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Tem CDB do Digimais ou pensa em investir? Saiba o que fazer

E para quem tem perfil de risco, vale a pena investir nesses papéis para aproveitar as chances de um retorno alto?

Essas são as perguntas que respondo na coluna de hoje.

Quais as chances de o Digimais quebrar ou ser liquidado?

Depois da Operação Miragem, deflagrada pela PF na terça-feira (23), as chances de o Digimais ser salvo caíram muito.

O BTG chegou a assinar um acordo para comprar o Digimais em abril, mas, com as informações divulgadas pela PF de que o banco de Edir Macedo operou de forma fraudulenta, a negociação pode desmoronar de vez.

Se o BTG desistir, dificilmente o Digimais conseguirá um comprador. O Nubank já havia avaliado a possibilidade de fazê-lo, mas desistiu por conta de "riscos reputacionais e operacionais", de acordo com reportagem do Pipeline, portal do Valor Econômico. Após a Operação Miragem, a tendência é de que tais riscos se tornem ainda maiores.

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O que fazer se você tem um CDB do Digimais?

Se você tem um CDB ou outro título emitido pelo Digimais com liquidez diária, ou seja, com a possibilidade de resgatar em qualquer dia antes do vencimento sem perdas, o ideal é pedir o dinheiro de volta o quanto antes.

Já se o seu título do Digimais não tem liquidez diária, provavelmente não valerá a pena solicitar o resgate. O preço do papel no mercado secundário tende a estar muito baixo por conta do alto risco.

Sendo assim, a tendência é de que valha mais a pena segurar o papel e, em caso de liquidação ou quebra do banco, receber o ressarcimento pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

O FGC é a entidade que paga os investidores quando um banco encerra suas atividades, seja por falência ou por intervenção do Banco Central.

Pelo FGC, você receberá o valor aplicado mais os juros acumulados até o dia da liquidação. No entanto, o FGC só reembolsa até o limite de R$ 250 mil por conglomerado financeiro.

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Caso você tenha mais de R$ 250 mil em títulos do Digimais, tudo o que exceder esse valor não estará protegido pelo FGC. Se o banco quebrar, o mais provável é que você nunca mais veja a cor desse excedente.

Para não correr esse risco, a única opção é vender ao preço de mercado tudo o que exceder R$ 250 mil, assumindo o prejuízo de parte do valor por conta do baixo preço no mercado. É fazer isso ou ter chances de perder 100% da parte não protegida pelo FGC.

Vale a pena investir e assumir o risco?

Vale a pena aproveitar a alta taxa de rentabilidade dos CDBs do Digimais por conta do risco de quebra do banco?

Para responder a essa pergunta, nada melhor do que fazer as contas. No momento em que escrevo esta coluna, vejo um CDB do Digimais com vencimento em dezembro de 2026 sendo negociado a 121% do CDI no mercado secundário.

Investindo R$ 10 mil nesse título, a tendência é de que você receba R$ 10.650 na data de vencimento, em dezembro.

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Já se aplicar R$ 10 mil no Tesouro Selic, o investimento mais seguro do país, você terá R$ 545 no fim do ano, também descontando o Imposto de Renda.

Esses cálculos consideram que a taxa básica de juros, a Selic, continue no patamar atual (14,25% ao ano) pelo menos até o fim de 2026.

Ou seja, nesse cenário, você ganha R$ 113 a mais com o Digimais, se o banco não quebrar. Já se quebrar, você receberia o dinheiro pelo FGC, mas isso pode demorar meses.

Vale lembrar que, pelo FGC, a sua rentabilidade é congelada no dia da liquidação do banco. Por exemplo, se o Digimais fosse liquidado hoje, e o FGC demorasse 60 dias para pagar, o investidor não ganharia nem um centavo de juros nesses dois meses de espera.

Para você, vale a pena o risco de ter dor de cabeça com o FGC para ganhar R$ 113 a mais do que no Tesouro Direto, como no caso desse exemplo? Trata-se de um ganho de 1,13% em comparação com o valor aplicado.

Eu, particularmente, não vejo vantagem nesse tipo de risco.

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Alguma dúvida?

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Opinião

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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