A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre o risco de perda auditiva em mais de um bilhão de jovens devido ao uso incorreto de fones de ouvido. Segundo a entidade, o hábito de escutar música em volumes elevados por longos períodos provoca danos físicos irreversíveis às células do ouvido interno. A estimativa aponta que bilhões de pessoas poderão apresentar algum grau de deficiência auditiva nas próximas décadas, o que acende um sinal de alerta para o uso diário de dispositivos como headsets e earbuds.
Hoje, protocolos internacionais de saúde recomendam limitar o volume dos aparelhos a menos de 85 decibéis e controlar o tempo de exposição. Isso porque a combinação entre intensidade sonora e duração do uso é o principal fator de risco para danos auditivos. Para esclarecer as dúvidas sobre o assunto, o TechTudo entrevistou o professor de otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna Dr. Alexandre Martins. Confira, logo abaixo, como cuidar melhor da sua saúde auditiva.
Seu fone de ouvido pode estar te deixando surdo. Veja a opinião de especialistas — Foto: Reprodução/Amazon 1. Seu fone de ouvido pode estar te deixando surdo
A perda auditiva induzida por ruído avança de forma silenciosa e progressiva. O usuário, normalmente, só percebe os primeiros sinais quando o problema já está instalado, com sintomas como dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar o volume da TV ou presença de zumbido constante. O Dr. Alexandre Martins, professor de otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que o risco principal reside na combinação entre a intensidade do som e o tempo de exposição diária.
Segundo o médico, sons elevados danificam as células ciliadas presentes na cóclea, estrutura responsável por transformar vibrações sonoras em sinais elétricos para o cérebro. Essas células não se regeneram após a lesão, o que torna a perda auditiva permanente. "Em ambientes barulhentos, como transporte público ou academias, é comum elevar o volume acima de 90 ou até 100 decibéis, níveis capazes de causar lesões em poucos minutos", explica.
O uso prolongado de fones de ouvido com sons elevados danificam as células ciliadas — Foto: Divulgação/JBL A prevenção, portanto, passa por uma mudança de comportamento digital. O especialista reforça que não é necessário abandonar o uso de fones, mas sim utilizá-los de forma consciente, respeitando limites de volume e pausas ao longo do dia.
2. Sentir dor após usar o fone de ouvido é normal?
A perda de audição em si não gera estímulos de dor. O dano nas células ciliadas é imperceptível fisicamente. No entanto, o uso prolongado de fones causa inflamações e dores intensas na estrutura externa e no canal do ouvido. O formato do aparelho dita o nível de agressão física à orelha.
Em entrevista anterior ao TechTudo, a otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília Dra. Tatiana Santos explicou que os fones intra-auriculares são mais agressivos. “Eles ficam mais próximos do tímpano, levando o som mais intenso e direto para a orelha interna”, disse a especialista. Além disso, o uso contínuo sem pausas pode gerar dores na cartilagem, mandíbula e região da têmpora.
Fones intra-auriculares são mais agressivos na audição — Foto: Reprodução/Wired Outro fator importante é a higiene: a falta de limpeza dos fones favorece o acúmulo de suor e umidade, criando um ambiente propício para bactérias e fungos. Esse cenário pode levar ao desenvolvimento de infecções como a otite externa, condição dolorosa que exige tratamento médico.
3. Fone antirruído faz mal para o ouvido?
Ao contrário do que muitos pensam, fones com cancelamento ativo de ruído (ANC) podem ser aliados da saúde auditiva. A tecnologia utiliza microfones para captar sons externos e emitir ondas invertidas que neutralizam o ruído ambiente. Na prática, isso reduz a necessidade de aumentar o volume do áudio, especialmente em locais barulhentos, o que diminui significativamente o risco de exposição sonora excessiva.
O verdadeiro risco está no comportamento oposto: desativar o cancelamento de ruído e aumentar o volume ao máximo para competir com o ambiente externo. Esse hábito acelera o desgaste das estruturas auditivas e aumenta o risco de perda auditiva ao longo do tempo.
Fones com cancelamento de ruído ajudam a evitar o aumento do volume do som — Foto: Reprodução/Philips No entanto, alguns usuários relatam sensação de pressão nos ouvidos, tontura ou enjoo ao ativar a tecnologia. Em entrevista anterior ao TechTudo, o médico do Hospital Samaritano Higienópolis Dr. Luis Gustavo Cattai Zamboni esclareceu que esse sintoma ocorre por uma confusão sensorial. O cancelamento filtra os sons graves de forma abrupta. Com isso, o cérebro humano associa essa ausência de ruído a uma mudança na pressão atmosférica e tenta compensar a falsa alteração tencionando o tímpano.
O desconforto é uma ilusão neurológica temporária e não representa um dano físico às estruturas auditivas. A prática arriscada consiste em desativar o cancelamento de ruído e aumentar o volume do celular ao máximo. Essa ação cria duas fontes de som em alta intensidade disputando espaço no canal auditivo. Assim, o mascaramento mecânico acelera o desgaste da cóclea e facilita o surgimento da surdez.
Os fones ANC podem ajudar a reduzir os danos ao ouvido durante o uso do dispositivo — Foto: Reprodução/Xiaomi 4. Como usar fone de ouvido de forma segura
A principal recomendação para uso seguro envolve controlar tanto o volume quanto o tempo de exposição. A chamada regra 60/60 é uma das mais indicadas por especialistas: utilizar o fone com até 60% do volume máximo por, no máximo, 60 minutos seguidos, com pausas em seguida. Já o limite sonoro deve ser de 80 decibéis, pois essa faixa permite um uso seguro por até duas horas diárias.
O aumento desse volume reduz drasticamente o tempo de tolerância do ouvido humano. Por exemplo, sons na faixa dos 100 decibéis esgotam a capacidade de defesa do sistema auditivo em apenas 15 minutos. Por isso, o usuário também deve realizar pausas regulares. A interrupção do som a cada 30 minutos concede tempo para a recuperação das células auditivas.
Além disso, o otorrinolaringologia Dr. Alexandre Martins contraindica o hábito de dormir com fones ligados. A reprodução contínua de áudio durante o sono expõe o ouvido a uma sobrecarga de horas sem que a pessoa perceba o excesso.
Uso constante de fone de ouvido prejudica o sistema auditivo — Foto: Reprodução/Pexels (Mikhail Nilov) A presença constante de zumbido exige uma consulta com um otorrinolaringologista. Como precaução, os médicos indicam a higienização semanal das borrachas dos fones e a realização de audiometrias periódicas para usuários diários.
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