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Saiba identificar se um CDB ainda vale a pena após Banco Master e Will Bank

Na coluna de hoje eu mostro quanto se pode ganhar, hoje, com investimento em CDB de bancos médios e o que pode acontecer com o seu dinheiro se a instituição financeira quebrar.

Quanto você ganha com CDBs de bancos médios

Atualmente, existem bancos médios oferecendo CDBs com prazo de um ano a uma rentabilidade de até 118% do CDI (o CDI é uma taxa de juros de referência das aplicações de renda fixa).

Eventualmente surgem instituições financeiras pagando um pouco mais do que isso. Mas 118% já é bastante para o momento, por isso, resolvi fazer simulações até esse limite.

As simulações de investimento em um ano consideram uma taxa Selic (taxa básica de juros da economia) de 14% em 2026. Já as projeções de cinco anos consideram uma Selic média de 13% ao ano até 2030.

Retorno do investimento em 1 ano

Em um CDB com prazo de um ano e rentabilidade de 105% do CDI, você ganharia, ao final do período, R$ 118 para cada R$ 1.000 aplicados, já descontando o Imposto de Renda.

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Isso daria uma vantagem de apenas seis reais em comparação com uma aplicação no Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto que é mais seguro do que qualquer CDB e qualquer outro investimento do país.

Já em um CDB de 110% do CDI, o ganho líquido seria de R$ 123 para cada R$ 1.000 aplicados, uma vantagem de R$ 11 em relação ao Tesouro Selic. Em um CDB de 118% do CDI, o ganho ficaria em R$ 132, ou R$ 20 a mais do que no Tesouro Selic.

Se considerarmos uma quantia maior, de R$ 100 mil, por exemplo, os ganhos ficariam em R$ 11,8 mil, R$ 12,3 mil e R$ 13,2 mil, em CDBs de 105%, 110% e 118% do CDI, respectivamente. Em comparação, o ganho do Tesouro Selic para esse valor de aporte ficaria em R$ 11,2 mil, sempre descontando o IR.

Veja, então, que, para um aporte de R$ 100 mil, o CDB de 105% teria cerca de R$ 600 a mais em ganho líquido do que o Tesouro. E o de 118% ganharia R$ 2.000 a mais, aproximadamente.

Então fica a questão: você investiria em um CDB, no lugar do Tesouro Selic, para ganhar R$ 2.000 a mais? Ou, dito de outra forma: você abriria mão de R$ 2.000 para não correr o risco do CDB?

A resposta depende de você saber qual é o risco do CDB, e já vamos falar disso.

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Retorno do investimento em 5 anos

Antes de entrarmos nos riscos do CDB, vamos ver qual seria o retorno aproximado para aplicações de cinco anos.

No Tesouro Selic, a estimativa é de um ganho líquido de 71,6% ao longo de 60 meses. Isso dá um lucro de R$ 716 para cada R$ 1.000 aplicados.

No caso de CDBs com rentabilidade de, respectivamente, 105%, 110% e 118% do CDI, o retorno para cada R$ 1.000 aplicados seria de R$ 752, R$ 788 e R$ 845. Portanto, o maior CDB aqui considerado teria uma vantagem de R$ 129 em relação ao Tesouro Selic em um período de cinco anos.

Para um investimento de R$ 100 mil, portanto, os ganhos dos respectivos CDBs seriam de R$ 75,2 mil, R$ 78,8 mil e R$ 84,5 mil, respectivamente. Assim, o terceiro CDB analisado ofereceria uma vantagem de R$ 12,9 mil em comparação com o Tesouro Selic.

O que pode acontecer com o seu dinheiro

Quando um banco quebra, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) paga aos investidores tudo o que a instituição financeira lhes devia, até o limite de R$ 250 mil por pessoa.

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Por exemplo, se você investir em um CDB, e o banco quebrar, o FGC lhe paga o valor aplicado mais os juros, desde que o total não ultrapasse R$ 250 mil.

