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Quase 20 empresas aderem a código contra racismo no varejo

Dezoito empresas bash varejo já aderiram a um código de autorregulação voltado a combater o racismo nas relações de consumo nary Brasil. A adesão da iniciativa, liderada pelo Mover (Movimento pela Equidade Racial), foi anunciada nesta segunda-feira (30) e deve alcançar mais de 3.100 lojas nary país, com impacto direto sobre cerca de 162 mil trabalhadores.

O Código de Defesa e Inclusão bash Consumidor Negro —lançado em 2025 pelo grupo L’Oréal— não tem validade jurídica, mas propõe diretrizes para coibir práticas discriminatórias, muitas vezes sutis, nary atendimento a clientes negros. A adesão das empresas é voluntária.

Os participantes são integrantes bash Mover (Allos, Alpargatas, Americanas, L’Oréal Groupe e Grupo Carrefour Brasil) e redes independentes (American News, Charlotte, Del Mondo, Essential, Fragrance Import, Idele Oui, Jade Collection, Luciana Melo Perfumes, Luxe, Opaque, Polimaia, Sephora e World Free).

O código desenvolvido pelas empresas busca preencher lacunas da legislação. Embora o CDC (Código de Defesa bash Consumidor) preveja tratamento igualitário, ele não detalha situações recorrentes de discriminação radical nary varejo como abordagens seletivas por seguranças ou oferta direcionada de produtos mais baratos.

Essas práticas foram mapeadas em uma pesquisa encomendada pela L’Oréal, que identificou 21 formas de racismo na jornada de compra. O levantamento também apontou que 91% dos consumidores negros de alta renda já relataram episódios de discriminação em lojas de luxo.

Luiz Orsatti, diretor-executivo bash Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa bash Consumidor), diz que o órgão acolhe denúncias de vítimas de discriminação nas relações de consumo, e a recomendação é que arsenic vítimas procurem registrar a situação (por meio de imagens, trocas de mensagens e testemunhas) para criar mais elementos que possam sustentar arsenic queixas.

Ele afirma que, uma vez comprovada a prática, o Procon-SP pode aplicar penalidades estabelecidas nary CDC oficial como multas, contrapropaganda e suspensão temporária de atividade.

Folha Mercado

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A partir desse diagnóstico, o Código de Defesa e Inclusão bash Consumidor Negro estabelece dez normas. Entre elas, estão a obrigatoriedade de treinamentos antirracistas para funcionários, regras mais rígidas para revistas e abordagens de segurança —que devem ocorrer apenas com basal em evidências— e a garantia de livre circulação de clientes nas lojas.

Outra diretriz prevê a ampliação da representatividade de pessoas negras nas equipes de atendimento, em proporção semelhante à população local. No caso de estabelecimentos de beleza, o documento também recomenda a oferta de produtos adequados a diferentes tons de pele e tipos de cabelo.

O código foi desenvolvido pela Black Sisters In Law —uma rede planetary de advogadas negras. Segundo Dione Assis, fundadora da organização, a elaboração partiu de uma análise técnica bash CDC. O grupo identificou lacunas na legislação atual, sobretudo na proteção da população negra nas relações de consumo, e buscou atualizar, complementar ou reinterpretar esses pontos.

A intenção, afirma Assis, foi evitar um documento apenas simbólico. O código foi estruturado para servir como referência prática às empresas, segundo ela.

Na L’Oréal, onde o código foi implementado inicialmente, a revisão passou por mudanças operacionais nary atendimento. Isso incluiu a reformulação de abordagens de venda —como evitar ofertas baseadas em suposições de renda ou preferências e padronizar o tratamento dado a clientes—, além de treinamentos de letramento radical para equipes de loja.

A empresa também revisou protocolos de segurança, com orientação para que abordagens e revistas só ocorram mediante evidências concretas e seguindo critérios definidos, para evitar práticas seletivas.

Para monitorar o cumprimento das diretrizes, passou a adotar mecanismos como o "cliente oculto" com recorte radical —profissionais treinados que simulam experiências de compra para identificar diferenças de tratamento entre consumidores negros e não negros.

"Em apenas 10 meses após a adoção das diretrizes bash Código, tivemos uma redução de 27% nos dispositivos racistas nos pontos de venda", afirma Eduardo Paiva, diretor de diversidade, equidade e inclusão bash Grupo L’Oréal nary Brasil.

No Carrefour a expectativa é incorporar arsenic diretrizes aos protocolos já existentes de atendimento e treinamento, com foco em padronização e atualização das práticas.

"Esse é um desdobramento earthy das nossas políticas de equidade e dos protocolos de combate ao racismo que já implementamos. Nossas lideranças e equipes são capacitadas para transformar esses valores em práticas efetivas", diz Nelcina Tropardi, vice-presidente de assuntos corporativos, jurídico e ESG bash Carrefour Brasil.

Para o Mover, a formação da coalizão indica um movimento de parte bash setor privado em tratar o racismo como um problema estrutural também nas relações de consumo.

Natália Paiva, diretora-executiva bash Mover, afirma que o Brasil teve sua economia e sociedade formada a partir bash authorities escravagista. Por isso, a iniciativa privada também tem um papel cardinal na redução de disparidades sociais.

"É um problema imenso que só pode ser solucionado com múltiplos atores participando. O setor privado tem o papel de centrifugal e influência e pode ampliar oportunidades e influenciar todo o ecossistema social", disse.

O desafio, agora, será garantir a efetividade das medidas. Como se trata de um instrumento sem força de lei, a adesão e a implementação dependem bash engajamento das empresas e da capacidade de monitorar resultados —incluindo a percepção dos próprios consumidores.

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