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Anistia, big techs e Magnitsky; veja glossário com principais tópicos da política em 2025

A política brasileira em 2025 foi marcada por crises entre os Poderes, mudança nas chefias da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF (Supremo Tribunal Federal) e o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e de outros envolvidos em ações da trama golpista.

Entre outros temas de grande repercussão estão o tarifaço imposto ao Brasil pelo governo Donald Trump, o esquema de venda de decisões judiciais em gabinetes do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a regulação das big techs e das redes sociais.

O ano também foi marcado por investigações sobre emendas parlamentares, penduricalhos, reforma do sistema eleitoral e a blindagem a autoridades brasileiras.

Confira alguns dos principais termos, personagens e temas da política brasileira de 2025:

Abin paralela

Como foi chamada a estrutura utilizada na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para monitorar jornalistas e opositores de Jair Bolsonaro (PL) durante o mandato do político, além de produzir desinformação e blindar os filhos do ex-presidente. A agência era chefiada por Alexandre Ramagem, indiciado pela estrutura de monitoramento.

Alexandre de Moraes

Ministro do STF e personagem principal nos processos da trama golpista, sendo o relator dos casos. Segue como o principal alvo dos bolsonaristas e da ofensiva de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto ao governo dos Estados Unidos. Foi sancionado, com sua esposa, com a Lei Magnitsky em julho, e teve as punições retiradas em dezembro.

Alexandre Ramagem

Deputado federal e ex-diretor-geral da Abin. Foi condenado a 16 anos e um mês de reclusão no julgamento do núcleo crucial da trama golpista para manter Bolsonaro no poder após a derrota de 2022. Ramagem fugiu para os Estados Unidos às vésperas do cumprimento de sentença, e foi cassado pela Câmara dos Deputados.

Andreson de Oliveira Gonçalves

Lobista e principal alvo da Operação Sisammes, em andamento para investigar a venda de decisões judiciais no STJ e em outros tribunais brasileiros, além de vazamento de operações policiais e informações sigilosas. Ele é suspeito de ser o operador da venda de determinações em gabinetes do tribunal superior, e está preso desde novembro.

Anistia

Tema caro aos bolsonaristas desde o avanço do cerco judicial ao ex-presidente da República, com resistências entre o centrão. A proposta visava evitar punições a envolvidos em quaisquer atos antidemocráticos antes, durante e depois da eleição de 2022, e chegou a prever a elegibilidade de Bolsonaro, mas não avançou.

Banco Master

Instituição financeira liquidada pelo Banco Central após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Daniel Vorcaro, dono do banco, possui relações com uma série de políticos e magistrados, e tentou vender a empresa para o BRB (Banco de Brasília). A operação, negada pelo BC, agora gera desgaste ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Vorcaro foi preso e, depois, mantido em regime domiciliar. O ministro do Supremo Dias Toffoli remeteu o caso à corte e paralisou as investigações, agora retomadas. A decisão ganhou maior repercussão após Toffoli viajar a Lima ao lado de advogado que representa o banco. O escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, advoga pela instituição financeira.

Big techs

Termo em inglês para classificar as gigantes de tecnologia, como Google, Meta e Apple. Neste ano, o STF considerou inconstitucional artigo do Marco Civil da Internet e determinou a responsabilidade destas empresas pelo conteúdo publicado em suas plataformas.

Carla Zambelli

Ex-deputada federal e figura de destaque no bolsonarismo. Foi condenada a dez anos de prisão por invadir, junto ao hacker Walter Delgatti Neto, os sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e por perseguição armada a homem na véspera da eleição de 2022. Fugiu para a Itália e está presa no país, aguardando extradição. Teve cassação negada pela Câmara, mas reiterada pela Suprema Corte.

Cartão de vacina

Inquérito da Polícia Federal que investigava suposta fraude em cartões de vacinação da Covid-19 do ex-presidente e família. A corporação indiciou Bolsonaro no caso, mas Alexandre de Moraes acolheu pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e arquivou a apuração. O argumento é de ausência de provas para justificar a responsabilização dos suspeitos.

COP30

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas deste ano, sediada em Belém. O presidente Lula (PT) atuou para ganhar protagonismo na pauta ambiental diante da visibilidade global do evento. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), organizou evento sobre a agenda verde do estado em reação ao petista, tentando mostrar a "cara verde" do bolsonarismo.

