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Um mês após eleição presidencial, Peru finalmente conhece candidatos que disputarão o 2º turno

O esquerdista Roberto Sánchez vai disputar a presidência do Peru com a direitista Keiko Fujimori após garantir, por margem mínima, vaga no segundo turno das eleições. Com 99,94% das atas eleitorais revisadas, o resultado foi considerado irreversível, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) divulgados nesta quarta-feira (13).

Sánchez obteve 12% dos votos, contra 11,9% do candidato de extrema direita Rafael López Aliaga na votação de 12 de abril. A diferença foi de apenas 18.799 votos. Já Keiko teve 17,1% dos votos e já estava garantida no 2º turno.

A apuração avançou lentamente em meio a contestações de atas eleitorais.

"Estamos preparados para os desafios que nosso povo colocar", afirmou Sánchez a jornalistas após a confirmação da vantagem.

O partido Renovação Popular, de López Aliaga, voltou a pedir que os resultados não sejam proclamados até a conclusão de todas as revisões pendentes.

Para o cientista político Fernando Tuesta, porém, não há mais espaço para mudanças. "O Júri Nacional de Eleições já não pode fazer nada", disse à AFP.

Sánchez e Fujimori disputarão o segundo turno em 7 de junho, em meio a uma crise política prolongada. O país teve oito presidentes desde 2016, a maioria destituída ou forçada a renunciar em meio a escândalos de corrupção.

Keiko Fujimori (à esquerda) e Roberto Sánchez (à direita). — Foto: Stifs Paucca e Angela Ponce / Reuters

O Peru também enfrenta uma crise de segurança com o avanço do crime organizado. O cenário atual lembra o segundo turno de 2021, marcado por forte polarização. Na ocasião, Fujimori perdeu por margem estreita para o esquerdista Pedro Castillo.

Agora, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori enfrenta Sánchez, ex-ministro do governo de Castillo, que foi destituído e preso. Será a quarta tentativa de Fujimori de chegar à presidência. Sánchez, de 57 anos, disputa o cargo pela primeira vez.

No primeiro turno, atrasos na distribuição de material eleitoral impediram mais de 50 mil pessoas de votar, o que levou à extensão da votação por um dia.

A missão de observação da União Europeia apontou "graves deficiências", mas disse não ter encontrado provas de fraude.

Mesmo assim, López Aliaga segue denunciando irregularidades no processo.

Acusação do Ministério Público

O candidato à Presidência do Peru Roberto Sánchez durante entrevista à agência de notícias Reuters no dia 10 de abril de 2026 — Foto: Angela Ponce/Reuters

Sánchez inicia a campanha do segundo turno sob investigação.

O Ministério Público pediu cinco anos e quatro meses de prisão por suposto crime eleitoral. A acusação envolve a declaração de informações falsas sobre contribuições de campanha entre 2018 e 2020.

Segundo documento divulgado pela imprensa local e confirmado pela promotoria, foram identificadas inconsistências nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru.

"A Roberto Sánchez é atribuída a autoria dos crimes de falsa declaração em procedimento administrativo e falsificação de informações sobre contribuições", afirma a acusação.

De acordo com o Ministério Público, o candidato teria recebido mais de US$ 57 mil (cerca de R$ 280 mil) em contribuições que não foram declaradas à ONPE.

O caso foi apresentado à Justiça em janeiro de 2026, mas acabou parcialmente rejeitado. Os promotores foram orientados a reformular a denúncia.

Uma audiência está marcada para 27 de maio. A Justiça decidirá se o processo seguirá para julgamento ou será arquivado.

Sánchez nega irregularidades. "Durante anos tentaram sustentar uma mentira para me desacreditar politicamente", afirmou nasredes sociais.

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