Os dois líder já sabiam, com base em relatórios de inteligência, que Khamenei e aliados próximos estavam prestes a se reunir em um complexo em Teerã. A avaliação era de que o grupo estaria vulnerável a um “ataque de decapitação” — operação voltada a eliminar a cúpula de um país.
A ligação aconteceu após novas informações indicarem que a reunião iraniana havia sido antecipada para a manhã de sábado, 28 de fevereiro, e que haveria uma janela curta para matar Khamenei. Até então, a conversa por telefone entre Trump e Netanyahu não havia sido revelada.
Segundo três fontes com conhecimento da conversa ouvidas pela Reuters, Netanyahu argumentou que talvez não surgisse outra oportunidade para matar Khamenei e também mencionou tentativas anteriores atribuídas ao Irã de assassinar Trump, incluindo um suposto plano em 2024.
Naquele momento, Trump já havia aprovado a ideia de uma operação militar contra o Irã, mas ainda não tinha decidido quando e em que condições os EUA participariam diretamente, disseram as fontes, sob anonimato.
Nas semanas anteriores, os EUA reforçaram a presença militar na região. Dentro do governo, a avaliação era de que a questão não era mais “se”, mas “quando” o ataque aconteceria. Uma data anterior chegou a ser considerada, mas foi descartada por causa de condições climáticas.
A Reuters não conseguiu determinar o peso exato dos argumentos de Netanyahu na decisão final. Mas, segundo as fontes, a ligação funcionou como um último apelo e ajudou Trump a autorizar a operação, chamada Epic Fury.
Netanyahu argumentou que Trump poderia entrar para a história ao ajudar a eliminar a liderança iraniana. Disse ainda que a população poderia reagir nas ruas e derrubar o regime teocrático no poder desde 1979.
A reportagem da Reuters indica que Netanyahu não forçou a decisão, mas atuou como um defensor influente. O argumento de eliminar um líder que, segundo os EUA, apoiou planos para matar Trump teria sido particularmente persuasivo.
As primeiras bombas caíram na manhã de 28 de fevereiro. Naquela noite, Trump anunciou que Khamenei estava morto.
A Casa Branca não comentou diretamente a ligação revelada pela Reuters, mas afirmou que o objetivo da operação era destruir a capacidade de produção de mísseis balísticos do Irã, neutralizar a Marinha iraniana, impedir o apoio a aliados regionais e garantir que o país não obtenha armas nucleares.
Na semana passada, Netanyahu negou que Israel tenha arrastado os EUA para o conflito. “Alguém realmente acha que dá para dizer ao presidente Trump o que fazer?”, afirmou. Trump também disse publicamente que a decisão foi exclusivamente dele.
No início de março, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, sugeriu que a operação também teve motivação de retaliação. “O Irã tentou matar o presidente Trump, e Trump deu a última palavra”, disse.
Ataque mirou instalações nucleares e de mísseis
Durante a campanha de 2024, Trump defendeu a política “America First” e disse que queria evitar uma guerra com o Irã. Ele afirmou que preferia negociar.
Mas, após o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano, no ano passado, passou a considerar um ataque.
Em junho de 2025, Israel bombardeou instalações nucleares e de mísseis do Irã e matou líderes iranianos. Os EUA participaram da ofensiva, que durou 12 dias. Trump afirmou que as instalações foram “obliteradas”.
Meses depois, EUA e Israel retomaram discussões sobre um novo ataque aéreo, com foco em impedir avanços no programa nuclear.
Israel também defendia a morte de Khamenei, visto como um inimigo estratégico de longa data. O líder iraniano apoiava grupos armados como o Hamas e o Hezbollah.
Inicialmente, Israel planejava agir sozinho. Mas, em dezembro, durante visita de Netanyahu à residência de Trump na Flórida, os dois discutiram uma nova ofensiva. Trump demonstrou abertura, mas ainda queria tentar negociação.
Dois eventos pesaram na decisão final:
- a operação americana que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela, sem mortes de militares dos EUA, mostrou que ações ambiciosas poderiam ter baixo custo;
- protestos em massa no Irã, reprimidos com violência, aumentaram a pressão.
Após isso, a cooperação militar entre EUA e Israel se intensificou, com reuniões secretas entre forças dos dois países.
Durante uma visita a Washington em fevereiro, Netanyahu apresentou a Trump detalhes sobre o avanço do programa de mísseis balísticos do Irã e apontou alvos considerados críticos. Ele também descreveu os riscos desse programa, incluindo a possibilidade de o Irã, no futuro, conseguir atingir o território dos Estados Unidos, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
No fim de fevereiro, autoridades americanas e diplomatas na região já consideravam muito provável que os Estados Unidos atacassem o Irã, embora os detalhes ainda fossem incertos, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Trump foi informado por integrantes do Pentágono e da inteligência sobre possíveis ganhos de um ataque bem-sucedido, incluindo a destruição significativa do programa de mísseis do Irã, de acordo com duas pessoas a par dessas reuniões que foram ouvidas pela agência.
Antes da ligação com Netanyahu, o secretário de Estado, Marco Rubio, alertou líderes do Congresso que Israel provavelmente atacaria o Irã — com ou sem apoio americano.
A avaliação por trás do alerta era de que um ataque provocaria contra-ataques iranianos contra bases militares, instalações diplomáticas dos EUA e aliados no Golfo, segundo três fontes com acesso a relatórios de inteligência. A previsão se confirmou.
Os ataques provocaram contra-ataques iranianos, mais de 2.300 mortes de civis no Irã e ao menos 13 militares americanos mortos. Houve ainda ataques a aliados dos EUA no Golfo, fechamento de rotas marítimas estratégicas e alta histórica no preço do petróleo.
Trump também foi informado de que a morte da liderança iraniana poderia abrir espaço para um governo mais disposto a negociar. Esse era um dos argumentos de Netanyahu.
A CIA, porém, avaliava o contrário: a tendência seria a substituição por uma liderança ainda mais dura.
Após a morte de Khamenei, Trump chegou a incentivar um levante popular no Irã. Até agora, isso não ocorreu. O país segue sob controle da Guarda Revolucionária. Milhões permanecem em casa.
Mojtaba Khamenei, filho do líder morto e considerado ainda mais antiamericano, foi nomeado novo líder supremo.

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