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Como o Brasil bate novos recordes de passageiros aéreos apesar das guerras?

No mesmo período, o QAV (querosene de aviação), que tem o maior peso no valor da passagem, teve alta de 68,5%. O que explica, então, mais gente voando no Brasil?

Brasil bem "vendido"

O transporte aéreo internacional também vem sendo impulsionado pelo aumento da chegada de turistas estrangeiros ao Brasil. Entre janeiro e maio, foram registrados 3,17 milhões de turistas internacionais chegando ao Brasil de avião, um crescimento de 14,9% em relação ao mesmo período de 2025. Esse é o resultado de uma melhor "venda" da imagem do país no exterior.

Para Rebecca Meadows, diretora-executiva da empresa global representante de destinos turísticos e companhias aéreas AirlinePros, parte desse resultado está relacionada ao trabalho de uma melhor venda da imagem do país. "Há uma divulgação maior do Brasil no exterior. Isso faz diferença porque durante muitos anos pouco se falava do Brasil. Agora, por meio da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) e também dos estados e cidades, existe uma promoção maior dos destinos brasileiros", afirma.

A executiva também cita o câmbio como fator relevante para a atração de visitantes estrangeiros. "Hoje o Brasil é um destino barato. Se um dólar vale R$ 5, eles [os turistas estrangeiros] conseguem gastar bem aqui e aproveitar bastante", diz.

Na avaliação de Manuel Flahault, diretor-geral do Grupo Air France-KLM na América do Sul, o país também se beneficiou da retomada da demanda internacional de lazer após a pandemia. "O Brasil também se reposicionou um pouco no jogo do mercado internacional de lazer", afirma.

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Mercado aquecido

O crescimento não se limita às rotas internacionais. O mercado doméstico também segue em expansão e foi fundamental para que o país encerrasse 2025 com mais de 129 milhões de passageiros transportados.

Flahault avalia que o avanço é resultado de uma combinação entre demanda aquecida e aumento gradual da oferta de voos. "Sempre vemos que quando há uma oferta, temos um pouco mais de estímulo. Alguns clientes que não tinham pensado em viajar acabam considerando a viagem", afirma.

A recuperação da conectividade internacional também contribuiu para o cenário atual. Rebecca Meadows destaca que diversas companhias ampliaram frequências ou retomaram operações nos últimos anos.

"Hoje a TAP tem 94 frequências semanais entre Brasil e Portugal. A Air France aumentou, a KLM aumentou, a Lufthansa aumentou. Quando você tem mais capacidade e mais assentos para vender, automaticamente aumenta o número de passageiros", afirma.

Viagens planejadas

Outro fator apontado por executivos do setor é a maior confiança do consumidor brasileiro para viajar ao exterior. De acordo com Cristian Balbi, diretor regional de marketing e vendas da Air Europa para as Américas, o momento é favorável para o público brasileiro, que voltou a demonstrar disposição para comprar passagens internacionais e gastar fora do país.

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"Hoje o Brasil está avançando com as decisões de compra. Isso ajuda bastante também nossas ocupações no futuro. Hoje estamos em um momento em que os brasileiros estão confiantes para viajar para o exterior. Não só na compra, mas também nas compras que fazem com cartão de crédito no exterior", afirma.

Aposta europeia

O Brasil continua sendo visto como um mercado estratégico pelas companhias que operam entre a América do Sul e a Europa. Segundo Bernardo Botella, diretor global de Vendas e Distribuição da Air Europa, a empresa transportou 231 mil passageiros em São Paulo e outros 92 mil em Salvador no ano passado, um número expressivo para a empresa, que foi alcançado devido à conectividade do país.

"Aproximadamente 40% das pessoas que saem do Brasil conosco vêm de outros lugares e não só de São Paulo. Temos uma rede muito boa dentro do país", afirma.

O executivo também destaca a importância de Madri como centro de conexão da companhia, o que incentiva os voos internacionais devido à ampla oferta de destinos para quem chega ao país europeu. "Um dos hubs mais convenientes na Europa é Madri. O tempo de conexão entre os voos, entre o longo curso e o curto curso, é muito conveniente. É muito curto", diz.

Para Botella, a relação entre o Brasil e a Europa segue forte e com potencial de crescimento. "O Brasil é um destino muito bom, tanto para negócios quanto para turismo. Muita gente vai e volta", afirma.

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Ele ainda acrescenta que o mercado brasileiro segue estratégico também pela distribuição geográfica das operações da companhia no país, já que o crescimento tem se mostrado consolidado nos últimos anos.

"Começamos há muito tempo em Salvador, porque éramos uma companhia charter [de voos fretados]. Depois, passamos a operar voos regulares. Salvador, do ponto de vista turístico, era um lugar muito bom para começar no Brasil", diz ao explicar como o cenário nacional se mostrou interessante para a empresa europeia.

Mais turistas estrangeiros

Segundo a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, valor acima do previsto inicialmente no Plano Nacional de Turismo, que era de 6,9 milhões de visitantes no período.

A instituição destaca que, para atingir esse patamar, foi feito um trabalho conjunto com o setor do turismo, estados e municípios, culminando no Plano Internacional de Marketing Turístico 2025-2027, chamado de Plano Brasis. A partir dele foi alterada a forma do país se posicionar no mercado estrangeiro.

Esse aumento de turistas chegando de avião é resumido em três pontos pela Embratur:

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  • Aumento real da malha aérea: Crescimento de 16,67% no total de rotas entre 2024 e 2025, elevando a oferta para 17,8 milhões de assentos (alta de 14,58%).
  • Incentivo direto a novas rotas: O estímulo à abertura de novos trajetos internacionais tem sido incentivado pelo Pati (Programa de Aceleração do Turismo Internacional).
  • Descentralização dos voos: A Embratur adotou uma estratégia de conectar novos destinos a diferentes aeroportos brasileiros, "distribuindo o fluxo de turistas além dos eixos tradicionais, proporcionando a diversificação".

Para o diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, Bruno Villa, esses resultados históricos se concentram em uma mudança na atuação da agência. "[Um dos pilares dessa mudança] é a prioridade dada pelo governo do Brasil ao turismo, nosso país se reconectou ao mundo nos últimos quatro anos", afirma o executivo.

Desafios persistem

Apesar dos recordes, representantes do setor afirmam que ainda há obstáculos para manter o ritmo de crescimento observado nos últimos anos, segundo Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo) para as Américas.

De acordo com o executivo, o Brasil possui potencial para receber muito mais turistas internacionais do que recebe atualmente. "O Brasil tem todos os ingredientes para se tornar um destino dominante para viagens e turismo", afirma.

Segundo ele, porém, o país ainda precisa avançar em questões estruturais. "Precisamos que o governo diga que turismo será uma prioridade de Estado", diz.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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