Crise do Pix

Série de desinformações após norma editada pelo Ministério da Fazenda estendendo a fiscalização de operações para pessoas físicas que movimentassem a partir de R$ 5.000. A norma foi alvo de boatos, que citavam uma possível taxação do Pix. Estes boatos foram amplificados por bolsonaristas, especialmente por Nikolas Ferreira (PL-MG). O governo recuou da fiscalização, e a crise derrubou a avaliação de Lula.

Davi Alcolumbre

Presidente do Senado e do Congresso Nacional desde fevereiro. Tem sido um dos principais interlocutores do Legislativo com o governo federal, que o vê como aliado. Crise recente entre o senador e o Palácio do Planalto envolveu a indicação de Jorge Messias para vaga no STF —Alcolumbre queria a nomeação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos desde janeiro deste ano. Ele decretou uma sobretaxa de 40%, adicionados aos 10% de tarifas a produtos brasileiros. A decisão ocorreu após esforço de Eduardo Bolsonaro para convencer as autoridades americanas de que havia uma perseguição política a Jair Bolsonaro. A Casa Branca também incluiu Moraes e a esposa na lista de punidos pela Lei Magnitsky.

Trump se encontrou com Lula pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU e, depois, na Malásia. Desde então tem demonstrado afeição ao líder brasileiro. Após negociações entre os dois governos, as tarifas foram removidas de vários produtos e as sanções contra Moraes foram suspensas.

Dosimetria

Termo jurídico utilizado para definir a pena de um réu condenado em ação criminal. A palavra tem sido utilizada para se referir ao projeto que busca reduzir penas dos condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, o que beneficiaria o ex-presidente Bolsonaro. O projeto foi aprovado na Câmara, mas enfrenta resistências no Senado e pode ser reavaliado.

Edson Fachin

Ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente da corte desde setembro. O magistrado afirmou, em discurso de posse, empreender esforços para uma autocontenção do tribunal. Também como chefe do Conselho Nacional de Justiça, organiza um código de ética para os magistrados de todo o país e para o Supremo.

Eduardo Bolsonaro

Deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele pediu licença do mandato na Câmara para morar nos Estados Unidos e fazer lobby para punições a autoridades brasileiras e ao Supremo, visando livrar o pai do cerco judicial que se encontra.

Apesar do tarifaço e da punição a Moraes, as ações penais seguiram em frente e Bolsonaro foi preso. A interlocução para punir o país também rendeu-lhe uma denúncia por coação no curso do processo, da qual ele é réu no STF.

Emendas parlamentares

Verbas públicas no Orçamento apontadas por deputados federais e senadores, em geral utilizadas como moeda de troca entre o Executivo e o Legislativo. Nos últimos 10 anos, tem se tornado cada vez mais impositivas: o governo é obrigado a pagá-las, sem negociação com o congressista.

Este tipo de empenho de dinheiro tem sido alvo de investigações e decisões da Suprema Corte brasileira diante da falta de transparência, de desvios de finalidade e de denúncias de corrupção. O tema tem causado atritos entre Congresso Nacional e Judiciário.

Flávio Bolsonaro

Senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois da prisão do pai, foi oficializado pela família como pré-candidato à Presidência da República, mas sofre pressões do centrão e de partidos na direita por sua desistência —eles querem que Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorra ao Planalto. Ele disse à Folha que apenas o pai solto e candidato o faria deixar a campanha.

Hugo Motta

Deputado federal e atual presidente da Câmara dos Deputados. Foi eleito para a chefia da Casa com apoio do PL ao PT, e agora tem dificuldades em agradar ambos os lados. Ao não pautar a anistia, teve sua cadeira ocupada por deputados bolsonaristas. Glauber Braga (PSOL-RJ) também obstruiu a Mesa Diretora da Casa após ter a cassação pautada, e foi removido à força pela polícia legislativa.

Pautou na Câmara a PEC da Blindagem, que foi rejeitada no Senado após grandes manifestações. Criou uma briga com o STF após colocar em votação a cassação de Carla Zambelli. Por fim, o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) ainda chamou a condução da Casa de "uma esculhambação".

Impeachment

Processo que visa destituir autoridades, como presidentes da República, ministros de Estado e membros do STF em caso de crimes de responsabilidade. O assunto entrou em voga após decisão de Gilmar Mendes, magistrado do Supremo, tornando parte da Lei do Impeachment de 1950 inconstitucional, blindando a corte.

Ele permitiu que apenas o procurador-geral da República protocole pedido de impedimento de ministros do tribunal. Senadores reagiram com a discussão de uma nova lei sobre o tema no final do ano, e Gilmar reverteu a medida.

