"Não é fácil empreender. Precisa entender que vai existir, sim, uma conta alta financeira, emocional e física. Então, é preciso ter muita clareza sobre o que você vai fazer. É preciso querer muito, ter racionalidade, além de um pouco de paixão. Não uma paixão cega, mas uma paixão que mova, que entusiasme, sem tirar o limite e o bom senso", afirma.
Problemas comuns
O primeiro desafio começa em casa: em comparação aos homens, mulheres dedicam quase o dobro de horas às tarefas domésticas e cuidados familiares, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Isso reduz o tempo disponível para planejar o negócio, estudar o mercado e fazer networking.

O maior obstáculo hoje não é falta de capacidade, é falta de estrutura e direcionamento estratégico. Muitas mulheres começam a empreender pela necessidade, mas não foram ensinadas a pensar empresas como sistema, lucro, governança e escala Tatyane Luncah, empreendedora, mentora e CEO da Ebem (Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino)
Neste sentido, a especialista ressalta que, na sua experiência à frente da EBEM, identifica três padrões de dificuldade que aparecem com frequência entre alunas e mentoradas:
- Confusão entre faturamento e lucro;
- Dificuldade de precificação e posicionamento;
- Centralização excessiva: muitas querem fazer tudo sozinhas.
O que costuma ser esquecido, muitas vezes, é que empreender exige maturidade emocional, segundo Tatyane Luncah. E isso se constrói com base em três pilares: autoconhecimento, inteligência emocional e um ambiente de crescimento —elementos que ajudam a evitar a temida síndrome da impostora.
"A síndrome da impostora nasce quando a mulher cresce mais rápido do que sua autoimagem. Por isso, trabalhamos muito identidade empresarial dentro da Ebem. Você precisa se enxergar como CEO antes mesmo do mercado te reconhecer assim. E sobre sobrecarga: delegar não é luxo, é estratégia", afirma a especialista.
Nesse contexto, a validação externa não deve ser o fator determinante da autoconfiança.
"Muitas mulheres ainda esperam validação externa para crescer, cobrar mais, expandir ou ocupar espaços maiores. Protagonismo é decisão. É entender que você não está ocupando um lugar por favor, mas por competência", ressalta Luncah.
O poder do networking
Muitas mulheres relatam dificuldades em ampliar suas redes de contatos profissionais. Para Laís Macedo, presidente da Future Is Now, é preciso não esmorecer diante do desconforto de ocupar espaços e buscar relacionamentos, inclusive em ambientes predominantemente masculinos.
"Não se limitar a rodas de networking com pessoas semelhantes ou apenas a rodas de networking de mulheres. É realmente estar em rodas de decisores: onde está o dinheiro, onde está a influência, onde está a referência. E é ocupar essa rede", aconselha.
Ela ressalta ainda a importância de não terceirizar o trabalho de cultivar relacionamentos.
"Networking é uma situação, é uma oportunidade, é um desafio em primeira pessoa. O networking não é orgânico, tampouco é algo que vem até nós. Nós vamos até ele, com estratégia e com intencionalidade", ela diz.
Nesse sentido, é importante ter clareza sobre as conexões que precisam ser feitas e quais são as pessoas estratégicas para a jornada empreendedora. O networking é, ao mesmo tempo, um desafio e um aliado no caminho para o sucesso.

Mulheres que empreendem ou que desejam empreender têm que ocupar cada vez mais espaços de relacionamento, comunidades, ambientes e eventos, trocar contatos e transformar essas interações em relações densas e profundas, porque são essas conexões que abrirão portas e encurtarão caminhos Laís Macedo, presidente da Future Is Now
Dicas para acelerar resultados
É comum pensar que só é possível acelerar resultados por meio de investimento, mas nem sempre é assim. Tatyane Luncah explica que é necessário começar com um crescimento sustentável e que nem todo negócio precisa de investimento externo. "Muitos precisam, antes, de eficiência operacional e margem saudável", afirma.
A mulher já entendeu que pode empreender. O que ainda precisa evoluir é o acesso à informação estratégica, ao capital inteligente e às redes de relacionamento qualificadas. Hoje o desafio não é mais 'posso?', é 'como estruturo para crescer de forma sustentável?' Tatyane Luncah, CEO da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino
Mas, se a proposta for realmente conquistar investidores, há algumas etapas que precisam ser cumpridas, como organização financeira, construção de autoridade e networking estratégico.
"Muitas oportunidades não estão no banco, estão nas conexões. Na Ebem, incentivamos as empresárias a fortalecerem caixa, margem e governança antes de buscar capital", afirma.
Existem outros três passos que Tatyane considera indispensáveis para alcançar resultados e ter sucesso nos negócios sendo mulher:
Tenha clareza dos seus números. Olhe para o seu negócio com a visão de uma CEO. Responda às questões: qual é a sua margem? Quais produtos ou serviços realmente geram lucro? Onde estão os principais custos e perdas? Com números é possível construir estratégia.
Ajuste seu posicionamento e sua precificação. Muitas mulheres trabalham muito e ganham pouco porque não comunicam corretamente o valor que entregam. Revise sua proposta de valor, fortaleça sua autoridade e alinhe sua narrativa.
Delegue mais e estruture processos. Identifique o que pode ser delegado, documente processos simples e comece a atuar como uma empresa, e não como alguém que centraliza todas as funções.
Além disso, Laís Macedo ressalta a importância de as mulheres se manterem atentas às tendências do mercado e às mudanças pelas quais o mundo e os setores passam, para que possam planejar com racionalidade e previsibilidade dentro desses contextos.
"Hoje, quando pensamos em criar um novo negócio, é preciso criá-lo com um olhar de futuro muito acentuado. É preciso observar se o setor em que ele está inserido apresenta sinais de crescimento ou de transformação", pontua.

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2 horas atrás
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