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Sobe para 192 número de mortos em protestos no Irã; nível de confronto com manifestantes 'se intensificou', diz polícia

O novo balanço de mortes nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei ocorre em meio a denúncias de violência policial feitas por manifestantes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que "o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou".

"Desde o início dos protestos, a Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes", afirmou a ONG com sede na Noruega. O número real de mortos pode ser muito maior, já que um corte de internet que dura dias dificulta a verificação, segundo a organização.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.

"Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters.

No sábado, Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar". A mídia norte-americana afirmou que Trump está pensando o que fazer em relação ao país do Oriente Médio: segundo o "The New York Times", ele foi informado por membros de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar, e segundo o Axios", ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.

Pezeshkian também afirmou neste domingo que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas.

País está em guerra, diz regime iraniano

Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã — Foto: TV estatal do Irã via AP

Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento se expandiu em escala e violência.

Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.

Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.

O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos.

Os EUA chamaram as acusações de “delirantes” e disseram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.

A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP.

O Irã não enfrentava um movimento dessa magnitude desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.

As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais.

Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.

Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters

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