Imposto de Renda

Alíquota cobrada pelo Executivo federal sobre o recebimento de proventos e rendimentos. O Congresso aprovou e Lula sancionou a isenção deste imposto para quem ganha até R$ 5.000, e cobrança progressiva entre os com R$ 5.001 e R$ 7.350. O tema é uma das principais apostas dos petistas para a eleição de 2026, quando o presidente buscará um quarto mandato.

INSS

Instituto Nacional do Seguro Social, que gerencia auxílios e aposentadorias. O órgão é motivo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, investigando descontos indevidos na folha de aposentados e pensionistas por associações e outras organizações não fiscalizadas. Enquanto a oposição tentava associar Lula ao escândalo, o governo afirmou que a maioria dos descontos investigados ocorreu sob Bolsonaro.

IOF

Imposto sobre Operações Financeiras, alíquota cobrada pelo governo para regular o câmbio e a entrada e saída de moeda do país. O governo tentou aumentar a alíquota deste imposto em maio, com forte resistência do Legislativo, para aumentar a arrecadação do ano e cumprir as metas do arcabouço fiscal. O ato gerou uma crise com o Congresso e empresários, e a Câmara derrubou os decretos.

Jair Bolsonaro

Ex-presidente da República. O ano para Bolsonaro envolveu a conclusão das ações da trama golpista de 2022. Ele foi condenado em setembro a 27 anos e três meses de prisão por, segundo a Procuradoria-Geral da República, liderar uma tentativa de ruptura institucional para manter-se no poder.

Estava em prisão domiciliar até novembro, quando foi preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após violar a tornozeleira eletrônica. Apesar de não ter sido denunciado nos casos da Abin paralela e do cartão de vacinação, ainda espera o caso das joias sauditas.

Deu aval para Flávio Bolsonaro concorrer a presidente no ano que vem, tentando manter a relevância e seu espólio eleitoral entre a família.

Jorge Messias

Advogado-geral da União e indicado de Lula para ministro do Supremo. O aliado do petista ficou conhecido como "Bessias" em 2016. Durante o impeachment de Dilma Rousseff (PT), a presidente afirmou em telefonema a Lula que enviaria, pelo então auxiliar, o termo de posse como ministro-chefe da Casa Civil "em caso de necessidade".

Messias vive dificuldades para viabilizar sua candidatura à corte diante do incômodo de Alcolumbre. O senador queria Rodrigo Pacheco como o nomeado.

Lei Magnitsky

Lei americana promulgada em 2012, permitindo à Casa Branca sancionar individualmente agressores de direitos humanos ou envolvidos em corrupção. O texto foi utilizado para punir Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci de Moraes, na esteira das articulações de Eduardo Bolsonaro com a Casa Branca.

Moraes e Viviane ficaram sem direito a movimentar ativos nos Estados Unidos, se tivessem. Também ficaram proibidos, por exemplo, de utilizar cartões de crédito ou débito com bandeiras americanas, como Visa, MasterCard ou American Express. As sanções foram retiradas pelo governo americano no dia 12 de dezembro.

Luís Roberto Barroso

Ex-presidente do STF e ministro aposentado da corte. Ele chefiou o tribunal de 2023 a 2025, durante o julgamento da trama golpista. Poderia se aposentar aos 75 anos, mas escolheu deixar a corte ainda neste ano, aos 68. Lula indicou Jorge Messias para o seu lugar.

Luiz Fux

Ministro do Supremo desde 2011, indicado por Dilma. Ele passou a ser um contraponto a Alexandre de Moraes na Primeira Turma do tribunal em ações envolvendo o 8 de Janeiro, revisando posicionamentos em favor dos acusados. Também votou pela absolvição de Bolsonaro na trama golpista, sendo voto vencido. Após a ação do núcleo da tentativa de golpe, ele deixou o colegiado e foi para a Segunda Turma.

Lula

Presidente da República. Começou o ano mal diante da crise do Pix e a queda na avaliação de governo. Também enfrentou reveses com o Congresso, como a derrubada do aumento do IOF. Mas conseguiu mudar a trajetória negativa ao encampar o discurso de soberania após o tarifaço de Trump e as sanções a autoridades. Colheu vitórias com o fim das punições e da sobretaxas, e sai em posição melhor para 2026.

Marco Civil da Internet

Lei criada em 2014 para regular direitos e obrigações básicas para o uso da internet no país. O STF decidiu tornar parte da lei inconstitucional, especificamente o trecho afirmando que as empresas não possuem responsabilidade sobre conteúdo de terceiros publicados em suas plataformas. A corte formou tese de que as big techs têm dever de cuidado sobre o que está em suas redes, sem necessidade de decisão judicial para remoção de conteúdo.

