O novo balanço das mortes nos protestos, que já duram duas semanas e se expandiram em escalara e violência nos últimos dias, é da ONG norueguesa Direitos Humanos do Irã (IHR, na sigla em inglês), uma organização baseada em Oslo que faz o levantamento com base em fontes dentro do Irã. Outras ONGs também monitoram os protestos no Irã e também têm reportado aumento das vítimas.
O número real de manifestantes mortos nos protestos, no entanto, pode ser ainda maior, e o IHR estima que pode ser maior que seis mil. Enquanto essas organizações começaram a denunciar um "massacre" contra os manifestantes no final de semana, a polícia do regime Khamenei disse que "escalou" sua resposta aos protestos. (Leia mais abaixo)
O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou no domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes".
Protesto no Irã — Foto: MAHSA / Middle East Images / AFP via Getty Images, via BBC
"Um massacre está em curso no Irã em meio a um apagão da internet", afirmou no domingo o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI, na sigla em inglês), ONG baseada nos EUA que diz estar recebendo relatos de corpos sendo amontoados em hospitais. Já a Direitos Humanos do Irã afirmou que há relatos de "assassinatos em massa" pelos policiais.
O HRANA afirmou no domingo que mais de 10.600 pessoas haviam sido presas nos protestos.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.
Pezeshkian também afirmou neste domingo que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas.
País está em guerra, diz regime iraniano
Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã — Foto: TV estatal do Irã via AP
Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento se expandiu em escala e violência.
Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.
Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.
O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos.
Os EUA chamaram as acusações de “delirantes” e disseram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.
A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP.
O Irã não enfrentava um movimento dessa magnitude desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais.
Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.
Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters

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7 horas atrás
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