O problema é que o cálculo dos juros é congelado no momento da liquidação do banco pelo Banco Central. No caso do Banco Master, a liquidação ocorreu no dia 18 de novembro do ano passado. Mas somente a partir desta semana (19 de janeiro), os investidores começaram a receber os valores.

Nesses dois meses entre a liquidação do banco e o pagamento, não é feita uma correção monetária do valor. Se o CDB rendia 120% do CDI, por exemplo, essa rentabilidade foi calculada até o dia 18 de novembro. De lá para cá, o rendimento foi de 0%.

Isso pode acontecer com o seu dinheiro caso você aplique em um CDB hoje e, no futuro, a instituição financeira quebre ou seja liquidada pelo Banco Central.

Quanto você ganha a menos em caso de quebra

Para estimar quanto você ganharia a menos em caso o banco que emitiu o CDB quebre ou seja liquidado, considerei dois cenários.

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No primeiro cenário, suponha que você investiu em um CDB, e o banco quebrou após exatamente um ano. No segundo, imagine que a quebra ocorreu após cinco anos. Em ambos os cenários, o FGC ressarce o seu dinheiro dois meses após a quebra, exatamente como ocorreu com o Banco Master.

No caso da quebra em um ano, para cada R$ 1.000 investidos, o CDB de 105% do CDI teria a rentabilidade reduzida para 89% do CDI. Já o de 118% do CDI cairia para 100% do CDI.

Mas, quando pensamos a longo prazo, a situação muda. Um CDB de 105% do CDI, em caso de quebra da instituição após cinco anos, teria seu retorno reduzido para 100% do CDI. Já o de 118% do CDI cairia para 113% do CDI.

Para uma aplicação de R$ 100 mil, mesmo ocorrendo a quebra do banco, o CDB de 105% do CDI ainda superaria o Tesouro Selic em R$ 339. Já o de 110% venceria em R$ 3.733, e o de 118%, em R$ 9.157.

O CDB, nesses casos, tem vantagem porque passou 60 meses rendendo acima do Tesouro e apenas dois meses sem rendimento.

Como decidir

Com os dados em mãos, cabe a cada um decidir o que prefere. Por exemplo, ao investir R$ 100 mil no Tesouro Selic, em cinco anos você teria R$ 172 mil, aproximadamente. Em um CDB de 118%, ficaria com R$ 185 mil. Você abriria mão dessa diferença de R$ 13 mil.

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Eu, particularmente, não abriria mão dessa diferença. Ainda mais sabendo que, mesmo em caso de quebra do banco e ressarcimento pelo FGC dois meses depois, meu dinheiro continuaria em vantagem na comparação com o Tesouro Selic.

Já no caso de CDBs de prazo mais curto ou com uma aplicação menor, não vejo vantagem no CDB.

Note, ainda, que o Tesouro Selic tem liquidez diária, ou seja, você pode resgatar antes do vencimento sem perdas. Já os CDBs com rentabilidade acima de 105% do CDI dificilmente têm liquidez diária.

Portanto, se você não sabe se vai poder manter o dinheiro aplicado até o vencimento, a opção do Tesouro Selic certamente é mais indicada, a não ser que o CDB tenha liquidez.

E se o FGC não der conta?

É legítimo questionar se o FGC pode acabar ficando sem dinheiro para ressarcir os investidores, em caso de quebra de um banco muito grande ou de vários bancos ao mesmo tempo.

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No entanto, mesmo se isso ocorrer, acho difícil que o governo não cubra o que o FGC não consiga pagar. Tal situação poderia gerar uma fuga geral dos investidores em relação a CDBs de bancos médios, o que traria consequências desastrosas e imprevisíveis para todo o sistema financeiro e toda a economia.

Sendo assim, acredito que o governo, não importa quem seja o presidente, jamais deixaria tais investidores na mão. Não fazer isso seria um suicídio político de qualquer governante, a meu ver.

Alguma dúvida?

Tem alguma dúvida sobre investimentos? Me siga no Instagram e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida nesta coluna.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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