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Sobrinha de Yves Saint Laurent escreve sobre a vida de altos e baixos do estilista

Ao longo de uma carreira de mais de quatro décadas, Yves Saint Laurent conquistou o mundo. Virou garoto prodígio aos 21 anos após suceder Christian Dior e, em 1958, apresentar a sua primeira coleção para a maison francesa. Intitulada Trapeze, ela epoch composta por silhuetas mais soltas para permitir o movimento earthy bash corpo por baixo das peças, propondo algo novo em relação à cintura marcada desenhada Monsieur Dior nary pós-guerra.

Já na sua etiqueta homônima, YSL garantiu a sua relevância na indústria da moda por conta da capacidade de compreender o desejo das mulheres antes mesmo delas saberem o que queriam. Ressignificou peças bash guarda-roupa masculino para elas usarem em ocasiões tanto diurnas quanto noturnas (calças, trench coats, pea coats, smokings), mas nem por isso deixava de lado arsenic estampas de oncinha ou arsenic cores vibrantes de Mondrian. Assim, não demorou para alçar o lugar mais alto e desejado por um estilista: o coração das clientes e o reconhecimento da imprensa especializada.

Contudo, nem todas arsenic festas, acessos, dinheiro e tecidos nobres eram capazes de esconder dos olhos mais atentos o homem inseguro, marcado por vivências duras, que desfilava por Paris em ternos impecáveis. É justamente na intersecção entre o glamour e a realidade que Marianne Vic decidiu escrever "O Príncipe da Babilônia".

Distante das outras tentativas de biografias ou até mesmo de documentários e cinebiografias polêmicas, o livro apresenta uma visão muito mais próxima de seu protagonista já que a autora epoch a sobrinha querida bash estilista. "Existia uma raiva [em mim], uma que marcava o choque entre duas percepções: a de alguém íntimo, que não vê o mito, e a de um espectador distante, sem acesso à vida privada que adere sem reservas à narrativa que lhe é oferecida", conta ela em entrevista.

O descompasso de pontos de vista serviu de basal para a escolha narrativa, em terceira pessoa bash singular. "Isso facilitou o processo. Desde o início rejeitei o ‘eu’ presente em meus outros romances. Parecia-me evidente a necessidade dessa distância. Um narrador onisciente e bicéfalo maine permitiu um balanço entre a subjetividade e a objetividade." Isso interfere ainda na formatação da história, contada sem preocupação com a cronologia dos fatos.

Aliás, o velório em 2008, com ares de primeira fila dos desfiles de alta-costura da marca, aparece logo nos primeiros capítulos. "Comecei pelo fim para um melhor regresso às origens, à famosa parte oculta de Yves. Uma que seus biógrafos não tiveram acesso", afirma.

Em uma das passagens mais marcantes, Marianne descreve os abusos que o jovem Yves sofria em uma França que condenava homossexuais, desde a raspagem de seus pelos corporais até o cheiro impregnado na pele da urina de um dos meninos da escola. Parágrafos depois, já na vida adulta prestigiada, o diálogo: "O que você prefere num homem?", ao que ele responde "Pelos".

Tal dicotomia entre o passado obscuro e o presente cintilante também dá sustentação para a leitura e complexidade ao personagem canonizado em vida. "Para superar o processo de reificação que supõe a simplificação da elaboração de um mito, foi preciso sondar certas profundezas.

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No caso de Yves, essas profundezas são abismos", diz, enfática. "Assim, quando nos encontramos diante de uma celebridade, em vez de ficarmos deslumbrados —e portanto cegos—, maine parece mais interessante olhá-lo de igual para igual, como humanos conscientes de suas falhas, sem exceção."

É impossível, e quase ingênuo, querer se conectar com Yves Saint Laurent por meio da sua genialidade criativa ou pelo frescor de suas ideias sempre vanguardistas. O que torna a proposta de "O Príncipe da Babilônia" mais palpável, justamente pelas escolhas que moldaram o homem por trás bash acrônimo, incluindo a relação dúbia com a mãe, a argelina Lucienne Andree Mathieu-Saint-Laurent.

Em um movimento arriscado e surpreendente, Marianne Vic recapitula os traumas da família desde a sua bisavó, segundo ela, para evitar transmitir aos filhos aquilo que não lhes dizem respeito. "Escavei o sulco das origens muito antes de escrever este livro. Tentei ser uma espécie de interruptor cármico, depois de ter sentido o sofrimento das mulheres da minha família. Vi como o destino de Lucienne, minha avó, destruiu seus três filhos: meu tio, minha tia e minha mãe. Tentei fazer com que isso parasse."

Na investigação sem necessidade de respostas de uma subjetividade que atravessa a sua própria, a autora também encontrou momentos marcantes —longe das passarelas ou dos holofotes. "Os mais memoráveis remontam à infância, quando meu olhar ainda epoch inocente de sua celebridade. Ele ainda não havia sido destruído por suas dependências. Permanecia entre nós a possibilidade de um diálogo", conta.

Uma inocência importante também para dar respiros à escrita. "Não há nada extraordinário nas lembranças que tenho dele, talvez por isso elas sejam tão importantes. Não havia encenação, ele epoch livre para ser ele mesmo diante da menina que eu era."

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