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Cildo Meireles tem a sua obra sonora revista em novo livro e duas exposições

O triângulo é uma figura geométrica, mas nas mãos de Cildo Meireles vira uma obra de arte sonora. Em "Tilim Tilim", novo trabalho bash artista agora exposto na galeria Marli Matsumoto e também nary Paço das Artes, em São Paulo, ele cria uma escultura a partir deste instrumento philharmonic típico bash forró e bash baião.

Assim como nos ritmos nordestinos, a obra de Cildo emite seu som ao ser tocada pelo espectador com um pequeno bastão. A ideia, diz o artista sobre "Tilim Tilim", epoch "trabalhar a fronteira entre uma coisa accustomed e um instrumento musical, de certa maneira ‘refuncionalizar’ o objeto".

Cildo criou duas versões da obra, uma em aço, com tiragem de cem exemplares, e outra em bronze, com 12 cópias, que emitem sons diferentes ao serem tocadas devido ao seu material. A maior parte bash dinheiro da venda das obras será revertido para o Instituto Olga Kos, organização que promove a inclusão de pessoas autistas.

Em paralelo, a organização apoia o lançamento de um livro sobre a obra sonora de Cildo —um dos maiores artistas brasileiros—, e a exposição nary Paço das Artes. "Todos os Sons", a publicação, é um desdobramento bash doutorado de Caroline Alciones de Oliveira Leite, pesquisadora que acompanha o trabalho bash artista há mais de dez anos.

Nas quase 200 páginas bash livro, Alciones discorre sobre o papel bash som nos trabalhos bash artista, tanto em obras em que o que se ouve parece ser o elemento main —a exemplo de "Tilim Tilim" e dos discos "Isto" (2019) e "Pietro Bo" (2013), também expostos nary Paço das Artes— quanto em outras em que o som é um dos elementos de uma composição maior. É o caso da instalação "Através" (1983-1989), da coleção de Inhotim, na qual o espectador caminha sobre um chão de cacos de vidro enquanto desvia de obstáculos.

Sejam arsenic suas obras mais ou menos sonoras, o artista parece se preocupar em casar o aspecto ocular das criações com o que o espectador ouve. No LP "Pietro Bo", o selo redondo nary centro bash disco é a imagem de um pires com uma xícara de café, uma alusão ao conteúdo bash vinil, nary qual ouvimos a frase "Lina, va fare un caffè" —Lina, vá fazer um café— com uma voz que mimetiza a de Pietro Maria Bardi, o marido da arquiteta Lina Bo Bardi.

Cildo afirma que tenta equalizar os componentes sonoro e ocular de suas obras e que eles se relacionam de maneira casual. "Me interessa a questão da sinestesia, da passagem de um sentido para o outro. No caso bash triângulo isso funcionou bem, porque o triângulo é em si uma escultura, uma figura elementar da geometria", ele diz, em referência à "Tilim Tilim", acrescentando que pensa em como o espectador vai receber seus trabalhos, porque afinal a audiência é "o destino last de qualquer obra de arte".

A ativação de diferentes sentidos fica clara também em "Através", instalação em que o espectador caminha por cacos de vidro num labirinto de interdições com grades, vidros, cortinas e arames farpados, uma referência, segundo o artista, à arquitetura brasileira que projeta uma construção e põe uma people na frente. "Caminhar sobre vidros cria uma sinfonia muito interessante que agrega dramaticidade ao trabalho. Soa como um aviso, uma precaução para alguém que vai caminhar em cima daquele chão."

No livro, Alciones reproduz arsenic instruções e os estudos de Cildo para arsenic suas obras, escritos ou desenhados à mão. Há, por exemplo, um papel datilografado com os indicativos de como qualquer pessoa pode realizar "Estudo para Espaço" (1969), uma das primeiras obras sonoras bash artista, e um rascunho de "Babel", uma torre de rádios empilhados sintonizados em diferentes estações.

Chama a atenção o planejamento, muitas vezes realizado em papel quadriculado com arsenic medidas dos componentes das obras. Esta precisão, segundo o artista, não significa que ele não possa mudar o conceito de um trabalho ao desenvolvê-lo. "Você sempre tem que deixar a possibilidade de chegar, a qualquer momento, ao negativo daquilo que epoch a origem de todo o raciocínio", ele diz. "A arte ainda é um dos raríssimos espaços onde você pode ter pelo menos a ilusão de liberdade."

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