O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli voou em 4 de julho de 2025 em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam documentos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo) obtidos pela Folha.
Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h daquela data, segundo informações da Anac. Um avião da Prime Aviation com prefixo PR-SAD decolou às 10h10 para Marília (SP), cidade natal do ministro, de acordo com dados do Decea.
Naquele mesmo dia, seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo haviam sido deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, que é frequentado por Toffoli e fica a 150 quilômetros de Marília. Esse deslocamento se deu, de acordo com a corte, a pedido do STF para atender a uma autoridade.
A Folha revelou em janeiro que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.
Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, foram sócios no Tayayá até o ano passado. Tinham cotas no Tayayá a Maridt Participações, que pertence ao ministro, e o fundo Arleen, de Zettel.
O avião PR-SAD é o mesmo que, segundo o cruzamento dos dados do Decea e da Anac, levou o ministro de Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões, como mostrou reportagem da Folha publicada na terça (31).
Os documentos da Anac mostram dez registros de entrada de Toffoli em 2025 no terminal executivo do aeroporto de Brasília, que recebe principalmente aeronaves particulares.
O cruzamento com os dados do Decea permite identificar o avião que teria sido utilizado pelo ministro em seis ocasiões, uma vez que não há outras decolagens e pousos em horários próximos. Em cinco desses casos, o avião pertencia a empresários.
A reportagem procurou Toffoli nesta quarta-feira (1º) mas não houve resposta.
A defesa de Daniel Vorcaro não quis se pronunciar.
A Prime Aviation é uma empresa de compartilhamento de bens de luxo mantida através do fundo de investimentos Patrimonial Blue. Até setembro passado, Vorcaro era um de seus sócios diretos. A casa ocupada por Vorcaro em Brasília pertence ao mesmo grupo empresarial.
A Prime informou que "por questões de confidencialidade dos contratos, e em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados, não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo".
Duas entradas de Toffoli no terminal executivo de Brasília se deram em horários próximos à decolagem de um avião da Petras Participações cujo prefixo é PS-RBR. A empresa tem entre seus sócios o atual dono do Tayayá, Paulo Humberto Barbosa.
O primeiro voo saiu às 10h25 do dia 17 de junho de Brasília para Ourinhos (SP), aeroporto mais próximo do Tayayá. Toffoli chegou ao terminal às 10h, segundo os registros da Anac. As diárias pagas aos seguranças do TRT de São Paulo mostram que havia um ministro do STF na região nessa data.
O segundo voo dessa aeronave decolou às 19h44 do dia 1º de outubro para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O ministro chegou ao terminal executivo do aeroporto de Brasília às 19h20.
Paulo Humberto foi procurado por mensagem de texto na tarde desta quarta-feira e não respondeu.
Os registros da Anac e do Decea também indicam que Toffoli pegou um avião do empresário Luiz Pastore em 10 de abril de 2025. O ministro entrou no terminal às 19h, e o avião prefixo PT-STU, que pertence à Ibrame, empresa de Pastore, decolou às 19h13 para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Toffoli e Pastore são amigos. Foi no avião do empresário que o ministro viajou em novembro passado para assistir à final da Copa Libertadores em Lima, no Peru. Nesse voo, também estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um dos executivos do Master.
A reportagem tentou contato com Pastore por meio de sua empresa, a Ibrame, e por mensagem de texto com seu filho.
Toffoli não é o único ministro do STF a utilizar jatinhos privados. O cruzamento de dados realizados pela Folha indicou que Moraes também voou em jatos executivos de empresas de Vorcaro.
O levantamento revelou que Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, advogada do Master, foram registrados pela Anac como passageiros do hangar de jatos executivos de Brasília sete vezes em horários próximos de voos em aviões da Prime. Em outras ocasiões, um avião pertencente a Zettel decolou logo em seguida à chegada do casal no terminal.

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