Segundo a imprensa americana, Trump deve apostar em um discurso para animar a própria base eleitoral. A ideia é manter o apoio dos eleitores antes das eleições de meio de mandato.
- Também conhecidas como “midterms”, as eleições estão marcadas para 3 de novembro.
- Toda a Câmara será renovada. No Senado, um terço das cadeiras estará em disputa.
- Atualmente, as duas Casas são controladas pelos republicanos, partido de Trump.
- Pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas. Esse cenário preocupa aliados do presidente.
A economia deve ser um dos principais temas do discurso. Pesquisa divulgada pela Associated Press aponta que 59% dos adultos americanos desaprovam as políticas econômicas do presidente. A principal preocupação dos eleitores é com os preços dos alimentos e da moradia.
Trump deve culpar o governo anterior, de Joe Biden, pelos atuais desafios econômicos. Na semana passada, o presidente afirmou que falaria sobre a “situação caótica” herdada ao assumir a Casa Branca em 2025.

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No ano passado, durante sessão conjunta do Congresso, Trump usou uma receita semelhante e citou Biden 13 vezes ao comentar a situação do país.
A imprensa americana também aponta a possibilidade de o presidente mencionar uma decisão da Suprema Corte que derrubou a imposição de tarifas contra outros países com base em uma lei de 1970. Trump criticou a decisão e anunciou uma nova tarifa global.
- Enquanto a oposição afirma que as tarifas podem pressionar a inflação, o presidente diz que a medida arrecadou trilhões de dólares.
- Os ministros da Corte devem acompanhar o discurso no plenário.
A imigração também deve aparecer no discurso. Considerada um dos principais eixos do governo, a política de detenção de estrangeiros em situação irregular virou alvo de protestos após a morte de dois cidadãos americanos em ações de agentes federais.
Nesta segunda-feira (22), em uma tentativa de recuperar apoio no tema, Trump decretou o “Dia Nacional das Famílias de Anjos”. A data homenageia cidadãos americanos mortos por imigrantes em situação irregular.
Por fim, a política externa também pode ser mencionada, mas deve ter espaço menor. Mesmo diante do aumento das tensões com o Irã, a expectativa é que o foco de Trump esteja no público interno e em temas do cotidiano dos americanos.
Obama faz o discurso do Estado da União em 2015 — Foto: GloboNews
O discurso sobre o Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve, com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição mudou, e os discursos ficaram cada vez mais longos e midiáticos.
Em 1801, Thomas Jefferson decidiu romper com a prática de falar pessoalmente ao Congresso e passou a enviar a mensagem por escrito. O formato foi mantido por mais de um século. Apenas em 1913, Woodrow Wilson retomou o modelo presencial.
Em 1947, o presidente Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão. Quase 20 anos depois, em 1965, o presidente Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência.
Com o aumento da polarização, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Biden, por exemplo, foi chamado de mentiroso por uma deputada em 2023.
Oficialmente, o discurso mais longo foi feito pelo presidente Bill Clinton. A fala durou 1 hora, 28 minutos e 49 segundos.
No ano passado, o discurso de Trump durou 1 hora, 39 minutos e 32 segundos. No entanto, como ele ainda estava no primeiro ano de governo, o pronunciamento não é considerado oficialmente um Estado da União e é classificado como uma sessão conjunta do Congresso.

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