Segundo o relatório, ao emergir de seu mergulho de número 80, os tripulantes do submarino ouviram um "forte estrondo", também captada pelos sistemas de monitoramento da missão. Segundo o NTSB, o barulho foi resultado de pelo menos uma delaminação — processo em que as lâminas de um material se descolam — na estrutura do Titan.
Outras delaminações ocorreram por motivos não determinados no mergulho 82. Finalmente, no mergulho 88, o Titan sofreu uma implosão fatal enquanto tentava chegar aos destroços do Titanic, no Oceano Atlântico Norte.
Relembre 💭 O submarino Titan desapareceu no dia 18 de junho de 2023 durante uma expedição aos destroços do navio Titanic. Havia 5 pessoas no veículo, o então diretor-executivo da Oceangate, Richard Stockton Rush, um copiloto e três bilionários. Segundo a investigação, o veículo implodiu a cerca de 3.350 metros de profundidade por conta da pressão da água e todos os passageiros morreram instantaneamente. Relembre o caso aqui.
Muitas das conclusões do órgão são semelhantes às do relatório publicado pela Guarda Costeira dos EUA, em agosto. Ambos apontam falhas graves nos procedimentos da dona do equipamento, a Oceangate, que fechou as portas pouco após a tragédia.
Embora o Titan tenha completado dois mergulhos profundos subsequentes (81 e 82) após o dano inicial, ele sofreu danos adicionais de origem desconhecida após o mergulho 82 e antes do mergulho fatal (o de número 88), 11 meses depois. Esses danos adicionais deterioraram e enfraqueceram ainda mais a estrutura.
Como fatores que contribuíram para o acidente estão:
- Condições de armazenamento: O Titan foi mantido ao ar livre, descoberto, em St. John's, no Canadá, após a última expedição de 2022, submetendo-o a temperaturas congelantes, o que pode ter causado danos caso a água tenha penetrado e congelado dentro do submarino.
- Operações de reboque: Durante a expedição de 2023, o Titan foi rebocado atrás do navio de apoio (em vez de ser transportado no convés), submetendo-o a vibrações, cargas de impulso e outros episódios de perturbação ao longo de aproximadamente 4.600 em mar aberto.
Investigação da Guarda Costeira
Em agosto, a Guarda Costeria havia publicado o seu próprio relatório final sobre o incidente. Nele, concluiu-se que o Titan implodiu por ter sido projetado de forma inadequada e por "graves falhas" de protocolos de segurança da empresa Oceangate, dona do veículo.
O documento também apontou falhas nos processos de certificação, manutenção e inspeção do submarino, além de "uma cultura de trabalho tóxica na Oceangate". Veja abaixo as causas da implosão listadas pela Guarda Costeira americana:
- O design do Titan e testes conduzidos pela Oceangate não seguiram princípios básicos de engenharia para construir um casco resistente o suficiente para operar com segurança em ambientes de alta pressão;
- O casco do submarino, feito de fibra de carbono, apresentava falhas que enfraqueceram a estrutura como um todo, e cita elementos como enrolamento, cura, colagem, espessura do casco e padrões de fabricação;
- A Oceangate não investigou a fundo incidentes anteriores à expedição ao Titanic que comprometeram a integridade do casco e de outros componentes críticos do Titan, e continuou o utilizando sem realizar inspeções adequadas.
- A Oceangate não fez um estudo para determinar a vida útil do casco do Titan, e não fez manutenções preventivas durante período em que ficou fora de operação antes da expedição ao Titanic em 2023;
- A Oceangate confiou excessivamente em um sistema de monitoramento em tempo real para avaliar a condição do casco, mas não analisou adequadamente os dados fornecidos por esse sistema;
- A empresa mantinha um ambiente de trabalho tóxico, em que usava demissões de funcionários experientes e a constante ameaça de desligamento para desencorajar empregados e prestadores de serviço a levantarem preocupações sobre segurança.
O relatório divulgado nesta terça corrobora relatos de fragilidades do submarino Titan e negligência dos donos da Oceangate durante testemunhos de ex-funcionários da empresa em audiência pública em 2024. (Leia mais abaixo)
A Guarda Costeira americana relatou ainda que a Oceangate tinha uma "cultura de segurança e práticas operacionais eram gravemente falhas", com "disparidades gritantes" entre protocolos de segurança documentados e as práticas reais no dia a dia da empresa.
