Nenhuma das duas partes divulgou, oficialmente, o conteúdo do novo acordo. No entanto, a imprensa norte-americana e a iraniana publicaram alguns pontos com base em fontes dos dois governos.
A rede de TV CNN Internacional afirmou, com base em fontes do regime iraniano, que o memorando prevê que:
- Haja um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
- O Estreito do Ormuz seja reaberto imediatamente. O Irã não cobre taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
- Os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
- Sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
- O Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.
A agência de notícias Reuters ouviu de uma fonte do governo norte-americano que o acordo prevê que:
- O Estreito de Ormuz será reaberto;
- O programa nuclear iraniano será desmantelado;
- O Irã não receberá dinheiro de seus ativos congelados pelas sanções até que cumpra sua parte do acordo.
Já a imprensa estatal iraniana divulgou nesta sexta-feira (12) que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência de notícias iraniana Mehr diz o memorando de entendimento entre os dois países deve:
- Suspender as sanções dos EUA sobre o Irã;
- Retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país;
- Levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz;
- Interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.
Nesta sexta, o presidente norte-americano disse que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos e criticou o Irã por passar informações aos meios. Horas após anunciar ter chegado a um acordo com Teerã, Trump chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar".
➡️ Na quinta-feira (11), Trump anunciou que, após dois dias de bombardeios mútuos, EUA e Irã haviam chegado a um consenso e deveriam assinar um acordo de paz ainda neste fim de semana na Europa. O Irã respondeu que ainda não havia batido o martelo para um acordo.
Quase um mês depois da declaração de cessar-fogo, EUA e Irã voltaram a entrar em combate na região do Estreito de Ormuz nesta semana. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio Trump na quinta-feira (12). Após anunciar uma terceira noite de ataques ao território iraniano e dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do país, Trump cancelou a ofensiva e afirmou ter decidido pelo cancelamento após negociadores chegarem a um consenso sobre "pontos finais" da proposta.
O presidente norte-americano disse que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana". A assinatura "provavelmente" ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump.
Trump disse que o "memorando de entendimento" já foi aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive o líder supremo do país, e que é um ótimo acordo, "pois o Irã jamais terá uma arma nuclear".
Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que o país ainda não aprovou nenhum acordo. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars.

EUA e Irã retomam ataques no Golfo Pérsico
As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo.
A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar.
Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico.
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor "sem sentido".

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