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Trump pode estar mais próximo de um plano para encerrar guerra com o Irã?

À medida que a guerra se intensifica, cresce a preocupação dentro do governo de que Trump não tenha um plano concreto para o futuro próximo, de acordo com ex-funcionários americanos e aliados externos próximos à Casa Branca, alguns dos quais falaram sob condição de anonimato.

"Eles estão muito apreensivos porque está claro que Trump não pensou em tudo isso", disse um ex-funcionário do governo que trabalhou com Trump em seu primeiro mandato e que pediu para não ser identificado.

O Irã respondeu rejeitando a proposta de paz, o que gerou dúvidas sobre se os dois países estavam realmente envolvidos em negociações diplomáticas sérias. Os desdobramentos mais recentes são sintomáticos sobre como Trump aborda a guerra que assolou o Oriente Médio, abalou a economia global e criou uma divisão entre diferentes facções do Partido Republicano.

Autoridades da Casa Branca insistem que os EUA estão ditando o rumo dos acontecimentos no Irã. Mas a rejeição do plano de paz por Teerã ressaltou a realidade de que Trump não controla totalmente a direção do conflito.

Uma trégua entre Estados Unidos e Irã?

Uma trégua entre Estados Unidos e Irã?

"O problema para o presidente é o Estreito de Ormuz. Se ele deixá-lo nas mãos do Irã, será difícil para ele reivindicar a vitória", diz Stephen Hadley, que atuou como conselheiro de Segurança Nacional do presidente George W. Bush. A falha de Trump em "consultar outros países é um dos motivos pelos quais o governo está tendo tanta dificuldade em conseguir o apoio de aliados", acrescentou.

A incerteza em Washington em relação à próxima fase da guerra aumentou na quarta-feira, com a divulgação de novos detalhes sobre o plano de paz proposto pelo governo.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, seguiu o mesmo tom confiante da Casa Branca ao dizer a repórteres que acredita que os EUA estão "concluindo" a operação militar. "E acho que isso será feito em breve."

Alguns de seus colegas republicanos, no entanto, manifestaram publicamente sua preocupação com a notícia de que Trump havia ordenado o envio de mais de mil paraquedistas para o Irã. A congressista Nancy Mace, da Carolina do Sul, criticou o envio de tropas após autoridades de defesa realizarem uma reunião a portas fechadas.

"Acabei de sair de uma reunião informativa do Comitê de Serviços Armados da Câmara sobre o Irã. Deixe-me repetir: não apoiarei tropas em solo iraniano, ainda mais depois desta reunião", escreveu Mace em uma postagem no X.

A reação discreta à proposta de paz dos EUA entre os republicanos no Congresso ressaltou ainda mais a ansiedade que muitos no partido sentem em relação à guerra, às vésperas de uma difícil eleição de meio de mandato.

O plano de paz de 15 pontos

Segundo alguns relatos, o plano de paz dos EUA inclui exigências para que o Irã abandone seu programa nuclear, limite seus mísseis balísticos e permita a reabertura do Estreito de Ormuz, entre outras condições.

Parece semelhante às propostas de paz que os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner — que lideram os esforços com o Irã — usaram nas negociações de paz em Gaza e na Ucrânia. Esses planos também incluíam propostas com vários pontos que foram posteriormente alteradas à medida que as negociações evoluíam.

Mas mesmo antes de o Irã responder, especialistas do Oriente Médio alertaram que as exigências seriam vistas como inaceitáveis ​​pelo regime em Teerã. Acredita-se que o regime está desconfiado dos esforços dos EUA para negociar depois que o governo suspendeu as negociações sobre o programa nuclear do Irã no mês passado, antes de iniciar a guerra dias depois.

Quando a resposta iraniana chegou, ficou claro que Teerã acredita ter tanto ou até mais controle sobre o rumo da guerra do que os EUA, apesar da insistência de Trump de que os EUA já venceram.

Um funcionário iraniano, citado anonimamente na TV estatal, descartou o plano e disse que Teerã tinha suas próprias exigências para um acordo de cessar-fogo.

"O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas", disse o funcionário.

À TV estatal, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na quarta-feira que não havia negociações em andamento entre os dois países. Araghchi também afirmou que o Irã não planejava abrir o Estreito de Ormuz para navios ocidentais aliados aos EUA.

"Não há razão para permitir a passagem de navios de nossos inimigos e seus aliados", disse ele.

A Casa Branca pode estar apostando que o envio de tropas terrestres ao Irã vai pressionar o regime a reabrir o Estreito de Ormuz e, eventualmente, levá-lo à rendição completa. Mas não está claro como um destacamento limitado de tropas por elementos da 82ª Divisão Aerotransportada impactará o estreito ou mudará o curso mais amplo do conflito.

"O envio de tropas terrestres daria aos EUA uma grande vantagem e um melhor controle sobre" o Estreito de Ormuz, disse Miad Maleki, ex-funcionário do Departamento do Tesouro que ajudou a supervisionar a implementação das sanções americanas ao setor petrolífero iraniano. Mas "isso representará uma ameaça maior às nossas forças, então esse é um risco que estaríamos correndo."

A escalada da guerra com o envio de tropas terrestres é mais uma prova de que o governo "não tem uma estratégia articulada" para a guerra, disse Jason Campbell, ex-funcionário da defesa dos EUA durante o governo Obama e do primeiro mandato de Trump.

"O que estamos vendo aqui não é o resultado de um plano elaborado com objetivos claros", disse ele. "Parece mais um jogo improvisado de 'quais unidades estão disponíveis para mim agora?'"
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