À medida que a guerra se intensifica, cresce a preocupação dentro do governo de que Trump não tenha um plano concreto para o futuro próximo, de acordo com ex-funcionários americanos e aliados externos próximos à Casa Branca, alguns dos quais falaram sob condição de anonimato.
O Irã respondeu rejeitando a proposta de paz, o que gerou dúvidas sobre se os dois países estavam realmente envolvidos em negociações diplomáticas sérias. Os desdobramentos mais recentes são sintomáticos sobre como Trump aborda a guerra que assolou o Oriente Médio, abalou a economia global e criou uma divisão entre diferentes facções do Partido Republicano.
Autoridades da Casa Branca insistem que os EUA estão ditando o rumo dos acontecimentos no Irã. Mas a rejeição do plano de paz por Teerã ressaltou a realidade de que Trump não controla totalmente a direção do conflito.

Uma trégua entre Estados Unidos e Irã?
A incerteza em Washington em relação à próxima fase da guerra aumentou na quarta-feira, com a divulgação de novos detalhes sobre o plano de paz proposto pelo governo.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, seguiu o mesmo tom confiante da Casa Branca ao dizer a repórteres que acredita que os EUA estão "concluindo" a operação militar. "E acho que isso será feito em breve."
Alguns de seus colegas republicanos, no entanto, manifestaram publicamente sua preocupação com a notícia de que Trump havia ordenado o envio de mais de mil paraquedistas para o Irã. A congressista Nancy Mace, da Carolina do Sul, criticou o envio de tropas após autoridades de defesa realizarem uma reunião a portas fechadas.
A reação discreta à proposta de paz dos EUA entre os republicanos no Congresso ressaltou ainda mais a ansiedade que muitos no partido sentem em relação à guerra, às vésperas de uma difícil eleição de meio de mandato.
O plano de paz de 15 pontos
Segundo alguns relatos, o plano de paz dos EUA inclui exigências para que o Irã abandone seu programa nuclear, limite seus mísseis balísticos e permita a reabertura do Estreito de Ormuz, entre outras condições.
Parece semelhante às propostas de paz que os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner — que lideram os esforços com o Irã — usaram nas negociações de paz em Gaza e na Ucrânia. Esses planos também incluíam propostas com vários pontos que foram posteriormente alteradas à medida que as negociações evoluíam.
Mas mesmo antes de o Irã responder, especialistas do Oriente Médio alertaram que as exigências seriam vistas como inaceitáveis pelo regime em Teerã. Acredita-se que o regime está desconfiado dos esforços dos EUA para negociar depois que o governo suspendeu as negociações sobre o programa nuclear do Irã no mês passado, antes de iniciar a guerra dias depois.
Quando a resposta iraniana chegou, ficou claro que Teerã acredita ter tanto ou até mais controle sobre o rumo da guerra do que os EUA, apesar da insistência de Trump de que os EUA já venceram.
Um funcionário iraniano, citado anonimamente na TV estatal, descartou o plano e disse que Teerã tinha suas próprias exigências para um acordo de cessar-fogo.
À TV estatal, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na quarta-feira que não havia negociações em andamento entre os dois países. Araghchi também afirmou que o Irã não planejava abrir o Estreito de Ormuz para navios ocidentais aliados aos EUA.
A Casa Branca pode estar apostando que o envio de tropas terrestres ao Irã vai pressionar o regime a reabrir o Estreito de Ormuz e, eventualmente, levá-lo à rendição completa. Mas não está claro como um destacamento limitado de tropas por elementos da 82ª Divisão Aerotransportada impactará o estreito ou mudará o curso mais amplo do conflito.
A escalada da guerra com o envio de tropas terrestres é mais uma prova de que o governo "não tem uma estratégia articulada" para a guerra, disse Jason Campbell, ex-funcionário da defesa dos EUA durante o governo Obama e do primeiro mandato de Trump.

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