O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desistiu de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9 bilhões) que beneficiaria aliados políticos, incluindo apoiadores que invadiram o Capitólio em janeiro de 2021. A informação foi confirmada nesta terça-feira (2) pelo procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche.
O site Axios já havia informado na segunda-feira (1º) que a iniciativa havia sido abandonada. O jornal "The New York Times" e as agências Reuters e AP obtiveram a mesma informação. Batizada de "fundo anti-instrumentalização", a iniciativa sofreu uma onda de críticas.
O fundo, que compensaria vítimas de "instrumentalização" política com dinheiro dos contribuintes, surgiu de um acordo judicial entre o Departamento de Justiça de Trump e a Receita Federal (IRS) para resolver um processo sem precedentes no qual o presidente buscava US$ 10 bilhões por suposta má gestão de suas declarações de imposto de renda.
O anúncio gerou críticas, com parlamentares levantando preocupações sobre possíveis favorecimentos de Trump e a possibilidade de pagamentos a apoiadores violentos de Trump que invadiram o Capitólio dos EUA e agrediram policiais em 6 de janeiro de 2021.
Segundo o procurador-geral interino Todd Blanche, o fundo criaria um processo legal para que pessoas que alegam ter sido perseguidas politicamente possam apresentar pedidos de reparação financeira.
- De acordo com o Departamento de Justiça, o dinheiro virá de uma reserva usada para pagar indenizações e acordos judiciais do governo federal.
- O fundo poderá analisar denúncias de perseguição política, emitir pedidos formais de desculpas e conceder compensações financeiras a candidatos aprovados.
- Uma comissão de cinco integrantes, indicada por Blanche, ficará responsável por avaliar os pedidos. O presidente terá poder para substituir membros do grupo.
- O programa deverá funcionar até dezembro de 2028.
O governo não divulgou nomes de possíveis beneficiários nem critérios detalhados para receber indenizações.
Entre os casos citados por analistas estão investigações contra aliados de Trump durante o governo do ex-presidente Joe Biden, incluindo processos ligados à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Mais de 1.500 pessoas foram acusadas pelos ataques. Questionado sobre a possibilidade de participantes do episódio receberem pagamentos, Trump afirmou que a decisão caberá ao comitê responsável pelo fundo.
Entre aliados investigados que poderiam tentar compensação estão o ex-estrategista Steve Bannon e o ex-assessor comercial Peter Navarro, ambos condenados por desacato ao Congresso e que negam irregularidades.
Por que o fundo virou alvo de críticas
O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington — Foto: Mark Schiefelbein / AP
Parlamentares democratas e organizações de ética pública afirmam que o fundo pode se transformar em um mecanismo para direcionar dinheiro público a aliados políticos do presidente.
A deputada Jamie Raskin, principal democrata do Comitê Judiciário da Câmara, afirmou que a medida abre caminho para a criação de um “caixa político” financiado por contribuintes.
Já a senadora Elizabeth Warren classificou a iniciativa como “corrupção em nível extremo” e apresentou um projeto de lei para impedir que presidentes possam se beneficiar financeiramente de acordos com o governo.
O governo Trump afirma que o fundo foi criado para reparar o que o presidente chama de uso político do Departamento de Justiça contra ele e aliados durante o governo Biden.

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