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Show de Taylor Swift, Epstein e economia: entenda crise que derrubou o premiê com o melhor resultado nas urnas em 10 anos

Com isso, o governo de Starmer, um ex-advogado e trabalhista tradicional, durou menos de dois anos, mesmo que ele tenha sido eleito com uma rara maioria no Parlamento e em uma vitória esmagadora nas urnas sobre os rivais conservadores.

Por que, então, seu governo ruiu?

Nas eleições de 2024 no Reino Unido, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda e então liderado por Keir Starmer, conquistou mais de 410 assentos no Parlamento britânico, superando com folga o mínimo necessário para assegurar a maioria na Casa.

👉 No Reino Unido, os eleitores votam em partidos, e o que obtiver o maior número de votos ganha o controle do Parlamento e indica um nome, geralmente o líder da sigla, para ser o primeiro-ministro do país.

O resultado de 2024 foi surpreendente e raro na história recente dos regimes parlamentares na Europa, onde, na maioria dos casos, partidos vencedores não alcançam a maioria exigida para governar e tinham de buscar alianças com outras siglas para conseguir formar governo.

Não foi o caso de Starmer. Sua vitória "limpa" — ou seja, sem a necessidade de costurar pactos — foi entendida como um sinal de volta de estabilidade no conturbado cenário político do Reino Unido, que até então registrava cinco primeiro-ministros nos últimos dez anos.

Aos poucos, no entanto, a credibilidade e confiança no governo Starmer foi caindo, e ele se tornou o premiê com o pior índice de aprovação no Reino Unido em 50 anos, por uma série de fatores. Entre eles:

  • A economia do Reino Unido seguiu estagnada ao longo de seu governo, apesar das promessas do premiê trabalhista de dinamizá-la. Seu governo também cortou subsídios para idosos e aumentou impostos;
  • Logo nos primeiros meses de sua gestão, a imprensa britânica divulgou que Starmer e vários de seus ministros aceitaram presentes de doadores do Partido Trabalhista como roupas de grife, óculos de luxo e ingressos para shows, incluindo um da cantora Taylor Swift, e jogos de futebol. Embora as doações fossem declaradas e estivessem dentro das regras parlamentares, a revelação gerou desgaste na imagem austera de Stamer;
  • Em fevereiro de 2026, seu chefe de gabinete renunciou por ter indicado Peter Mandelson para embaixador nos EUA, mesmo sabendo dos vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein. O caso também abalou a credibilidade do Partido Trabalhista, e o próprio Starmer reconheceu ter errado;
  • A insatisfação com a economia e com as crises na imagem cobrou o seu preço nas urnas nas eleições regionais de maio. No pleito, o Partido Trabalhista sofreu uma derrota histórica, perdendo centenas de assentos em Parlmentos locais.

A popularidade do premiê despencou por conta de todos os episódios. Em maio, apenas 13% dos britânicos aprovavam seu governo, enquanto 79% rejeitavam sua liderança, o pior índice desde 1977.

No mês passado, Starmer chegou a ser pressionado por cerca de 100 parlamentares do próprio partido que exigiram publicamente sua saída. O premiê conseguiu se segurar por semanas, mas acabou não resistindo à pressão: renunciou após apenas 23 meses no cargo.

'Transição de poder tranquila'

22 de junho de 2026: O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fala em frente ao número 10 da Downing Street após a vitória decisiva de Andy Burnham na eleição suplementar de Makerfield na semana passada. — Foto: REUTERS/Jaimi Joy

No discurso em que anunciou sua renúncia, na manhã desta segunda, Starmer disse que conversou com o rei Charles e que deseja uma transição de poder tranquila. Também afirmou que as indicações de nomes para seu substituto devem começar no dia 9 de julho.

"Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor", declarou.

Com a saída de Starmer do poder, o Reino Unido terá seu sétimo chefe de governo em dez anos.

O premiê também comunicou à imprensa que pedirá ao comitê executivo nacional do partido que estabeleça um cronograma para a escolha de um novo líder.

O líder trabalhista disse que dará apoio total ao partido, que agora “herdará uma Grã-Bretanha mais forte e justa do que aquela que herdei há dois anos”. Em tom de despedida, agradeceu colegas, amigos e servidores públicos, e afirmou que pretende dedicar mais tempo à família:

“Quero ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa e o melhor pai para meus lindos filhos, que são meu orgulho. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para nos conduzir à próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade.”

A vitória reacendeu a esperança entre parlamentares trabalhistas de que Burnham, conhecido por suas habilidades de comunicação, possa revitalizar o partido, que perdeu apoio sob a liderança de Starmer.

Como será escolhido o sucessor?

Qualquer candidato que deseje substituir Starmer precisaria garantir o apoio de 20% dos membros trabalhistas do parlamento. Como o Partido Trabalhista detém atualmente 403 cadeiras, isso equivale a 81 parlamentares, incluindo o desafiante.

Os candidatos também devem atingir determinados níveis de apoio das organizações de base do Partido Trabalhista e de organizações afiliadas, como sindicatos.

Se apenas um candidato atingir o limite de apoio necessário, não há votação: o candidato é eleito sem oposição como líder do Partido Trabalhista e torna-se primeiro-ministro.

Caso haja mais de um candidato qualificado, o vencedor será decidido por votação de todos os membros e afiliados do Partido Trabalhista.

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