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Trump dá pistas ambíguas sobre confisco de petróleo iraniano e mudança de regime

Como falastrão contumaz, o presidente Donald Trump dá pistas ambíguas sobre as próximas etapas de sua guerra contra o Irã. Ao “Financial Times”, ele cogitou a possibilidade de capturar a ilha de Kharg, o principal terminal petrolífero do Golfo Pérsico, fonte essencial de financiamento da Guarda Revolucionária, que controla o regime.

“Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, afirmou Trump, sem esconder seu objetivo de confiscar o petróleo do Irã. A operação de tomada da ilha, segundo ele, seria extremamente fácil. "Não acho que eles (os iranianos) tenham qualquer defesa. Poderíamos conquistá-la com muita facilidade.

A outros meios de comunicação, em entrevistas coletivas improvisadas ou por meio de sua plataforma digital, o presidente americano manda outras mensagens vagas, semeando a incerteza sobre os rumos do conflito militar, que completou um mês.

Ele assegura, por exemplo, que as negociações com o regime para pôr fim à guerra estão progredindo, revelando que o Irã concordou com a maioria das exigências e permitiu a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Este gesto seria o tal presente do regime, que o presidente americano disse estar à espera durante a semana.

Os sinais otimistas enviados por Trump ocorrem ao mesmo tempo em que 3.500 fuzileiros americanos chegam ao Oriente Médio, insuflando temores de uma incursão terrestre. O “Washington Post” informou no fim de semana que o Pentágono estaria se preparando para semanas de potencial conflito terrestre, enviando cerca de 10.000 soldados ao Irã.

O “Wall Street Journal” revelou outra opção sobre a mesa do presidente: uma operação militar para extrair quase 450 quilos de urânio do Irã, de acordo com autoridades americanas, numa missão complexa e arriscada que provavelmente manteria forças americanas dentro do país por dias ou por mais tempo.

As declarações de Trump sobre o progresso das negociações foram, como tornou-se habitual desde o início da guerra, veementemente desmentidas pelo regime. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, não há negociações diretas, e as exigências dos EUA são “excessivas, irrealistas e irracionais”.

Trump sugere que houve uma mudança de regime no Irã, ao qualificá-lo como “mais razoável”. Ele tenta equiparar os assassinatos do líder supremo Ali Khamenei e de altos funcionários a um suposto colapso da estrutura de poder que vigorava no Irã até o início da guerra.

“O primeiro regime foi dizimado, destruído, todos estão mortos. O segundo regime está morto. Estamos lidando com pessoas diferentes de tudo que já vimos antes e, francamente, elas estão sendo muito razoáveis”, afirmou o presidente a repórteres que estavam a bordo do Air Force One.

Trump parece estar à procura da versão iraniana de Delcy Rodriguez, na Venezuela, e concentra atenções no presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária Islâmica, com quem mantém fortes laços, ele é conhecido como um linha-dura entre os linhas-duras. Apesar da retórica intransigente, é considerado pragmático e tem sido cotado por Washington como possível interlocutor.

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