A crise em que se enfiou o Supremo Tribunal Federal ficou muito nítida na pesquisa Datafolha divulgada nesta semana que mostrou níveis recordes de desaprovação popular à corte e ao Judiciário.
O índice dos que não confiam no STF chegou a 43%, maior taxa desde que esse levantamento começou a ser feito, em 2012. Já os que confiam muito na corte são apenas 16%.
Não é nenhum mistério o motivo para isso. A sucessão de crises ligando ministros ao escândalo do Banco Master erodiu a credibilidade do Judiciário em geral, e do Supremo em particular.
Também afetam a imagem da instituição os penduricalhos milionários pagos por tribunais em todo o Brasil e as relações promíscuas de ministros com empresários e políticos em eventos internacionais como o famoso Gilmarpalooza.
Além disso, o eleitorado bolsonarista há muito já não simpatiza com a instituição, desde que o Judiciário tomou para si o papel de defensor da democracia contra as ameaças de golpe.
Agora, ao que tudo indica, mesmo o segmento mais de centro da população se tornou um crítico dos juízes.
Para o Supremo tudo isso é muito preocupante. Nesse momento, ataques mais coordenados à instituição, como pedidos de impeachment de ministros, não têm força para prosperar.
Mas isso pode mudar em breve, especialmente se o resultado das eleições foram favoráveis ao bolsonarismo.
Os aliados do ex-presidente colocaram como prioridade absoluta aumentar o número de senadores, que são os responsáveis por julgar afastamento de ministros. É muito provável que a bancada de direita aumente no ano que vem.
Isso tende a se intensificar, claro, se o senador Flávio Bolsonaro for eleito presidente. Nesses casos, podemos esperar uma nova ofensiva contra os chamados excessos do STF.
Durante o governo Bolsonaro, isso já aconteceu, mas a corte tinha força política e o apoio da opinião pública para resistir a esses ataques. Mas se continuar fragilizada, como está hoje, é difícil que consiga reagir e preservar sua independência.
Ou o STF toma atitudes rápidas para melhorar sua imagem, ou sofrerá uma campanha nos próximos meses que pode ser danosa para o Judiciário e para a democracia brasileira de forma geral.

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