Mauro Cid

Tenente-coronel do Exército e um dos condenados pela trama golpista. Foi um dos protagonistas de todo o processo por ter firmado acordo de delação premiada. Colaborou para a Polícia Federal estabelecer fio condutor entre as provas, como a minuta golpista, apesar de inconsistências e necessidade de vários depoimentos, o que foi citado pelas defesas como motivo para nulidade da delação.

O acordo seguiu válido, e em troca, ele foi condenado a apenas dois anos de prisão em regime aberto. Com isso, não foi submetido a julgamento militar para perda de patente. Está em liberdade, com restrições do regime aberto, como não possuir armas e comparecer semanalmente em juízo.

Missão

Novo partido político, associado ao MBL (Movimento Brasil Livre). Foi aprovado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em novembro, após comprovação da coleta de assinaturas. Sigla pretende lançar candidatos nos estados e um postulante à Presidência no ano que vem.

Papuda

Complexo penitenciário em Brasília, onde vários políticos já foram presos por casos de corrupção e em ações da Operação Lava Jato. É onde o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, condenado pela trama golpista, está preso. Aliados de Jair Bolsonaro temeram a detenção do ex-presidente no local.

PEC da Blindagem

Proposta de emenda à Constituição que mudava o foro especial a autoridades e permitia ao Congresso Nacional barrar quaisquer investigações a congressistas em voto secreto. A lei atual permite investigações e denúncias de deputados e senadores, mas o Legislativo pode votar a suspensão destes processos, caso considere que há excessos. A proposta foi aprovada na Câmara, mas amplamente rechaçada pela sociedade, que foi às ruas em protestos pelo país. O Senado enterrou a proposta.

Penduricalhos

Termo utilizado para definir série de benefícios indenizatórios a funcionários públicos, que fazem o rendimento dos servidores ultrapassar o teto constitucional. Neste ano, órgãos como o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) turbinaram os penduricalhos a juízes e promotores. O tema provocou a discussão de uma reforma administrativa que eliminasse a possibilidade de supersalários e benefícios.

PGR

Procuradoria-Geral da República, órgão que chefia o Ministério Público da União. Neste ano, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi reconduzido ao cargo. O Senado o aprovou com 45 votos, apenas quatro acima dos 41 necessários. Congressistas bolsonaristas votaram contra Gonet diante da atuação da PGR no processo da trama golpista.

PL

Partido Liberal, legenda de Jair Bolsonaro. O partido passou o ano buscando a anistia ao ex-presidente, mas aceitou negociar a redução de penas e agora deve aceitar negociar o projeto para restringir o benefício apenas aos condenados pelo 8 de Janeiro. Lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, a mando do ex-mandatário. A agremiação espera que a candidatura impulsione pleiteantes a deputado e senador.

PSD

Partido Social Democrático, comandado por Gilberto Kassab. A sigla participa tanto do governo Lula, quanto do governo Tarcísio, em São Paulo, e é vista como essencial entre as siglas de centro. Também afirma lançar o governador do Paraná, Ratinho Jr., ao Palácio do Planalto. Deve ter alianças mistas pelos estados do país na eleição do ano que vem.

PSDB

Partido da Social Democracia Brasileira, sigla de Fernando Henrique Cardoso. A legenda teve uma série de dificuldades neste ano, como a desfiliação de todos os governadores ligados à agremiação. Também tentou fusão com o Podemos, sem sucesso. Por fim, negociou federação com o MDB e o Solidariedade, sem muitos avanços.

Aécio Neves voltou à presidência nacional do PSDB, e Ciro Gomes se filiou novamente ao partido, o que animou os integrantes da sigla sobre uma reação em 2026.

PT

Partido dos Trabalhadores, sigla do presidente Lula. A legenda tentou uma reação à hegemonia da direita nas redes sociais com as publicações sobre a PEC da Blindagem gerando indignação com o Congresso Nacional, com certo sucesso. A prioridade da sigla para o ano que vem é reeleger o mandatário ao Planalto e expandir a base pelo país, mesmo que com alianças com outras agremiações.

Reforma ministerial

Mudança ampla na Esplanada dos Ministérios. O presidente Lula prometeu uma reforma desde o final de 2024, após as eleições municipais. Houve trocas de titulares em pastas durante o ano, mas sem caráter de reforma: Alexandre Padilha substituiu Nísia Trindade na Saúde, e Gleisi Hoffmann entrou na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.

Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação Social do Planalto, substituindo Paulo Pimenta. Guilherme Boulos foi nomeado ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Márcio Macêdo. Márcia Lopes entrou no lugar de Cida Gonçalves no Ministério das Mulheres, e Wolney Queiroz chegou à Previdência em substituição a Carlos Lupi, que deixou o cargo em meio ao escândalo do INSS.

Rodrigo Pacheco

Senador e ex-presidente do Senado. Ele foi motivo de disputas entre Lula e Davi Alcolumbre: o primeiro quer que o congressista concorra ao Governo de Minas Gerais no ano que vem, e o segundo queria o senador indicado ao Supremo Tribunal Federal. Pacheco também queria chegar à Suprema Corte.

Com a indicação de Jorge Messias ao tribunal, Pacheco diz que deixará a carreira política. Lula ainda tenta convencê-lo a concorrer ao governo mineiro.

Segurança pública

Tema em voga no país e que deve ser um dos principais debates na eleição de 2026. O governo federal tentou emplacar propostas como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção. Os projetos foram alvo de disputa no Congresso Nacional, e as discussões devem ficar para o ano que vem.

Ainda, uma megaoperação no Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão teve grande repercussão nacional. A ação matou 122 pessoas, e o tema foi explorado tanto pela oposição, quanto pelo governo federal, com mais sucesso entre os bolsonaristas —a recuperação da aprovação do governo Lula ficou paralisada após a operação.

STF

Supremo Tribunal Federal, corte constitucional do país. Foi protagonista da política brasileira neste ano, julgando o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista de 2022, além de seguir analisando casos do 8 de Janeiro. Também foi alvo de ataques pela oposição, que quer eleger mais senadores no ano que vem para aprovar impeachment de ministros do tribunal.

O comportamento dos integrantes da corte intensificou debates sobre um código de ética para o Supremo e outros tribunais do país. Outra polêmica envolveu o impedimento de magistrados, em decisão de Gilmar Mendes blindando o órgão. A determinação provocou a discussão sobre uma nova Lei de Impeachment.

Tarcísio de Freitas

Governador de São Paulo. É o preferido do centrão e do mercado para concorrer à eleição presidencial de 2026, mas sofre resistências entre a família Bolsonaro. Ele nega concorrer ao Palácio do Planalto, e diz que será candidato à reeleição ao Executivo estadual. Pesquisa Quaest após o anúncio do nome de Flávio Bolsonaro para a Presidência mostrou que o senador bateria o governador em primeiro turno.

Tarifaço

Termo usado para definir as sobretaxas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros importados pelos americanos. A alíquota foi de 40%, adicionada a 10% já estabelecidos anteriormente, chegando a 50% de taxação ao país.

O tarifaço ocorreu diante de lobby de Eduardo Bolsonaro junto a Casa Branca para punir autoridades brasileiras, buscando livrar Jair Bolsonaro do cerco judicial em que se encontra.

TSE

Tribunal Superior Eleitoral, corte que regula e organiza as eleições no país. Órgão é presidido pela ministra do STF Cármen Lúcia. Realizou, neste ano, teste público de segurança das urnas eletrônicas, que atestou a inviolabilidade do sistema de votação.

Trama golpista

Tentativa de Jair Bolsonaro (PL) e de militares ao seu redor de manter o então presidente no poder mesmo após a derrota em 2022 para Lula. O caso tramitou durante todo o ano no Supremo e condenou quatro núcleos, com 29 pessoas. O ex-mandatário foi condenado a 27 anos e três meses no caso por tentar liderar a tentativa de ruptura institucional.

União Progressista

Federação entre o União Brasil e o PP, firmada em agosto. Possuem a maior bancada do Congresso Nacional e se retiraram do governo Lula, chegando a expulsar o ministro do Turismo, Celso Sabino, do União Brasil. Por outro lado, há uma série de rachas internos que ameaçam a aliança, como a candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná para o ano que vem, barrada pelo PP.

Voto distrital misto

Sistema eleitoral para a escolha de representantes na Câmara dos Deputados. Metade das vagas são distribuídas por distritos eleitorais. O eleitor vota em um candidato em seu distrito, e vence quem tiver mais votos. A escolha também conta para o partido, que tem uma lista pré-ordenada de candidatos, a serem eleitos segundo um quociente eleitoral.

O centrão tenta aprovar a mudança no sistema brasileiro afirmando que isso coibiria a entrada do crime organizado na política ao aumentar a relação entre deputado e eleitor. Por outro lado, representação pode cair com a perda de força de siglas menores.

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