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Repressão brutal, 1ª execução e ameaças de Trump: entenda a escalada dos protestos no Irã

▶️ Contexto: Os protestos começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. A moeda local sofreu forte desvalorização, enquanto o custo de vida aumentou.

  • A população enfrenta inflação elevada, acima de 40% ao ano.
  • Somente em 2025, a moeda local perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica.
  • O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.

💸 Crise prolongada: O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos e outros países. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

  • EUA e outros países temem que o Irã esteja enriquecendo urânio para desenvolver uma bomba nuclear.
  • Teerã nega a acusação e diz que o programa tem fins pacíficos.
  • Mesmo com essa justificativa, sanções e restrições comerciais desestimularam negócios com o país e afetaram exportações, investimentos e o sistema financeiro.
  • A situação também piorou após o conflito entre Irã e Israel, em junho de 2024. Na ocasião, forças israelenses e dos EUA atacaram alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

✊ Início das manifestações: Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram uma greve e fecharam lojas em reação à situação econômica.

  • As manifestações ganharam força na capital, Teerã, e se espalharam para outras cidades no dia seguinte, com apoio principalmente de jovens e estudantes.
  • Além das questões econômicas, os manifestantes também passaram a exigir a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei.
  • Na tentativa de conter os atos, o presidente Masoud Pezeshkian prometeu abrir um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir as demandas da população.

👉 Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.

Carros são incendiados durante protesto em Teerã, capital do Irã, no dia 8 de janeiro de 2026 — Foto: West Asia News Agency/Reuters

Ainda no fim de dezembro, o governo iraniano passou a adotar uma abordagem dupla: enquanto afirmava que as manifestações eram legítimas, forças de segurança eram usadas para reprimir os protestos.

  • Em 1º de janeiro, a mídia estatal confirmou as primeiras mortes, dizendo que três pessoas morreram durante um ataque a uma delegacia de polícia no oeste do país.
  • A situação escalou rapidamente. Organizações humanitárias relataram aumento no número de mortos, e civis começaram a ser detidos.
  • Em meio à repressão, o governo bloqueou o acesso à internet e restringiu as comunicações.

👉 Na terça-feira (13), o grupo de direitos humanos HRANA afirmou que 2.003 pessoas morreram desde o início das manifestações, sendo 1.850 manifestantes. A organização também informou que 16.784 pessoas foram detidas.

  • Paralelamente, o Irã passou a acusar os EUA e Israel de incitar a população contra o governo, especialmente os jovens.
  • Segundo Teerã, os governos americano e israelense seriam responsáveis pelas mortes.

Já nesta quarta-feira (14), um jovem que participou de atos contra o governo deve ser enforcado pelo regime, na primeira execução desde o início das manifestações. A organização Hengaw identificou o condenado como Erfan Soltani, de 26 anos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, visita uma fábrica da Ford em Dearborn, Michigan, EUA, em 13 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem dado sinais de que pode autorizar um ataque contra o Irã a qualquer momento. No sábado (10), afirmou que o país está “buscando a liberdade” e disse que o governo norte-americano “estava pronto para ajudar”.

  • Na terça-feira, Trump usou uma rede social para pedir que os iranianos continuassem protestando contra o governo. O presidente afirmou ainda que a “ajuda está a caminho”.
  • Horas depois, em entrevista, disse que os EUA adotarão “medidas muito duras” caso o Irã comece a enforcar manifestantes.

📰 Segundo o jornal The Wall Street Journal, nos bastidores, integrantes da cúpula do governo tentam convencer Trump a priorizar uma solução diplomática. Essa posição é defendida inclusive pelo vice-presidente J.D. Vance.

  • Um eventual ataque militar dos Estados Unidos teria como objetivo derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei.
  • No entanto, rivais do Irã no Oriente Médio pediram aos EUA que evitem uma operação militar.
  • Arábia Saudita, Omã e Catar alertaram a Casa Branca de que um ataque poderia afetar o mercado de petróleo e provocar instabilidade regional.
  • Mesmo assim, segundo autoridades do governo ouvidas pelo WSJ, um ataque é considerado mais provável do que improvável.

Ali Khamenei disse que não cederá a Donald Trump — Foto: Getty Images via BBC

O cenário gerou forte repercussão internacional. A Rússia condenou o que chamou de “interferência externa subversiva” na política interna do Irã e afirmou que qualquer ataque americano teria “consequências desastrosas” para o Oriente Médio e para a segurança internacional.

  • Enquanto isso, Reino Unido, França, Alemanha e Itália convocaram seus embaixadores no Irã em protesto contra a repressão às manifestações.
  • O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou acreditar que o governo iraniano cairá.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que pretende propor novas sanções contra os responsáveis pela violência contra os manifestantes.

“O crescente número de vítimas no Irã é assustador. Condeno veementemente o uso excessivo da força e a contínua restrição da liberdade”, afirmou.

“O Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, diz a nota.

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