Organizações do movimento negro estão planejando ações para pedir que a próxima indicação do presidente Lula (PT) para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) seja de uma pessoa negra —de preferência, uma mulher.
Os grupos querem chamar atenção do governo federal para a urgência do tema, uma vez que a indicação de uma candidata negra ao STF é algo inédito nos mais de 130 anos de existência da corte.
A Educafro, por exemplo, elabora uma carta com recomendações a serem apresentadas a Lula em parceria com outras entidades.
"A ideia é levarmos uma lista com 20 nomes ao todo, com sugestões de dez mulheres e homens negros de notório saber jurídico e apresentá-los ao presidente Lula", diz Frei David, 68, fundador da Educafro. Com sede na capital paulista, a ONG se dedica a promover a inserção de pessoas negras e de baixa renda no ensino superior.
"O Brasil produziu, ao longo de sua história, uma tradição rica e consistente de saberes jurídicos negros, a qual o presidente Lula desconhece", afirma David.
O movimento Mulheres Negras Decidem também está tentando uma agenda com a Secretaria Geral da Presidência para discutir o tema. Fundado em 2018, o grupo luta pela inserção de mulheres negras na política institucional e está presente em 22 estados.
O coletivo é autor da campanha "Ministra Negra Já!", que "tem o intuito de visibilizar os feitos de um grupo de juristas negras", conforme o comunicado em seu site. Com a rejeição do nome pelo Senado na última quarta (29), a campanha ganhou força.
Para Tainah Pereira, 32, coordenadora política do Mulheres Negras Decidem, "a luta por mais mulheres e pessoas negras na suprema corte é histórica e está diretamente relacionada ao aprofundamento da democracia".
O Odara - Instituto da Mulher Negra tem realizado campanhas nacionais para a indicação de uma mulher negra ao STF desde 2023, ano em que a ex-ministra Rosa Weber deixou a corte. Em outubro de 2025, a campanha foi retomada após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo.
"Com a rejeição do nome de Messias pelo Senado, voltamos com força a exigir a quebra dessa exclusão histórica das mulheres negras nos espaços de poder no Brasil", diz Joyce Souza, 34, coordenadora do projeto de enfrentamento à violência política de raça e gênero do instituto.
O desembargador do TRF 2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), William Douglas, 58, também está chamando atenção para o tema nas redes sociais, por meio da campanha "Uma Mulher Negra no STF". O jurista, que trabalha há quase 30 anos com inclusão social e racial, defende a nomeação de uma magistrada negra para a Corte.
"Nunca me engajei tanto numa campanha como agora. O objetivo é criar visibilidade sobre a nomeação de uma mulher negra para o STF, uma vez que a pauta antirracista é uma pauta da sociedade", diz Douglas.
FolhaJus
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Giovanni Harvey, 62, diretor-executivo do Fundo Baobá, defende a indicação do perfil de alguém que represente a maioria da população brasileira. A instituição se autointitula como "o maior fundo patrimonial brasileiro gerido por pessoas negras", voltado para o enfrentamento do racismo e a promoção da equidade racial no país.
"Já passou da hora de uma mulher negra ser indicada. Não dá para termos um Supremo sem representar quase 60% do país", afirma Harvey.

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