O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a atingir 79,5%
Redação
06/02/2026 10:44
| Atualizado
06/02/2026 10:45
O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a atingir 79,5% em janeiro de 2026, repetindo o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), alcançado pela primeira vez em outubro de 2025. O número, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta sexta-feira (6), representa um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Apesar do volume recorde no endividamento, o percentual de quem está devendo o pagamento de alguma parcela recuou para 29,3%, a menor taxa desde abril do ano passado.
A pesquisa revela que a parcela média da renda mensal comprometida com dívidas subiu para 29,7% em janeiro. O cenário é agravado pela percepção subjetiva das famílias: 16,1% dos consumidores declaram-se "muito endividados", o maior percentual desde outubro de 2025. A CNC projeta que o endividamento continuará avançando no primeiro semestre de 2026 como recurso para manutenção do padrão de consumo. No entanto, a tendência é de que a inadimplência siga em queda, impulsionada pela expectativa de início do processo de redução da Selic. "Nossa expectativa é de alívio no atual aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom. Essa percepção, unânime entre os analistas, tende a distensionar os juros na ponta aos consumidores já no segundo trimestre deste ano", avalia Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Os dados desagregados mostram que as famílias com renda entre três e cinco salários mínimos foram as que apresentaram o maior avanço no endividamento e a maior dificuldade de honrar compromissos no mês. Em contrapartida, famílias com renda superior a dez salários foram as únicas a registrar redução no indicador de incapacidade de pagamento. O cartão de crédito segue como o principal formato, sendo credor em 85,4% das dívidas. Analisando a proporção do endividamento de cada família, cerca de 19,5% dos brasileiros vivem com menos da metade de sua renda, pois mais da metade está comprometida com o pagamento de dívidas.

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