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Camilo Santana defende que Lula amplie aliança e cita Renan Filho e Helder para vice

O ministro da Educação, Camilo Santana, admite a possibilidade de substituição do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em prol da ampliação do arco de alianças em torno da candidatura à reeleição do presidente Lula (PT).

Descrevendo Alckmin como uma pessoa extraordinária, correta e leal, o ministro ressaltou o ambiente de polarização política para justificar a busca de novos aliados.

Em entrevista à Folha concedida nesta terça (24), Camilo apontou o MDB como parceiro mais viável e destacou o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho, como nomes fortes para a vice de Lula. Setores da sigla trabalham para aproximar o partido do presidente da República, mas essa é uma operação política difícil de ser realizada.

"Não há candidato melhor que a manutenção do vice. Porém, o país está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor", afirmou.

O ministro da Educação menciona que o MDB já esteve em uma chapa petista. Michel Temer (MDB) foi eleito vice-presidente de Dilma Rousseff. "Deu no que deu", afirmou Camilo, mas indicou não ver no impeachment da petista motivo para não tentar atrair o partido.

Na entrevista, Camilo defende articulação com os partidos do centrão e reitera a importância de uma candidatura de Fernando Haddad em São Paulo. Prestes a deixar o MEC para reforçar no Ceará a campanha do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição, ele revela que preferiria concluir o trabalho à frente da pasta. Camilo se elegeu senador em 2022 e se licenciou para assumir o ministério. Ele terá mais quatro anos de mandato após a eleição de 2026.

O presidente Lula busca uma aliança formal com o MDB. Acredita na possibilidade?
Acredito.

Dirigentes do MDB colocam como condição o espaço de vice na chapa. Esse acordo é possível?
Defendo a ampliação do arco de alianças para a reeleição de Lula. O partido mais próximo, que teria viabilidade, é o MDB. Pode ser que tenha diálogo com outros. É viável discutir espaço na chapa. É bom lembrar o histórico das eleições. O único que ampliou, fora os partidos mais progressistas que sempre estiveram na aliança do presidente Lula, foi o MDB. Na época com o Michel Temer, que deu no que deu [impeachment de Dilma], mas…

O vice-presidente Geraldo Alckmin estaria disposto a abrir mão em nome da aliança?
Isso teria que ser discutido com ele. O presidente já falou um pouco sobre isso [Lula disse que Alckmin tem um "papel a cumprir" em São Paulo].

O PT de São Paulo defendeu a permanência de Alckmin na vice.
Não há pessoa mais extraordinária, correta e leal. Porém, o país está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor.

O senhor acredita que Alckmin teria esse desprendimento?
Vai depender muito, primeiro, da viabilidade. É preciso colocar a discussão na mesa.

Nessa hipótese, quem seriam os possíveis nomes para a vice?
Vejo dois grandes nomes. Primeiro o do Renan Filho. Tem sido um grande ministro, jovem, talentoso. E o outro nome é o governador do Pará, Helder Barbalho. É um cara jovem [tem 46 anos], apoiou o presidente. A prioridade é do Alckmin, mas, se for o caso de ampliar, dois bons nomes do MDB são esses. E tem também a [ministra do Planejamento] Simone Tebet, outro grande nome.

Há quase um mês está em vigência a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Por que isso não foi convertido em intenção de voto?
Eu não sei se já é possível avaliar fortemente o resultado. A pessoa recebeu ali um mês, dois meses, três meses, em um ano vai praticamente ganhar mais um salário. Pode ser que não tenha o efeito que a gente esperava, mas é importante.

Setores do PT avaliavam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, seria um adversário mais difícil. Agora Flávio Bolsonaro está se fortalecendo. Essa análise foi errada?
É a força do bolsonarismo. Quando coloca o Flávio como candidato do Bolsonaro, ele dá trabalho. Se colocar o [governador de Minas Gerais, Romeu] Zema, vai lá para cima também. Não tem espaço para a terceira via hoje. Dependendo do número de candidatos a presidente, a eleição vai ser decidida no primeiro turno. O Brasil está muito dividido. Daí a importância de ampliar a aliança, furar um pouco a bolha. Vamos enfrentar fake news muito fortes na eleição, principalmente com inteligência artificial. A lei vai ter que ter um rigor maior para poder combater isso, vai ter um peso muito grande nas eleições.

O cenário de polarização serve de argumento para que se busque sensibilizar inclusive petistas para abrir uma negociação, por exemplo, com o Ciro Nogueira no Piauí?
Não posso falar de questões específicas dos estados. É importante reeleger os governadores do PT, apoiar nossos aliados e eleger senadores. Mas a nossa prioridade é a eleição nacional. Qualquer movimento que for possível em nome do projeto nacional deve ser discutido.

No caso do Piauí, por exemplo, se isso for importante para o projeto nacional, tem que ser colocado à mesa?
Claro. Seja o Piauí, seja o Ceará ou qualquer outro estado.

No caso de União Brasil e PP, a ideia é impedir que esses partidos se alinhem ao Flávio em âmbito nacional?
No primeiro turno. No segundo turno é outra disputa. Espero que o presidente ganhe no primeiro turno.

O senhor reafirma que Fernando Haddad não poderia se dar ao "luxo" de não ser candidato em São Paulo?
Haddad é um extraordinário quadro, uma pessoa admirável e fez um grande trabalho na Fazenda. É um grande nome para se colocar nessa disputa. Precisamos de nomes que tenham força para defender o projeto nacional e disputar a eleição. Ele pode ser um nome para o Senado ou para o governo do estado. Quando digo que não se pode dar ao luxo, é porque o projeto não pertence mais a nós mesmos. Se eu for convocado para uma missão no meu estado, não é uma escolha pessoal, é pelo projeto. Vejo muito isso no Haddad. Ele está sendo convocado para uma missão que, às vezes, vai além do desejo pessoal.

É impossível para a esquerda conseguir mais votos no eleitorado evangélico?
Não. O que é ser evangélico? As pessoas que defendem a família, defendem a integridade. Qual foi o governo que mais olhou para as famílias na história deste país? O nosso, que protege a mãe, que dá um pé-de-meia para o menino não sair da escola. Esse debate vai ser feito.

O escândalo do Banco Master pode produzir algum desgaste eleitoral para o presidente?
Acredito que o contrário. Se tem um governo que busca investigar é o nosso, e não estou falando só do Master. Estou falando da operação Carbono Oculto, da própria questão do INSS, que nasceu no governo passado, mas que esse governo teve a decisão de combater. Vai depender muito da narrativa, e claro que vai depender muito dos acontecimentos, porque todo dia é uma novidade desse Banco Master.

O dano de imagem causado pelo caso Banco Master ao Supremo Tribunal Federal é reversível? O tribunal ficou muito exposto a quem quer enfraquecer o tribunal?
Precisa ser reversível. O STF é o guardião da Constituição. Não pode ter nenhuma descredibilidade perante o país. Acho que precisa ser feita uma discussão mais aprofundada no Brasil das relações do Judiciário, das relações privadas. Mesmo que não haja questões legais, há questões morais e éticas. O presidente do STF quer discutir um código de ética.

E o senhor, defende o código de ética?
Claro que eu defendo. Quem faz a opção de ir para um cargo desses precisa saber qual é a missão.


Camilo Santana, 57

Ministro da Educação desde 2023, é engenheiro agrônomo, com mestrado em desenvolvimento e meio ambiente. Foi duas vezes governador do Ceará e, em 2022, elegeu-se senador pelo PT.

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