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Festival de hipocrisias marca novo tarifaço que Trump quer impor ao Brasil

Ataque no campo comercial

As acusações no campo comercial também buscam escamotear, agora com suporte em leis vigentes, a tentativa de submeter o Brasil a facilidades de operação no país de empresas norte-americanas e, mais grave, derrubar na força legítimas vantagens tecnológicas, operacionais e competitivas brasileiras, como é o caso dos ataques ao fenômeno de aceitação popular do Pix, o sistema de pagamentos instantâneo e gratuito para pessoas físicas, criado e operado pelo Banco Central

O tom imperial e de chantagem explícita, marca do método de negociação de Trump e de seu governo, não, contudo, é o que mais chama a atenção na ofensiva norte-americana. É o festival escancarado de hipocrisia com que Trump ameaça o Brasil e outros países.

As acusações de leniência com a produção de bens supostamente apoiado em trabalhos forçados são exemplares dessa hipocrisia. Em relação ao Brasil, levantamentos da Fundação Walk Free, entidade de atuação global voltada para a erradicação do trabalho escravo ou análogo ao de escravo no mundo, mostram que os Estados Unidos são o país mais poroso à entrada de produtos sob risco de recorrer a trabalhos forçados.

No seu mais recente "Índice Global de Escravidão", publicado em 2023, a Walk Free registra que os Estados Unidos importam por ano US$ 170 bilhões em produtos com risco de incorporar trabalho escravo, de longe o maior volume mundial. O Brasil, no mesmo relatório, aparece com importações anuais de US$ 5,5 bilhões com possível uso de trabalhos forçados ? volume 30 vezes menor. A diferença de tamanho entre os dois mercados não é capaz de explicar tal diferença.

Trump sufocou a OMC

Na investigação promovida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), por exemplo, há a acusação de que o Brasil não enfrenta eficientemente o desmatamento ilegal. Além de a acusação ser infundada — desde 2023, o desmatamento recuou 50% e deve atingir os menores índices em 40 anos neste ano de 2026 —, a defesa ambiental exibida pelo governo Trump, o mesmo que se retirou do Acordo de Paris sobre meio ambiente, soa como um escárnio.

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