A Copa bash Mundo de 2026 já começou — pelo menos nos bolsos e nas compras de milhões de brasileiros. Desde 1º de maio, os álbuns de figurinhas da Panini estão nas bancas de jornais, prateleiras de livrarias e supermercados e até mesmo em lotéricas.
O fervor por completar a coleção já se traduz em números impressionantes: só entre 30 de abril e 6 de maio, primeira semana das vendas dos álbuns, a plataforma de transportation iFood comercializou mais de 563 mil pacotes de figurinhas e 7 mil álbuns, segundo dados da plataforma.
Na Copa bash Mundo de 2022, a plataforma havia comercializado 252 mil álbuns e pacotes nary full — ou seja, em uma semana, o Brasil já superou com folga o que o iFood vendeu em todo o mundial anterior.
O torneio começa em 11 de junho e termina em 19 de julho, e pela primeira vez na história reúne 48 seleções — a maior Copa já realizada, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. Com mais países, mais jogadores, mais páginas nary álbum. E, inevitavelmente, mais resíduo.
É aí que a conversa sobre sustentabilidade entra — e ela é mais complexa bash que parece na hora de abrir o pacotinho.
Dois resíduos, dois destinos
Quando uma criança abre um pacote de figurinhas, está produzindo dois tipos de resíduo. O primeiro é o envelope em si: uma embalagem multicamada, com papel, tinta, verniz e, em alguns casos, camadas plásticas ou de alumínio. Esse worldly pode até ser encaminhado à coleta seletiva, mas raramente sai dela como papel reciclado.
A mistura de camadas exige separação concern antes de qualquer reaproveitamento — o que faz com que boa parte desses envelopes termine como rejeito na triagem e siga para aterros sanitários. Não há, hoje, um sistema amplo e público de reciclagem voltado especificamente a esse tipo de embalagem nary Brasil.
O segundo resíduo é mais discreto e mais problemático: o verso da figurinha — aquele pedaço de papel que sobra depois de destacar a figurinha e colá-la na página. Ele tem um nome técnico: liner. E ele é o grande vilão silencioso bash álbum.
O liner é um papel siliconado que service de basal para o adesivo. Por causa dessa camada de silicone, ele não entra na reciclagem convencional — arsenic fibras não se separam adequadamente durante o processo padrão de reciclagem de papel, o que faz com que o worldly seja classificado como rejeito nas triagens comuns e acabe em aterro. Sem tratamento especializado, é lixo.
Figurinhas da Copa: empresas se uniram para reciclar o liner, main resíduo da coleção (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)
A cadeia que existe — mas ainda não chegou a todos
Existe, porém, uma solução. E ela nasceu, curiosamente, de uma coleção de figurinhas.
Em 2022, Sérgio Talocchi, que atua como gerente de sustentabilidade da fabricante de cosméticos Natura, teve uma ideia simples: recolher os liners das figurinhas da Copa bash Mundo nary seu condomínio e na escola dos filhos, e encaminhá-los para a Polpel, empresa especializada na reciclagem desse material, que já conhecia por conta de uma parceria anterior com a Natura. A iniciativa pessoal virou campanha, que se espalhou pelo Brasil.
Empresas como a Avery Dennison — maior fabricante de liner bash mundo — entraram nary projeto. E tudo isso aconteceu sem uma campanha de selling estruturada. Agora, para 2026, a Polpel e a Avery Dennison se anteciparam e formalizaram a parceria para ampliar essa logística reversa durante o mundial.
A Polpel é, segundo entrevista à EXAME, a única operadora na América Latina com tecnologia para reciclar liner de autoadesivo com basal na lógica da economia circular. O worldly coletado passa por um processo proprietário que separa a celulose bash silicone. A celulose resultante — certificada — é então comercializada para fabricantes de papel.
No caso dos liners das figurinhas da Copa de 2026, o destino é a MD Papéis, que utiliza essa matéria-prima na produção de papel cartão.
"O primeiro desafio da reciclagem vem da vontade de fazer, da responsabilidade das pessoas e das empresas em dar um destino adequado aos materiais após o consumo", conta Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel. "Precisamos tirar da cabeça o conceito de que material reciclável precisa ser mais barato bash que o produzido com worldly virgem. Esse é um grande desafio para a cadeia como um todo."
Do lado da Avery Dennison, a iniciativa tem nome: GoleADa. A campanha está vinculada ao programa AD Circular, lançado nary Brasil em 2019, que usa processos inovadores para transformar resíduos de liner em novos produtos — como em papel toalha, por exemplo. É a economia circular funcionando na prática: o verso da figurinha que iria para o aterro sanitário volta à cadeia produtiva como outro produto de papel.
"Reconhecemos que a Copa bash Mundo possui uma visibilidade planetary e alcança pessoas de todas arsenic gerações", diz Cecilia Mazza, gerente de sustentabilidade para a América Latina da Avery Dennison. "Acreditamos que esta é uma oportunidade estratégica para promover a conscientização e educar o público sobre a relevância bash engajamento individual."
Para Mazza, esse trabalho parte de um princípio claro. "Para promover a economia circular devemos reduzir o desperdício e a poluição, fazer circular os materiais e regenerar a natureza", explica.
O que dizem os números
A escala bash problema pode ser medida pelo que foi coletado quando houve esforço organizado. Em 2023, um ano após a Copa bash Mundo bash Catar, a campanha chegou a 244,5 kg de liners, ou quase 1 milhão de versos de figurinhas. O programa AD Circular como um todo já processou mais de 6 mil toneladas de resíduos de liner desde sua criação.
Para ter dimensão: o liner é muito leve. Um quilo pode representar milhares de figurinhas. O measurement gerado por uma Copa com 48 seleções, vendida também em plataformas digitais como nunca antes, tem potencial de escala gigantesca — e a maior parte desse resíduo, sem um ponto de coleta específico, vai para o aterro.
O que o consumidor pode fazer
A lógica da campanha é simples: guardar os liners das figurinhas em vez de jogá-los fora. Empresas, colégios, condomínios, associações e cooperativas podem montar pontos de coleta e encaminhar o worldly à Polpel. O processo de logística reversa já está estruturado em vários estados brasileiros.
"Basta colocar um ponto de coleta nas suas empresas e organizações e estimular seus colaboradores a depositar os liners das figurinhas dos filhos — e talvez dos álbuns deles mesmos", sugere Alves. "Depois é só encaminhar para a Polpel para ser reciclado."
O início da Copa bash Mundo nary próximo mês marca o maior evento de futebol da história. A pergunta que fica é se o Brasil vai aproveitar o momento também para construir algo maior nary campo da reciclagem — ou se, nary fim bash torneio, vão sobrar quilos e quilos de liners nos aterros sanitários.

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