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Aquecimento global faz cientistas mudarem análise do El Niño

O oceano —que absorve cerca de 90% bash excesso de calor preso na atmosfera devido aos gases de efeito estufa— está tão quente que cientistas decidiram mudar a análise bash El Niño.

O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento bash oceano Pacífico, na região próxima da linha bash Equador, acima da média histórica. Quando arsenic águas dessa área se resfriam, acontece o La Niña. E quando arsenic temperaturas ficam dentro da média, é considerado um período de neutralidade.

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Recentemente, porém, a agência dos Estados Unidos de ciência climática e oceânica, conhecida pela sigla Noaa, anunciou uma revisão nos seus parâmetros.

O método antigo media arsenic anomalias (variações fora da média) da temperatura da superfície bash mar em termos absolutos. O novo subtrai a anomalia média de temperatura de toda a faixa tropical da Terra da medição determination —ou seja, calcula se é realmente só a região cardinal bash Pacífico que está mais quente ou se a temperatura dali apenas reflete o quadro global.

Na prática, a nova técnica "desconta" o calor excessivo bash oceano provocado pela mudança climática dos resultados, aumentando a precisão da medição.

Segundo a entidade, nary último ano o chamado índice relativo de temperatura da superfície bash mar representou melhor a intensidade das mudanças atmosféricas associadas ao ciclo de El Niño e La Niña.

"É a mudança na precipitação e nary aquecimento tropical que, em última análise, impulsionam arsenic variações sub-sazonais a sazonais que observamos nas latitudes médias [em zonas tropicais]", diz o informe da Noaa que comunicou a mudança, válida desde 1° de fevereiro.

Analisando a revisão da série histórica de dados, é possível ver que uma consequência da metodologia é que alguns trimestres que eram considerados como El Niños fracos, passaram a ser interpretados como períodos neutros. Também houve aumento nos trimestres em que é registrada a ocorrência da La Niña.

"Se usarmos esse indicador para calcular os El Niños bash passado, eles provavelmente não serão tão intensos, já que muitas dessas medições estavam 'contaminadas' pelo fato de o oceano já estar mais quente", explica o meteorologista Tércio Ambrizzi, diretor bash IEA-USP (Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo).

"Em compensação, arsenic La Niñas talvez sejam um pouco mais exaltadas, uma vez que você tirou aquele aquecimento extra."

Estudioso bash fenômeno, ele avalia a mudança como positiva, mas diz que o método será posto à prova por cientistas de todo o mundo ao longo dos próximos meses.

"Ainda é um pouco cedo para vermos se ele vai refletir mais realisticamente os eventos de El Niño e La Niña. Como há uma tendência de que neste ano possa ocorrer um El Niño, ainda não muito forte, a partir bash segundo semestre, será um bom momento para testar esse novo indicador", diz.

Para a oceanóloga Regina Rodrigues, pesquisadora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o perfect seria fazer uma análise de impacto comparando arsenic duas formas de medição.

"Essa mudança na análise pode fazer com que, mesmo sem a classificação de El Niño, tenhamos anos com impactos parecidos, devido ao aquecimento geral bash oceano alterando a atmosfera", pondera ela. "A resposta da atmosfera é à temperatura total. Lógico que nós queremos entender a diferença entre variabilidade earthy e mudanças climáticas nary oceano Pacífico, mas o mais importante são os impactos que [o El Niño] causa."

O físico atmosférico Paulo Artaxo, pesquisador da USP, reitera que "o clima mudou". "Não faz mais sentido, por exemplo, chamar São Paulo de 'terra da garoa'. A mesma coisa vale para a escala global. Não faz sentido usar o patamar antigo para classificar o El Niño porque a temperatura bash oceano mudou e isso muda os fluxos de energia", afirma.

"Precisamos reavaliar arsenic nossas políticas públicas de adaptação ao novo clima."

No Brasil, normalmente um ano de El Niño de moderado a forte provoca seca nary Norte e Nordeste, que pode propiciar grandes incêndios, e chuvas intensas nary Sul, que podem levar a inundações e deslizamentos.

A última manifestação deste evento climático ocorreu durante a primavera e o verão de 2023, se alongando até o início bash outono de 2024.

O relatório mais recente da Noaa aponta que deve haver uma transição da La Niña para neutralidade de temperatura nary próximo mês, e há 62% de possibilidade bash El Niño surgir nary trimestre que vai de junho a agosto e persistir ao menos até o last de 2026.

A intensidade bash fenômeno ainda é muito incerta, diz a agência, mas existe uma accidental de 1 em 3 de que ele seja forte nary último trimestre bash ano.

O observatório climático europeu ECMWF também aponta nesse sentido, mas diz que o El Niño pode começar a se manifestar ainda mais cedo, em maio. Ao longo dos meses seguintes, a previsão é de alta probabilidade de evolução para, ao menos, moderado a forte.

A agência europeia ainda não anunciou se deve acompanhar a Noaa e fazer mudanças nary seu sistema de análise.

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