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Trump impõe série de humilhações públicas a Netanyahu

Por Sandra Cohen

Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em 'O Globo'

Relação desgastada entre ambos é reafirmada com sugestão de presidente americano de delegar à Síria solução para o conflito com o Hezbollah.


Trump eleva tom e cobra de Israel responsabilidade no Líbano

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Se o clima entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu já estava azedo, o presidente americano tratou de piorá-lo nesta terça-feira (16), ao sugerir que o novo regime sunita da Síria poderia “dar um jeito no Hezbollah” e dar conta do recado de forma mais responsável do que ele julga que o premiê de Israel vem fazendo no Líbano.

“Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém”, afirmou Trump. “Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele (Ahmed al-Sharaa, presidente sírio) fará o trabalho.”

O presidente Donald Trump responde a uma pergunta de um repórter ao final de uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Mar-a-Lago, em 29 de dezembro de 2025, em Palm Beach, Flórida. — Foto: AP/Alex Brandon, arquivo

O premiê perde também internamente depois de fracassar na promessa de, com a guerra, traria paz aos israelenses.

O variado espectro político de Israel, incluindo os aliados do primeiro-ministro, reagiu mal ao anúncio do acordo entre EUA e Irã, firmado à revelia e sem a participação do chefe de governo.

No entender do colunista Amos Harel, especialista em assuntos militares do jornal “Haaretz”, o confronto com o Irã se configurou como o segundo pior fiasco na longa carreira do premiê, atrás do massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023.

“Encerrar a guerra nesses termos não é uma boa notícia para nenhum israelense porque o Irã parece ter saído do conflito ainda mais forte e determinado”, escreveu o colunista.

'Nossa luta não acabou', diz Netanyahu após EUA e Irã assinarem acordo de paz

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Mais uma vez, fica a sensação de looping no ciclo de tensões com o Irã. Mas a guerra serviu para minar o número de aliados de Netanyahu nos EUA, assim como a influência que ele exercia sobre o presidente americano.

Embora publicamente neguem a ruptura, ambos caminham a passos largos para uma relação, no mínimo, deteriorada, a despeito da preservação de interesses mútuos entre os dois países.

Decretar, contudo, a humilhação pública de Netanyahu ao fim de sua longeva carreira política em Israel é sempre prematura. O vago teor do memorando de entendimentos entre EUA e Irã pode dar a ele mais uma chance de sobrevivência.

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