Trenós puxados por cachorros são típicos de regiões cobertas por gelo e são um importante modo de locomoção, não de defesa militar, como Trump sugeriu.
A fala de Trump se soma às diversas ameaças e sugestões de que ele irá anexar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. O presidente norte-americano sugeriu na semana passada que estaria disposto a sacrificar a Otan, da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte, para que a ilha do Ártico se torne parte dos EUA. (Leia mais abaixo)
Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan pela Groenlândia
O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Trump disse na semana passada ao jornal norte-americano "The New York Times" que quer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que "não precisa" do direito internacional.
A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha —faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida.
Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional.
Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca
Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia — Foto: Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.
Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.
“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano.
Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.
Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.
Foco em 'verdadeiras ameaças'
O senador republicano Thom Tillis criticou as declarações do presidente, em nota conjunta com a democrata Jeanne Shaheen, principal representante do partido no Comitê de Relações Exteriores do Senado.
"Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca", declararam os políticos.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reforçou que a ilha não está à venda e que somente os seus 57 mil habitantes podem decidir o futuro do território. A Groenlândia tem status semiautônomo, mas permanece sob soberania da Dinamarca.
Na segunda-feira (7), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque militar de um país da Otan contra outro colocaria em risco a aliança e o sistema de segurança criado após a Segunda Guerra Mundial.
A Dinamarca é membro fundador da Otan e aliada histórica dos Estados Unidos. O país participou do envio de tropas para apoiar a invasão americana ao Iraque, em 2003.
Trump, por sua vez, tem feito críticas à Otan. O presidente afirmou que a aliança beneficia países menores às custas da segurança americana.
"Sempre estaremos ao lado da Otan, embora eles não estejam ao nosso lado", publicou o presidente na rede Truth Social.

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