O vídeo em tom eleitoral do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para comemorar a captura pelos Estados Unidos do ditador Nicolás Maduro (Venezuela) foi bem recebido na militância bolsonarista, teve resposta da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e foi visto por aliados como um recado presidenciável.
Tarcísio está de férias e afastado do Governo de São Paulo até 11 de janeiro, mas escreveu pessoalmente o texto que gravou para suas redes sociais. Nele, fala das mazelas da ditadura no país vizinho e acusa o presidente Lula (PT) de apoiar o regime de Maduro —ele não menciona Donald Trump, porém.
"A Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença", encerra o governador, em referência à eleição presidencial de outubro deste ano.
A primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, comentou a publicação na mesma linha: "Uma grande vitória para o povo venezuelano. Que, ao fim das eleições de 2026, nós, brasileiros, também possamos comemorar!".
Apesar de ser o candidato preferido do centrão e do mercado para a Presidência da República, o governador tem dito que vai concorrer à reeleição no estado.
No início de dezembro, o senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ) atropelou o movimento pró-Tarcísio ao se lançar candidato representando o bolsonarismo e com o aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio também comemorou a ação militar americana na Venezuela e usou o episódio como munição para fustigar Lula a partir de sua proximidade com Maduro —mas não houve referência explícita à eleição brasileira como no caso de Tarcísio.
Outros governadores da direita cotados como presidenciáveis exaltaram a queda de Maduro também sem fazer relação com o futuro do Brasil. É o caso de Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Jr (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG). Tarcísio foi o último a se pronunciar publicamente.
O governador de São Paulo destoou ainda em relação a Trump, demarcando uma mudança na posição vista no tarifaço. O alinhamento de Tarcísio ao presidente dos EUA, inclusive com o uso do boné com o slogan de Trump, rendeu ao governador uma crise quando o americano anunciou a sobretaxa aos produtos brasileiros.
Em julho do ano passado, a primeira reação de Tarcísio foi de culpar Lula e eximir Bolsonaro na articulação que resultou no aumento das tarifas. Depois, mudou de tom e admitiu o impacto negativo para o estado de São Paulo. Ele também abrandou o discurso de defesa da anistia como solução para o tarifaço.
EUA x Venezuela
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Desta vez, Tarcísio evitou endossar Trump e nem sequer mencionou o presidente americano em seu vídeo. Na opinião de aliados, a exclusão não foi proposital.
O desgaste anterior foi lembrado pela ministra Gleisi ao responder ao governador nas redes.
"Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só", disse neste domingo (4).
Ao comentar a queda de Maduro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio atribui a ação americana ao que considera omissão do Brasil em liderar o processo de transição democrática na Venezuela devido ao alinhamento entre o PT e o ditador.
"O Brasil nunca fez isso, nunca cumpriu esse papel. A gente pode criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não. Mas o fato é que algo precisava ser feito e foi feito", disse.
Um interlocutor do governador afirma que vencer a esquerda é algo que já está incorporado no discurso de Tarcísio.
Em outro aceno recente ao bolsonarismo, ele divulgou um vídeo no último dia 1º em que, vestido com a camisa do Brasil, deseja feliz 2026 e prega a derrota do PT. Em uma lousa, Tarcísio resolve uma equação que termina com os dizeres feliz Ano-Novo em inglês e escreve abaixo "Feliz 2026" e "Fora PT". "A fórmula é simples! Feliz 2026 = Fora PT", publicou na legenda.
Auxiliares e aliados de Tarcísio não fizeram reparos em relação ao vídeo divulgado por ele sobre a Venezuela.
Procurados pela reportagem, disseram que a manifestação, que teve sucesso do ponto de vista do engajamento, foi presidenciável, bem executada, estratégica e mais ponderada em relação a outros bolsonaristas, que passaram a vislumbrar uma deposição de Lula nos moldes da de Maduro.
Um interlocutor diz ainda que o governador planeja a reeleição, mas vai trabalhar pela união da direita seja quem for o candidato do campo ao Planalto.
O ataque feito pelos EUA a Venezuela neste sábado (3) é considerado como a maior intervenção contra a América Latina em décadas. O governo Trump bombardeou a capital, Caracas, e capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O ditador venezuelano já desembarcou nos EUA para julgamento por narcoterrorismo e crimes relacionados a tráfico de drogas.

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