Tesouro divulga hoje o Relatório Mensal da Dívida Pública de março
- O Tesouro Nacional publica hoje o Relatório Mensal da Dívida de março, com a atualização do estoque da Dívida Pública Federal. Em fevereiro, a dívida encerrou em R$ 8,84 trilhões, alta de 2,31% sobre janeiro, resultado de emissão líquida de cerca de R$ 125,8 bilhões e apropriação de juros próxima a R$ 73,9 bilhões. O prazo médio da dívida recuou de 4,03 para 4,00 anos e o custo médio em 12 meses caiu de 12,07% para 11,90% ao ano, algum alívio de custo apesar do nível elevado da Selic.
- O mercado deve prestar atenção a três pontos no relatório de março: se o estoque da dívida manteve a trajetória de alta próxima a 2% ao mês, como foi em fevereiro; o comportamento do custo médio num ambiente de Selic ainda em dois dígitos altos; e o mix de indexadores, que dialoga diretamente com o ciclo de cortes do Copom (Comitê de Política Monetária). O Tesouro tem ressaltado em seus comentários que o ambiente externo marcado por aversão a risco, com a guerra no Oriente Médio, pressiona as condições de financiamento do Brasil.
IPCA-15 de abril sai amanhã na véspera do Copom
- O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga amanhã o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de abril, a prévia da inflação do mês. Em março, o IPCA-15 ficou em 0,36%, com pressão de combustíveis e transportes: a gasolina subiu 4,59% e o diesel, 13,90% no período.
- Para abril, o mercado espera alta moderada, mas com pressão de itens sensíveis a câmbio e ao petróleo, cujos preços seguem elevados em razão da guerra no Oriente Médio. As expectativas de inflação para 2026 sobem há seis semanas consecutivas no Focus, boletim semanal do Banco Central com projeções de analistas: a mediana chegou a 4,80% na última leitura, acima do teto da meta de 4,5%.
- Os núcleos de inflação devem seguir pressionados, com serviços indexados contribuindo para manter o IPCA-15 acumulado em 12 meses em torno de 4,10%, dentro da banda da meta, mas acima do centro de 3%. Alimentação e transportes também aparecem como fontes de pressão no período de coleta, que vai do dia 16 de março ao dia 15 de abril.
Copom decide a Selic na quarta com mercado dividido
- Na reunião de março, o Copom cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, primeiro corte desde maio de 2024 e menor do que parte do mercado esperava. O gesto foi de cautela frente à guerra no Oriente Médio e ao petróleo mais caro, e o comunicado citou repetidamente os riscos do conflito, abrindo mão de sinalizar uma trajetória firme de cortes subsequentes. Para a reunião desta semana, o mercado está dividido entre um corte adicional de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 14,50% ao ano, e a manutenção em 14,75%.
- Os que apostam em manutenção citam a piora consistente nas expectativas de inflação: com o IPCA de 2026 já em 4,80% no Focus, acima do teto da meta, e o choque de commodities sem resolução clara, o Banco Central teria menos conforto para acelerar o afrouxamento. Já os que esperam novo corte argumentam que a Selic em 14,75% segue fortemente contracionista e que o comunicado de março abriu espaço para normalização gradual.
- O tom do comunicado deve ser tão relevante quanto a própria decisão. Com o Focus mostrando IPCA sistematicamente acima da meta também em 2027 e 2028, qualquer indicação sobre o ritmo dos próximos passos em junho vai pesar na curva de juros.
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Fed anuncia juros; manutenção em 3,75% é o cenário base
- O Fed anuncia sua decisão de política monetária também na quarta. Desde a manutenção da taxa em 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de janeiro, dirigentes da instituição vêm sinalizando desconforto com a persistência da inflação e a robustez do mercado de trabalho americano, consolidando a aposta de nova manutenção. O PCE (Índice de Preços de Despesas com Consumo Pessoal), medida de inflação preferida do Fed, ficou em 2,8% ao ano em janeiro, com o núcleo ainda próximo a 3,1%, acima da meta de 2%.
- A atividade americana segue relativamente robusta e o desemprego, estável, o que reduz a urgência de afrouxar mais a política monetária. O FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) deve reforçar a leitura de dependência de dados e a preocupação com a inflação mais resistente à queda do que o esperado, o que os dirigentes do próprio comitê chamam de "sticky inflation." O ponto de maior atenção é o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell.
Mercado de Trabalho: Caged e Pnad Contínua são divulgados na quinta
- O Ministério do Trabalho e Emprego divulga na quinta o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de março, com o saldo líquido de vagas formais do mês. Em março de 2025, o resultado desabou para 71,6 mil vagas, queda de 83,6% frente a fevereiro, atribuída em parte ao efeito do calendário do carnaval. Para março de 2026, a expectativa é de saldo positivo, mas sem repetir os resultados mais robustos de marços anteriores, em linha com a desaceleração da atividade num ambiente de juros ainda elevados. Serviços e construção devem liderar a composição setorial.
- Também na quinta, o IBGE publica a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua de março, com a taxa de desemprego do trimestre. O indicador vinha cedendo consistentemente: no trimestre encerrado em outubro de 2025, chegou a 5,4%, mínima histórica da série iniciada em 2012. O foco desta leitura é verificar se a política monetária restritiva começa a frear contratações ou se o mercado de trabalho segue resiliente.
PIB e PCE dos EUA fecham a semana americana
- Também na quinta, os EUA concentram dois dos indicadores mais relevantes para o Fed: a primeira leitura do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2026 e os dados de renda e gastos pessoais, que incluem o PCE de março. O mercado projeta crescimento anualizado de cerca de 2,1% no primeiro trimestre, número que seria compatível com o cenário de "soft landing", economia crescendo perto do potencial sem reacender forte pressão inflacionária. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta crescimento americano de 2,3% em 2026.
- O núcleo do PCE, em torno de 3,1% ao ano, é o ponto de tensão. Esse nível mantém pressão sobre o FOMC para não afrouxar a política monetária além do necessário, reforçando a leitura de juros elevados por período prolongado. Os dados de renda e gastos reais, divulgados junto com o PIB, indicam a saúde do consumidor americano e a sustentabilidade do crescimento no segundo trimestre.
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Veja o fechamento de dólar e Bolsa na sexta (24):
- Dólar: -0,10%, a R$ 4,998
- B3 (Ibovespa): -0,33%, aos 190.745,02 pontos.
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