O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (1º) que senador, com mandato de oito anos, "pensa que é Deus" e pode criar problemas para o Palácio de Planalto caso o governo não tenha uma base na Casa.
O mandatário reforçou em entrevista no Ceará, onde cumpre agendas nesta quarta, que o "problema" dos partidos aliados neste ano é eleger senadores e construir maiores no Congresso.
"As eleições para o Senado são muito importantes. O senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado", disse Lula em entrevista à TV Cidade do Ceará.
O mandatário mantém impasse com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil - AP), sobre a indicação de ministro ao STF (Supremo Tribunal Federal) para a vaga deixada pela aposentadoria de Luis Roberto Barroso.
Na terça (31), o presidente encaminhou ao Senado a comunicação que formaliza a indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União. O anúncio do nome foi feito há mais de quatro meses, no dia 20 de novembro, mas não havia sido formalizado. A preferência de Alcolumbre era pela escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o posto.
Lula também comentou sobre a escolha do ministro Camilo Santana (Educação) de deixar o governo para uma eventual disputa das eleições deste ano.
Há possibilidade de que o chefe da pasta se dedique a apoiar a campanha de Lula ou se lance candidato ao Governo do Ceará, seu estado, no qual já ocupou a posição duas vezes.
"Não queria que ele [Camilo] tivesse saído. Mas ele tem uma pulga atrás da orelha que ele queria sair", disse Lula.
O presidente, porém, afirmou acreditar que o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), seja candidato à reeleição, a não ser que "apareça uma figura como [Donald] Trump [presidente dos Estados Unidos] aqui fazendo um desastre".
O petista ainda comentou sua relação com Ciro Gomes (PSDB), que também deve concorrer ao Governo do Ceará e apareceu na última pesquisa Datafolha à frente de Elmano nas intenções de voto.
Lula afirmou ter respeito por Ciro, que foi ministro em seu primeiro mandato na Presidência, mas caracterizou o ex-aliado como "destemperado".
"Não houve rompimento, o Ciro sonhava em ser candidato, e ele acha que fui eu que não quis que ele fosse presidente, e quem não quis foi o povo."

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