potências nucleares do mundo e têm mais de cinco mil ogivas nucleares cada, segundo dados divulgados pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) em janeiro deste ano.

A China está expandindo rapidamente seu arsenal e dobrou seu arsenal nuclear, de 300 ogivas para 600, nos últimos cinco anos, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank americano especializado em guerra. A expectativa é que o país ultrapasse as mil armas nucleares até 2030. Trump disse acreditar que o programa nuclear chinês estará parelho com o americano dentro de 5 anos.

Trump retoma testes nucleares

Trump dá entrevista a bordo do Air Force One antes de chegar à Malásia, neste sábado (25). — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

"Os Estados Unidos têm mais armas nucleares do que qualquer outro país. Isso foi alcançado, incluindo uma atualização e renovação completa das armas existentes, durante o meu primeiro mandato. Devido ao imenso poder destrutivo, ODIEI fazer isso, mas não tive escolha! A Rússia está em segundo lugar, e a China vem bem atrás, mas estará em pé de igualdade dentro de cinco anos", afirmou em uma rede social.

"Devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento da Guerra a começar a testar as nossas armas nucleares em igualdade de condições. Esse processo terá início imediatamente", concluiu.

Segundo os EUA, a China mais do que dobrou o tamanho de seu arsenal nos últimos anos. Um desfile do Dia da Vitória em setembro exibiu cinco capacidades nucleares capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias Reuters, testes como esses fornecem evidências sobre o que qualquer nova arma nuclear é capaz de fazer — e se as armas mais antigas ainda funcionam.

Além de oferecer dados técnicos, o experimento seria visto na Rússia e na China como uma afirmação deliberada do poder estratégico dos Estados Unidos.

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