Algo que também contribuiu para o desastre, segundo o órgão americano, é que a Oceangate propagandeava o Titan como indestrutível —o que não era o caso— e se esforçou para que o submarino passasse longe das devidas regulamentações, o que criou "uma falsa sensação de segurança para passageiros e reguladores".
Com isso, o relatório também citou a falta de regulamentações abrangentes e eficazes para a supervisão e operação de submarinos como o Titan, além da ausência de investigação oportuna por parte de órgãos reguladores.

Veja momento em que equipe de buscas encontra destroços do submarino Titan
Falhas no Titan e incidentes anteriores à implosão
Novas imagens divulgadas de destroços do submarino Titan encontrados pelas equipes de buscas em 22 de setembro de 2023. — Foto: Guarda Costeira dos EUA
Uma audiência pública do Conselho de Investigação Marítima da Guarda Costeira dos EUA feita em setembro de 2024 revelou falhas no Titan, detalhes da implosão do submarino e incidentes anteriores ignorados pela Oceangate.
A constituição do casco do Titan, feito de fibra de carbono, é um tema visado por especialistas. O engenheiro principal da American Bureau of Shipping, Roy Thomas, disse em testemunho que apesar de ser um material forte e leve, a fibra de carbono é “suscetível a falhas por fadiga” sob pressurização repetida e a água salgada pode enfraquecer o material de várias maneiras.
Segundo autoridades da Guarda Costeira, o submarino não havia sido revisado de forma independente, como é prática comum. O cofundador da Oceangate, Guillermo Sohnlein, afirma que o Titan tinha certificações e vínculos com a Nasa e a Boeing, porém funcionários das empresas relataram participação limitada no processo de criação do Titan, por ser um submarino experimental e pela Oceangate não ter acatado recomendações.
Buracos na camada de fibra de carbono de protótipo do submarino Titan após testes de pressão da água. — Foto: Reprodução/Guarda Costeira dos EUA
Matthew McCoy, um ex-funcionário da Oceangate, relatou ter se demitido após uma conversa "tensa" em que Stockton Rush disse a ele que o submarino seria registrado nas Bahamas e lançada do Canadá para evitar a fiscalização dos EUA. Segundo McCoy, Rush lhe falou a ele que "se a Guarda Costeira se tornasse um problema, então ele compraria um congressista para resolver a questão."
Em outro depoimento, um passageiro que pagou para uma expedição ao Titanic em 2021 disse que a jornada foi abortada após o submarino começar a apresentar problemas mecânicos: "Percebemos que tudo o que ele conseguia fazer era girar em círculos, fazendo curvas à direita", disse Fred Hagen.
Negligência e ganância da Oceangate
Stockton Rush em imagem sem data publicada no site da OceanGate — Foto: Reprodução/OceanGate
O ex-diretor de engenharia da Oceangate, Tony Nissen, contou em depoimento que se negou a pilotar o submarino quando Stockton Rush o pediu porque não confiava na equipe de operações. "Não vou entrar nele", disse Nissen à época.
Nissen afirmou ter sido apressado e pressionado para colocar o Titan na água, deixando de lado preocupações sobre segurança e testes.
David Lochridge, o ex-diretor de operações, afirmou também que se sentiu usado pela Oceangate, que teria o contratado para dar lastro científico às operações da empresa.
Outros relatos também dão conta de uma necessidade da empresa de colocar o projeto em ação o mais rápido possível, muitas vezes ignorando orientações de especialistas. Um ex-funcionário disse que a empresa estava sem dinheiro, e as expedições eram a forma de renda para manter a Oceangate funcionando.
A diretora de administração da Oceangate, Amber Bay, contestou uma pergunta sobre um senso de “desespero” da empresa para completar os mergulhos devido ao alto preço cobrado — cada cliente pagava US$ 250 mil (cerca de R$ 1,36 milhões) pela experiência.
Amber insistiu que a empresa não “realizaria mergulhos que fossem arriscados apenas para atender a uma demanda.” No entanto, disse ao painel da Guarda Costeira que “definitivamente havia uma urgência em cumprir o que havíamos prometido.”
Veja profundidade em que submarino Titan implodiu em junho de 2023. — Foto: arte g1

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2 meses atrás
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