Nesta semana, a baixa mais relevante foi a morte de Ali Larijani. Oficialmente, ele ocupava o posto de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, mas EUA e Israel acreditam que era Larijani que chefiava de fato o Irã desde a morte de Ali Khamenei.
Enquanto os EUA se concentram em outros alvos, como a indústria de petróleo do país, os ataques contra autoridades têm sido feitos, em sua grande maioria, por Israel.
A estratégia de "decapitação" — no sentido figurado, de buscar matar as lideranças inimigas — não é comum nas guerras modernas, como explica Carlos Gustavo Poggio, cientista político e professor do Berea College, dos EUA.
"'Decapitação' é uma estratégia que muitas vezes é aplicada contra grupos armados, ou grupos terroristas. Quando você vai decapitar a liderança nesse grupo armado, esse grupo armado é hierárquico, portanto você consegue enfraquecê-lo bastante."
Ele afirma que um Estado, por sua vez, é um organismo mais complexo do que um grupo armado, já que estrutura toda uma sociedade.
Bandeiras iranianas com um cartaz retratando o líder do país, Ali Khamenei, ao fundo. — Foto: Getty Images via BBC
"A gente viu pouquíssimas vezes na história um chefe de estado ser morto por uma nação estrangeira, ainda mais nessas condições que nós vimos acontecer agora. É algo inadequado, porque o regime continua de pé, a capacidade de retaliação continua e muitas vezes esse tipo de ação pode levar a um efeito inverso, da população se revoltar contra quem está atacando, eventualmente endurecer o regime, em vez de quebrá-lo", diz Poggio.
É o que parece ser o caso do Irã. O regime não apenas não caiu, como o filho de Ali, Mojtaba Khamenei — um clérigo "linha-dura" — foi escolhido como novo líder supremo, dando continuidade ao regime dos aiatolás.
Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews, aponta para um caminho semelhante após a morte de Ali Larijani.
"O sistema de poder iraniano está preparado para a substituição de dirigentes”, disse Magnoli, ao podcast O Assunto de quarta-feira (18). “Larijani era o chefe de fato do Irã e um pragmático, que servia como ponte entre correntes políticas mais moderadas e os setores radicais do clero e da Guarda Revolucionária. Parece que se opôs à escolha de Mojtaba Khamenei, em busca de algum canal de negociação".
Carlos Poggio analisa a guerra do ponto de vista tático (no curto prazo) e estratégico (no longo prazo). Para o professor, "do ponto de vista tático, essa estratégia [de 'decapitação'] está funcionando. Conseguiram enfraquecer o Irã."
Veja, a seguir, os principais nomes de autoridades assassinadas por Israel no Irã – e os que estão vivos.
Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS
- Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo
Principal figura política e maior autoridade do país desde 1989, quando se tornou líder supremo, Ali Khamenei foi morto na primeira leva de ataques de EUA e Israel, em 28 de fevereiro. Ele estava em sua residência junto a membros de sua família quando foi alvo de um míssil.
Ali Larijani — Foto: REUTERS/Thaier Al-Sudani
- Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
À frente do cargo do conselho responsável pelas decisões militares e de relações exteriores, Larijani era o chefe de fato do regime desde a morte de Ali Khamenei. Uma das principais figuras dos bastidores da política iraniana e considerado um moderado, ele foi alvejado no início da manhã de terça-feira (17) por um ataque israelense.
O comandante das forças terrestres da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Brigadeiro-General Mohammad Pakpour, participa de um desfile militar como parte da cerimônia que marca o dia anual do exército do país, em Teerã, em 17 de abril de 2024. — Foto: ATTA KENARE/AFP
- Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária do Irã
Pakpour liderava um dos braços militares mais poderosos do Irã, a Guarda Revolucionária – criada para proteger a Revolução de 1979 e, na prática, um exército paralelo com sua própria marinha, força aérea e tropas terrestres. Ele foi um dos primeiros alvos de Israel e morreu em 28 de fevereiro, em Teerã.
O comandante-em-chefe do Exército do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, observa durante um exercício militar em local não divulgado no Irã, nesta imagem divulgada em 25 de agosto de 2022. — Foto: Exército iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS
- Abdol Rahim Mousavi, chefe do Estado-Maior
Outro alvo de Israel morto nos ataques de 28 de fevereiro, Mousavi respondia diretamente ao líder supremo, Ali Khamenei. Ele havia assumido o posto após a morte do antecessor, Mohammad Bagheri, também por Israel, na Guerra dos Doze Dias em junho de 2025.
- Aziz Nasir-Zadeh, ministro da Defesa
O ministro do governo do presidente Masoud Pezeshkian foi mais um dos alvos do alto escalão militar nos ataques de 28 de fevereiro.
- Gholam Reza Soleimani, chefe das Forças Basij
Soleimani comandava um destacamento da Guarda Revolucionária do Irã formado por voluntários, as forças Basij. Elas realizavam patrulhamento das ruas e tiveram papel importante na repressão aos protestos de janeiro. Soleimani foi morto no mesmo dia que Larijani.
Entre outros altos funcionários assassinados nos ataques estão:
- Mohammad Shirazi, chefe do Gabinete Militar do Líder Supremo
- Ali Shamkhani, assessor do líder supremo para assuntos de segurança e secretário do Conselho de Defesa
- Hassan Ali-Tajib, chefe do Departamento de Logística das Forças Armadas
- Gholam-Reza Rezaeian, chefe da Diretoria de Inteligência das Forças de Segurança Internas
- Hossein Jabal Amelian, chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa
- Reza Motafari-Nia, ex-chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa
- Saleh Asadi, chefe da diretoria de Inteligência do comando de emergência "Khatam al-Anbiya"
- Jalali Hossein, chefe da Diretoria de Espionagem do Ministério da Inteligência
- Yahya Hamdi, vice-ministro da Inteligência para Assuntos de Israel
- Akbar Ebrahim-Zadeh, chefe em exercício do Escritório Militar do Líder Supremo
- Bahram Hosseini Motlaq, chefe do Departamento de Operações e Planejamento das Forças Armadas
Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, durante um comício em Teerã, Irã, em 31 de maio de 2019 — Foto: Hamid Forootan/ISNA/WANA via Reuters
- Mojtaba Khamenei, líder supremo
Filho de Ali Khamenei, o aiatolá foi escolhido para suceder o pai como maior autoridade do país. Ele estava junto da família durante os ataques de 28 de fevereiro e, além do pai, também perdeu a mulher e um filho, entre outros familiares. Há relatos de que ele teria ficado ferido na ação. Mojtaba não fez aparições públicas desde o início da guerra.
- Masoud Pezeshkian, presidente
No Irã, o cargo de chefe do Executivo tem um peso menor, já que todas as decisões passam pelo crivo do líder supremo e do alto clero. Ainda assim, Pezeshkian exerce poder político limitado e não parece ter sido alvo de ataques israelenses. Ele é visto como um moderado dentro do regime dos aiatolás.
- Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores
O chanceler trabalhava nas negociações de um acordo nuclear com os EUA quando americanos e Israel iniciaram a guerra contra Teerã. Ele deu entrevistas após o início do conflito, condenando a atitude de Washington e Tel Aviv.

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