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'Aprendi na Ucrânia tudo que sei de guerrilha': brasileiro foi à guerra sem experiência militar, e diz que quem tentava fugir era torturado

No caso de Marcos Souto, produtor musical e empresário, a decisão foi motivada principalmente pelo dinheiro. Ele faz parte do grupo conhecido como mercenários de guerra — combatentes estrangeiros que participam de conflitos em troca de pagamento.

O valor recebido varia de acordo com a guerra e com o grupo militar ao qual o combatente se vincula, mas, segundo relatos, a negociação nem sempre é clara.

“Falaram que o salário era 50 mil por mês. A gente entende isso como em reais. Mas eram 50 mil grívnias, o que dava cerca de R$ 5.800”, contou Marcos, que usava o codinome “Corvo”.

Questionado sobre o motivo de ter entendido que o valor seria em reais, ele respondeu:

“Porque é o que vem na cabeça.”

Muitos desses combatentes aprendem técnicas militares em grupos como a Legião Estrangeira da França. Mas esse não é o único caminho.

Marcos afirma que nunca havia servido ao Exército no Brasil e que não tinha experiência militar antes de ir para a Ucrânia.

“Nunca servi o Exército. Não tinha nenhuma experiência. Tudo o que eu sei hoje sobre guerrilha, eu aprendi na Ucrânia”, disse.

Chegando ao front, ele encontrou um problema maior do que o pouco dinheiro e a falta de experiência: a violência dos comandantes.

“Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado” pelo próprio exército da Ucrânia, ele relata.

Outro mercenário brasileiro afirmou que chegou a lutar contra soldados ucranianos durante a fuga. Após retornar ao Brasil, um dos combatentes contou que perdeu 28 quilos e passou dias sem comida adequada.

A guerra na Ucrânia se aproxima do quarto ano, e os ataques continuam. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, desde o início da guerra, 19 brasileiros morreram na Ucrânia. Outros 44 estão desaparecidos.

A embaixada da Ucrânia no Brasil informou que não recruta brasileiros e que quem se alista tem os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.

Promessas de altos salários e aventura: brasileiros são atraídos à guerra na Ucrânia e relatam arrependimento — Foto: Reprodução/TV Globo

Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:

4 anos depois do início da guerra brasileiros ainda se alistam no exército ucraniano

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