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'Como matar uma mulher sem deixar rastros': dado de busca no Google é falso

Os erros do post do "Planeta Ella" começam a ao atribuir a informação ao Anuário de Segurança Pública de 2025, publicado pelo Fórum de Segurança Pública. O último saiu em junho passado. O documento, no entanto, não possui o dado das buscas. E a entidade não só nega ter levantado o dado como informa já ter procurado o perfil para que corrijam ou apaguem o post, mas não obteve resposta.

Na própria postagem, o Fórum comenta o seguinte:

Achamos importante pontuar que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública não produziu dados a partir de pesquisas no Google para o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e que desconhecemos a fonte dessa informação

Fora isso, o Google não divulga com esse nível de detalhe a quantidade de buscas feitas em sua ferramenta de pesquisa online. O máximo que a empresa faz é compilar as requisições no Google Trend, uma plataforma que apenas mostra o índice de buscas para um determinado termo.

Acionada pela coluna, o Google diz que "as publicações que atribuem dados de buscas relativas à violência de gênero não se baseiam em dados do Google."

A coluna acionou o perfil "Planeta Ellas" pelo Instagram, mas ainda não obteve resposta.

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Ao que tudo indica, a página parece ter replicado com algumas modificações uma pesquisa com diversos erros realizada pela pesquisadora canadense Katerina Standish, na época na Universidade de Otago, e publicada no "Journal of General Psychology" em janeiro de 2021.

O objetivo era analisar se a pandemia de Covid-19 aumentava os índices de violência doméstica e as taxas de suicídio. Para isso, Standish analisou se houve incremento nas buscas feitas no Google com relação aos dois temas antes da emergência sanitária, em 2019, e durante a pandemia, em 2020.

As frases que ela analisou e indicavam violência masculina intencional ou indicativa foram:

  • "Como controlar sua mulher";
  • "Ele vai me matar";
  • "Como bater em uma mulher sem que ninguém perceba";
  • "Me ajude, ele não vai embora";
  • "Eu vou matá-la quando ela voltar pra casa";
  • "Ele me bate o tempo todo";

No relatório, Standish escreve suas conclusões depois de jogar essas questões no Google dos Estados Unidos:

"A expressão 'Como bater em uma mulher sem que ninguém perceba' foi pesquisada no Google 163 milhões de vezes, 31% a mais do que em 2019"

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"A frase 'Vou matá-la quando ela chegar em casa' foi pesquisada 178 milhões de vezes, um aumento de 39% em relação ao ano seguinte."

Só que a pesquisadora parece ter confundido dois conceitos distintos: resultados para uma busca (aquele número que aparece em toda pesquisa feita no Google) e vezes que uma pergunta foi feita no Google (esse dado o Google não divulga).

Assim que ela publicou o estudo, a MSNBC escreveu uma notícia em abril daquele ano a respeito e outros sites noticiosos replicaram a informação. Em maio do mesmo ano, sites franceses noticiaram o dado, mas dando a entender que se tratavam de buscas feitas entre os franceses.

Agora, em 2026, o perfil brasileiro publica a informação falsa e sinaliza que ocorreu entre os brasileiros. A página no Instagram, no entanto, alterou pontos da história para continuar a propagar a mentira:

  • mudou a pergunta para "como matar uma mulher sem deixar rastros";
  • atribuiu ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
  • informou que as buscas aconteceram no Brasil;
  • afirmou que as pesquisas online ocorreram em 2025.

Standish admitiu ter errado e entrou em contato com o periódico científico para acusar o erro, como ela mesma contou na época em seu perfil no Twitter:

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Eu agora reconheço que os resultados do meu estudo são falhos. Eu procurei o Journal para discutir imprecisões e deficiências

Pesquisadores da web detalharam convincentemente que, a despeito das melhores intenções, o método que eu utilizei, e por conseguinte meus resultados, são imprecisos

Pouco tempo depois, o site Snopes, especializado em checagem de fatos, rotulou os posts como falsos os posts a respeito das 163 milhões de buscas no Google.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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