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O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, vai se reunir com Trump nesta semana para pressionar por um acordo com o Irã muito mais amplo

Israel há muito tempo defende que o Irã cesse todo o enriquecimento de urânio, reduza seu programa de mísseis balísticos e rompa laços com grupos militantes em toda a região. O Irã sempre rejeitou essas exigências, afirmando que só aceitaria algumas limitações em seu programa nuclear em troca do alívio de sanções.

Não está claro se a repressão sangrenta do Irã contra protestos em massa no mês passado, ou o deslocamento de grandes meios militares dos EUA para a região, tornou os líderes iranianos mais abertos a um compromisso, ou se Trump está interessado em ampliar negociações que já são difíceis.

Netanyahu, que permanecerá em Washington até quarta-feira (11), passou décadas de sua carreira política pressionando por uma ação mais dura dos EUA contra o Irã. Esses esforços tiveram êxito no ano passado, quando os Estados Unidos se juntaram a Israel em 12 dias de ataques contra instalações militares e nucleares iranianas, e a possibilidade de novas ações militares contra o Irã deve surgir nas discussões desta semana.

EUA e Irã se reúnem em nova rodada de conversas por acordo nuclear

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Decisões estão sendo tomadas

A visita de Netanyahu ocorre apenas duas semanas depois que o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump e assessor para o Oriente Médio, se reuniram com o premiê em Jerusalém. Os enviados americanos mantiveram conversas indiretas em Omã com o chanceler iraniano na sexta-feira.

“O primeiro-ministro acredita que qualquer negociação deve incluir a limitação de mísseis balísticos e o fim do apoio ao eixo iraniano”, disse o gabinete de Netanyahu no fim de semana, referindo-se a grupos militantes apoiados pelo Irã, como o Hamas palestino e o Hezbollah libanês.

Anos de negociações nucleares produziram pouco progresso desde que Trump abandonou um acordo de 2015 com o Irã, com forte incentivo de Israel. O Irã demonstrou pouca disposição para tratar das outras questões, mesmo após sofrer repetidos reveses. Ainda assim, a reunião com Trump dá a Netanyahu a oportunidade de influenciar o processo e também pode fortalecer sua posição política interna.

“Claramente estes são dias em que decisões estão sendo tomadas, espera-se que a América conclua seu reforço de forças e está tentando esgotar a via das negociações”, disse Yohanan Plesner, chefe do Instituto de Democracia de Israel, um think tank sediado em Jerusalém.

“Se você quer ter influência no processo, só é possível fazer isso até certo ponto via Zoom.”

Israel teme um acordo limitado

Trump ameaçou realizar um ataque militar contra o Irã no mês passado por causa da morte de manifestantes e de preocupações com execuções em massa, deslocando diversos meios militares para a região. Milhares foram mortos e dezenas de milhares detidos quando as autoridades iranianas esmagaram os protestos motivados por dificuldades econômicas generalizadas.

À medida que os protestos diminuíram, Trump voltou seu foco para o programa nuclear iraniano, que EUA, Israel e outros há muito suspeitam ter como objetivo final o desenvolvimento de armas. O Irã insiste que seu programa é inteiramente pacífico e afirma ter o direito de enriquecer urânio para fins civis.

Sima Shine, especialista em Irã e ex-integrante da agência de espionagem israelense Mossad, hoje analista do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, disse que Israel teme que os EUA cheguem a um acordo limitado com o Irã no qual o país interromperia temporariamente o enriquecimento de urânio.

Um acordo em que o Irã suspenda o enriquecimento por vários anos permitiria a Trump declarar vitória. Mas Israel acredita que qualquer acordo que não encerre o programa nuclear iraniano nem reduza seu arsenal de mísseis balísticos acabará exigindo que Israel lance outra onda de ataques, afirmou ela.

O Irã pode estar incapaz de enriquecer urânio após os ataques do ano passado, tornando a ideia de uma moratória temporária mais atraente.

Em novembro, o chanceler iraniano Abbas Araghchi disse que o país já não estava enriquecendo urânio devido aos danos causados pela guerra do ano passado. Os ataques aéreos dos EUA e de Israel mataram quase mil pessoas no Irã, enquanto as barragens de mísseis iranianos mataram quase 40 pessoas em Israel.

Não está claro o tamanho do dano causado ao programa nuclear iraniano. Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica não conseguiram visitar os locais nucleares bombardeados. Imagens de satélite mostram atividade em dois deles.

Netanyahu enfrenta eleição este ano

Netanyahu, que enfrentará eleições no fim deste ano, há muito destaca seus laços próximos com líderes mundiais, especialmente Trump, a quem já elogiou como o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca. A reunião desta semana permite que Netanyahu mostre aos israelenses que é um ator relevante nas negociações com o Irã.

“A questão das relações entre Netanyahu e Trump será tema da campanha, e ele está dizendo: ‘Só eu posso fazer isso, sou apenas eu’”, disse Shine.

Netanyahu é o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, tendo ocupado o cargo por mais de 18 anos no total. Seu governo, o mais nacionalista e religioso da história do país, deve sobreviver até as eleições de outubro, ou perto disso.

Netanyahu estava originalmente programado para visitar Washington na próxima semana para o lançamento, em 19 de fevereiro, do Conselho de Paz de Trump, uma iniciativa inicialmente concebida como mecanismo para reconstruir Gaza após a guerra Israel-Hamas, mas que ganhou um mandato mais amplo de resolver crises globais.

Netanyahu concordou em participar da iniciativa, mas vê o projeto com cautela porque ele inclui Turquia e Catar — países que ele não quer envolvidos na Gaza do pós-guerra devido às relações com o Hamas.

Antecipar a visita poderia oferecer uma “solução elegante” que permitiria a Netanyahu faltar ao lançamento sem ofender Trump, disse Plesner. O gabinete de Netanyahu se recusou a comentar.

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