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Trump volta a Davos e desafia regras da ordem internacional

Além do comércio, o discurso deve tocar em temas sensíveis para o sistema financeiro global. O embate público de Trump com o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Jerome Powell, que é alvo de ameaças de acusação criminal, gerou reações inéditas de banqueiros centrais em defesa da independência dos bancos centrais. Em Davos, esse episódio deve alimentar debates sobre previsibilidade institucional e confiança dos mercados.

A agenda geopolítica também pesa sobre as expectativas. A guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza, a situação do Irã e os desdobramentos na Venezuela devem dominar conversas formais e informais. Há ainda atenção redobrada às ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, o que reacendeu temores entre aliados europeus e colocou a Otan sob tensão.

Apesar do caráter global do fórum, aliados de Trump admitem que parte relevante de sua mensagem será voltada ao público doméstico. Com eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro, o presidente enfrenta desgaste interno, especialmente por causa do custo de vida e da crise de acessibilidade à moradia nos Estados Unidos. A Casa Branca sinaliza que Trump pode anunciar em Davos medidas para facilitar o financiamento imobiliário, incluindo o uso de contas de poupança para a aposentadoria para pagar a entrada de um imóvel.

O próprio Fórum Econômico Mundial atravessa um momento decisivo. Após 55 anos, a instituição lida com questionamentos internos e com a maior crise do multilateralismo desde a Segunda Guerra Mundial. O tema escolhido para 2026, "Um espírito de diálogo", contrasta com o ambiente de polarização e com a postura confrontacional do presidente americano. "O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza; é uma necessidade urgente", afirmou Borge Brende, presidente e CEO do fórum, ao apresentar a edição deste ano.

Num momento crítico para a cooperação internacional - marcado por profundas transformações geoeconômicas e tecnológicas -, a reunião deste ano será uma das mais importantes.
Borge Brende, presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial

Protestos também estão previstos nos arredores de Davos, com manifestantes denunciando a concentração de poder econômico e criticando Trump como símbolo do capitalismo global. Ainda assim, a expectativa é que o discurso do presidente domine o noticiário e dê o tom do encontro.

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